quarta-feira, 28 de novembro de 2012

“O amor como critério de gestão”


O meu artigo no “i”: António Pinto Leite publicou um livro muito promissor, que traz o amor para a gestão.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A queda da Grécia


O meu artigo no “i”, sobre o braço de ferro entre o Eurogrupo e o FMI.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Escapar ao abismo


Meu artigo no Jornal de Negócios, em que tento usar uma abordagem mais conciliatória do que tenho usado recentemente.

Gente avisada



É certo que o investimento na ANA é para durar décadas, pelo que este pedido de garantias não deve ser lido como indicador de uma catástrofe iminente. Mesmo assim, é mais um sinal da falta de confiança no futuro do euro e, sobretudo, da permanência de Portugal nesta moeda. 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Redefinir as funções do Estado?


O meu artigo no “i”: Vivemos no grave equívoco de pensar que, se uma área é essencial, então toda a despesa actualmente realizada nessa área é também essencial.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

“França preparou-se para saída de Grécia em 2011”


Isto é, de certeza absoluta, apenas a ponta do iceberg do que se passou na altura. Relembro que, em Novembro de 2011, a Itália e a Espanha também estiveram a três passos do abismo.

Em relação ao que se está a passar nos bastidores neste momento, provavelmente só o saberemos, o que vier a ser conhecido, daqui a algum tempo. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

“E se o euro se desagregar?”


O Nordea, o mais importante banco de investimentos da Escandinávia, apresentou hoje um relatório sobre a eventual desagregação do euro. Mais uma acha para a fogueira do fim do euro.

sábado, 20 de outubro de 2012

Recomendado


Referendo ao euro


Paulo Gorjão tem um excelente blog, excelente pela qualidade das análises e, sobretudo, nos tempos que correm, pelo bom senso e serenidade das suas opiniões.


Esta discussão parece-me muito útil, nem tanto para o PM reconquistar a iniciativa política, mas para os portugueses acordarem. Na verdade, considero altamente provável que Portugal seja forçado a sair do euro muito antes de haver condições práticas para realizar este referendo, e já nem falo em condições políticas. 

Consultório financeiro (2)


Nas respostas aos leitores, não vou respeitar a ordem cronológica, vou antes dar precedência às questões mais curtas e relevantes.

Questiona o P.A. (19-Out). “O problema é que a maioria dos Portugueses não sabe como colocar algumas poupanças no estrangeiro. Gostaria imenso que me explicasse como é que, legalmente, isso pode ser feito. Já coloquei essa questão no meu banco mas responderam-me que não prestavam esse tipo de serviço…”

Como regra geral, se o vosso banco não faz certo tipo de serviço, recomendo que façam uma pesquisa em outros bancos para ver onde ele pode ser feito. Há dois bancos, o Barclays e o Deutsche Bank, em que se podem fazer depósitos em moeda estrangeira e que ficam abrangidos pelas garantias, respectivamente, do Reino Unido e da Alemanha.

Mas fazer depósitos em divisas (dólares, francos suíços, etc.) em bancos portugueses é uma acção equivalente a colocar poupanças no estrangeiro, sobretudo se não estivermos a falar de grandes montantes.

Uma outra alternativa é comprar títulos estrangeiros, como dívida pública alemã e americana, bem como acções de algumas empresas mais sólidas. 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Consultório financeiro (1)


A partir de hoje vou criar uma rubrica de consultório financeiro de resposta a perguntas que os leitores me têm enviado por mail. Vou indicar o nome do leitor por iniciais, para respeitar o seu anonimato.

Pergunta o M. A. (15-Out): “Quando aconselha o depósito em bancos ingleses, americanos ou suíços, não fica claramente expresso se esses depósitos têm de ser feitos no país desses bancos ou se podem ser feitos em agências dos mesmos em Portugal. Se eu, por exemplo, depositar no Barclays Bank Portugal numa conta em libras, não estaria esse depósito garantido pelo FSCS da FSA e protegido da passagem de Euros para o novo Escudo? Pela mesma lógica, não seriam também boas hipóteses depósitos em moeda estrangeira em agências em Portugal do Deustche Bank (mesmo sendo de um país de um euro será de todos eles o mais seguro) e do Banco do Brasil.”

Tem razão, caro M. A. No caso do Barclays e do Deutsche Bank, os depósitos podem ser feitos em moeda estrangeira em Portugal e ficam abrangidos pelos sistemas de garantia dos depósitos, respectivamente, o Reino Unido e da Alemanha. No caso do Banco do Brasil, não consegui confirmar mas, como não faz parte das entidades participantes no Fundo de Garantia dos Depósitos português, é provável que tenha uma garantia ao abrigo das regras brasileiras.

O Deutsche Bank tem estado envolvido em notícias menos favoráveis, mas se fizer depósitos não muito grandes, diria até 25 mil euros, não deverá correr um grande risco, tanto quanto se pode dizer no contexto de pré-catástrofe que estamos a viver.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Saída de depósitos


A crise do euro tem levado a uma saída de depósitos dos países periféricos para os países mais seguros, mas muito menor em Portugal

Desde o início da crise do euro que se detectou um movimento significativo de fuga de depósitos, dos países periféricos para lugares mais seguros. Na Grécia, estas saídas de capitais começaram a notar-se logo em Janeiro de 2010, registando perdas acumuladas de 35% (dados do BCE, até Agosto de 2012). Em Abril daquele ano a Grécia foi forçada a pedir ajuda e desde então tem-se assistido a um verdadeiro descalabro neste país, que já incluiu um perdão de dívida de 74%.

Na Irlanda, a queda nos depósitos começou a notar-se em Maio de 2010 e este país acabou por pedir ajuda em Novembro desse ano. No entanto, poucos meses depois a fuga de fundos estancou, totalizando apenas 10% do total e tem estabilizado a esse nível até hoje.

Em Espanha, a fuga de depósitos iniciou-se em Julho de 2011, já depois de Portugal ter pedido ajuda e tem vindo a acelerar, tendo já saído 14% do total de depósitos que se registava no seu máximo.

Em Itália, registou-se uma saída de capitais limitada durante 2011 até quase ao final do ano, quando este Estado esteve próximo do precipício. A partir daí, as medidas europeias e o governo de Monti conseguiram inverter aquela fuga e houve um regresso do dinheiro transferido para o exterior, que já foi praticamente todo recuperado.

No caso de Portugal, a saída de fundos só se iniciou em Novembro de 2011, embora tenha vindo a acelerar nos últimos meses, totalizando apenas 8% do total dos depósitos. Estes dados podem não coincidir exactamente com aqueles que têm sido divulgados, mas são dados do BCE, do total de depósitos excluindo a administração pública central e as instituições financeiras monetárias (código 2.2.3), o que os permite comparar directamente com os outros países.

Os dados portugueses revelam dois aspectos importantes. O primeiro é que o movimento de fuga é muito atrasado em relação ao padrão que se verificou nos restantes Estados. Enquanto nos outros as saídas de capital se iniciam ANTES do pedido de auxílio, que nalguns casos ainda nem ocorreu, no caso de Portugal a fuga só se iniciou cerca de seis meses DEPOIS do resgate internacional.

O segundo aspecto é que de Portugal têm saído comparativamente menos fundos do que dos outros países, à excepção de Itália, em que o governo Monti tem inspirado muita confiança, algo de que o actual governo português não pode ser “acusado”.

Saiu muitíssimo mais dinheiro da Grécia do que de Portugal, mas isso não deve surpreender porque o caso grego é quase um caso perdido. Mas a Irlanda tem-se portado muito bem e está a ter sucesso no programa de ajustamento, coisa que se tornou mais evidente nos últimos meses que não é o nosso caso. No entanto, saiu menos dinheiro de Portugal do que da Irlanda.

O caso espanhol pode-se considerar ainda mais flagrante, já que Espanha ainda nem sequer pediu ajuda e já saiu de lá quase o dobro (em termos relativos) do que saiu de Portugal.

Se aos dados sobre saída de capitais acrescentarmos uma avaliação, um pouco menos científica, sobre declarações oficiais e comentários na comunicação social, verificamos que nos outros países periféricos se discute abertamente a saída do euro e mesmo o fim do euro. Por oposição, em Portugal fala-se muito menos sobre estes temas, que são quase tabu, com raras excepções.

Por tudo isto ouso concluir que em Portugal há um generalizado estado de negação sobre os problemas que se avizinham e uma grande falta de preparação para eles.

Quando sair do euro a Grécia pode contar com montantes muito volumosos de capitais no exterior, que poderão regressar ao país, aproveitando as pechinchas que se encontrarão à venda e fornecendo uma ajuda preciosa à recuperação económica do país. O mesmo se poderá dizer de Espanha, que não deverá sofrer perdas cambiais tão fortes como a Grécia e que, desde logo, tem uma economia muito mais atraente para investir do que a grega.

Portugal vai precisar de muito mais ajuda do que Espanha (em termos relativos) mas, a manter-se a actual apatia dos portugueses, vai ter muito menos fundos disponíveis no estrangeiro no momento em que precisar desesperadamente deles.

[Publicado no Jornal “i”]

Adenda: Há quem muito chocado com a minha insistência na colocação de dinheiro fora de Portugal, por isso desejo contribuir para esclarecer este ponto.

Quais são os problemas que têm sido referidos em relação à Grécia? O quase colapso do sistema partidário vigente; a contestação violenta nas ruas; uma recessão profunda, com uma queda acumulada do PIB de mais de 20% (uma depressão ocorre quando é ultrapassada a marca dos 10%); um desemprego elevadíssimo (nos jovens já ultrapassou os 50%!); perdão forçado da dívida, com prejuízo de 74% para os investidores; etc.

Entre os principais problemas gregos não se inclui – e bem – a fuga de capitais, que já dura há quase três anos. Ou seja, esta fuga é um mal menor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Uma excelente ideia



Acho muito bem que se investigue a actuação de Cândida Almeida e que se vá até às últimas consequências, incluindo, eventualmente, cadeia.

“Portugal não é o Brasil”


O último orçamento



Adenda: Ainda no IMI há outras duas questões. A primeira é a da avaliação dos imóveis, em que convinha que se tomasse consciência que estamos em presença de um claro movimento de diminuição do valor, nalguns casos superior a 20% e que as Finanças não cobrassem IMI com base em valores acima do mercado. Também era conveniente que a avaliação usasse como parâmetro o facto de o imóvel estar arrendado e qual o valor da renda. Dá vontade de usar um insulto à la António Borges, porque não se percebe qual a lógica de atribuir a mesma avaliação a uma habitação, quer tenha uma renda de 50€, quer de 500€.

A segunda questão é a pretendida eliminação da cláusula de salvaguarda. Algum tipo de alteração desta cláusula é admissível, mas a sua eliminação parece incompreensível, sob todos os pontos de vista, sobretudo políticos. 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Divórcio europeu


O meu artigo deste mês no Jornal de Negócios.

PS. O 3º parágrafo é um bug, é um texto de outro autor.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A próxima ministra?


Têm surgido rumores de que Vítor Gaspar estaria de saída, por moto próprio ou por pressões dentro do governo. Apesar de tudo, preferia que o ministro permanecesse no lugar, sobretudo devido ao seu prestígio junto dos nossos parceiros comunitários, algo de precioso para os tempos muito difíceis que se avizinham.

Isto dito, apreceei a prestação da Secretária de Estado do Tesouro e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, ontem na RTP1, em que foi “apertada” pelo José Rodrigues dos Santos. Ela conseguiu manter-se muito tranquila, traduzir o economês para português e falar para as pessoas. Revelou algum talento político, que precisa agora de ser trabalhado pela experiência, mas pareceu-me que poderia estar ali a próxima ministra das Finanças ou, eventualmente, num outro ministério.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

“Nova sede do BCE vai custar mais de mil milhões”


Ou muito me engano, ou o BCE nunca irá ocupar este edifício, pela simples razão que quando ele estiver pronto ou o BCE já não existe, ou existe numa versão muito mais reduzida do que a actual, não justificando a mudança de espaço.

Instituições extractivas


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Investimentos a evitar


Várias empresas portuguesas, vítimas do fecho da torneira do crédito interno e quase impedidas de recorrer ao financiamento externo, têm recorrido à emissão de obrigações de médio prazo, como é este caso.

Dado que estou convicto que Portugal deverá sair do euro nos próximos meses, desaconselho vivamente a compra destas obrigações. Em primeiro lugar, a excepcional turbulência dos tempos que vivemos sugere que se assumam compromissos com os menores prazos possíveis, evitando ficar com os vossos fundos paralisados num investimento de médio prazo. Mesmo para aqueles que acreditam que o euro ainda vai aguentar durante algum tempo, acham que Portugal ainda estará no euro daqui a cinco anos?

Em segundo lugar, como explico com mais detalhe no meu livro “O fim do euro em Portugal?”, páginas 219-220, as obrigações a taxa fixa deverão sofrer duas perdas de valor significativas: i) pela desvalorização do novo escudo; ii) por terem taxas muito inferiores às que vigorarão no novo escudo.

Se estas obrigações vierem a ser cotadas em bolsa, poderão ser resgatadas com facilidade e o dinheiro não estará tão “paralisado”, mas isso não impedirá as perdas de que falo acima.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012



Daqui a um ano estaremos a discutir a subida do IVA para 25%? No orçamento de 2018 teremos passado a taxa reduzida e a taxa intermédia do IVA para a taxa normal e colocá-la-emos nos 30%? Subiremos o escalão máximo do IRS para 60%? Subiremos os impostos sobre os combustíveis para colocar o preço do litro de gasolina nos 3 euros? Faremos o mesmo ao tabaco, colocando o maço acima dos 5 euros? Subiremos o IRC para 40% para garantir que nenhuma empresa estrangeira cometa a imprudência de vir criar um emprego que seja em Portugal?

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Bom senso



Adenda: Esta medida tem um grave problema adicional, de expectativas. Ela suscitou tanta oposição que, mesmo que seja aprovada, é muito provável que seja revertida pelo próximo governo. Como, ainda por cima, esta medida quase matou a actual coligação, nem sequer devemos estar muito longe de ter um novo governo (diria que é quase certo que isso aconteça nos próximos 12 meses). Ou seja, nenhum empresário acreditará que a medida é duradoura e, nesse caso, quase nenhum emprego será criado em resultado das alterações na TSU.

Por isso mesmo, entrar-se-á no exemplo clássico de “auto-concretização das expectativas”. À medida que se for percebendo que esta política não produz resultados, maior será a convicção de que ela não pode durar e menos resultados ainda produzirá.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Garantia de depósitos


O fim do euro deve levar à conversão dos depósitos bancários em novos escudos na proporção de um para um, embora o novo escudo se deva desvalorizar de forma significativa face ao euro, o que se traduzirá numa forte perda para os depositantes.

Há também o risco de os bancos virem a ser nacionalizados por não se conseguirem aguentar no período de transição entre moedas, colocando-se o risco da perda parcial do valor nominal dos depósitos mais elevados.

O Fundo de Garantia dos Depósitos “garante o reembolso datotalidade do valor global dos saldos em dinheiro de cada depositante, até ao limite de 100 000 euros por depositante e por instituição.” No entanto, esta garantia tem que ser encarada com cepticismo por duas razões. Em primeiro lugar, porque o Fundo tem em reservas o equivalente a apenas 1% dos depósitos segurados, pelo que dificilmente poderá exercer a sua função perante um cataclismo. Em segundo lugar, porque o fim do euro é algo que é suposto não poder acontecer, pelo que nem sequer há regras definidas e muitas outras que o estão neste momento poderão ser alteradas sem pré-aviso.

Vale a pena salientar que “Os depósitos são garantidos independentemente da moeda em que se encontram denominados e de o depositante ser ou não residente em Portugal.” Ou seja, os portugueses podem, em princípio (a tal incerteza sobre o fim do euro…), fazer depósitos em moeda estrangeira, o que os colocaria a salvo da desvalorização do novo escudo e, mesmo assim, beneficiar da garantia de depósitos existente.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Socorro!



Mais um prego no caixão do euro.

Mais uma vez, é de notar o tom altamente crítico da esmagadora maioria dos comentários a esta notícia delirante. 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Recessão em 2013

O meu artigo no Jornal de Negócios, em que falo da recessão mundial de 2013, que se deverá seguir ao fim do euro.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Convite para o lançamento do meu livro

O meu livro será lançado 3ª feira, 11 de Setembro (bem sei...) na Livraria Almedina do Saldanha, pelas 19h. A apresentação será feita pelo João Ferreira do Amaral e todos são bem-vindos. (Clique na imagem para a ver melhor)

Medidas adicionais


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Economia a fraquejar


O meu artigo de hoje no jornal “i”, onde não escondo o meu pessimismo sobre as perspectivas económicas. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ascensão e queda do euro (1)


O link que o site resistir.info colocou a um texto meu aumentou em muito as visitas a este blog e acabei por receber a oferta de um exemplar do livro “Ascensão e queda do euro”, coordenado por Jorge Figueiredo (2012, Chiado Editora), com a promessa de eu fazer uma resenha do mesmo, que vou agora iniciar.

Antes de mais tenho que declarar que estou nos antípodas científicos e ideológicos dos autores, pelo que será mais do que natural a presença de inúmeras discordâncias. O livro inicia-se com a republicação de seis textos de Rudo Ruijter, de 2007 a 2011, que passo a rever. Como estes textos eram artigos autónomos, há várias repetições dos mesmos temas.

Fico com algumas dúvidas na tradução, devido aos chamados “falsos amigos”. Quem não está por dentro dos temas terá tendência para traduzir “fiscal measures” por “medidas fiscais” (p. 85), quando a tradução correcta seria “medidas orçamentais”. Há casos em que o erro é evidente, mas nesta situação concreta fiquei na dúvida.

As suas teses sobre a criação de moeda são um pouco insólitas, até porque pretendem revelar (mal) um suposto segredo, que é ensinado há décadas nas faculdades de economia, logo no primeiro ano.

A secção “Os bancos centrais precisam de inflação” (p. 28-34) é particularmente estranha porque há cada vez mais bancos centrais a adoptar metas explícitas de inflação, muito baixas. O BCE, em particular, tem uma meta de inflação excessivamente baixa (inferior a 2%), que é um forte obstáculo à correcção dos desequilíbrios dos países periféricos.

Já os artigos sobre o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) são mais interessantes e denunciam que este pode exigir dinheiro dos países membros de modo ilimitado, sem o direito de veto dos parlamentos nacionais (p. 97). Este MEE provocou uma forte celeuma na Alemanha e indigna este autor holandês. Não por acaso, em Portugal não se ouviu o mais leve protesto. A explicação parece-me simples: a Alemanha e a Holanda correm graves riscos de ficarem com grandes facturas que não controlam, enquanto Portugal poderá beneficiar de quantias crescentes de ajuda.

O último artigo de Ruijter recomenda a saída do euro e traça um cenário idílico da transição, que não consigo acompanhar. Insiste na tese da criação de um Banco de Estado, diferente dos actuais bancos centrais, cujas vantagens tenho dificuldade em perceber. Suspeito, aliás, que esta crítica ao sistema actual seja mais bem recebida nestas paragens na parte em que coloca em causa as instituições vigentes, do que na parte em sugere uma alternativa concreta.

Há aqui uma gralha irritante (p. 111), que se repete na contracapa, de dizer que a zona do euro é composta por 23 países, quando são só 17. 

E nós somos parvos



E nós somos parvos.

domingo, 12 de agosto de 2012

Estão a brincar com quem?



Desconhece-se o destino? É assim que se investiga em Portugal? O ministério da Defesa não tem responsáveis pelos arquivos? O que é que a PGR está à espera para abrir imediatamente um inquérito a este desaparecimento de documentos que é para lá de suspeito?

Depois não se esqueçam de vir com a conversa que há um complot para dizer mal da justiça, que há muita má vontade, etc. Uma justiça que tem o descaramento de dar notícias destas só pode ter a pior avaliação pública possível.

Saindo agora deste caso particular, a luta contra a corrupção tem que começar pela corrupção na justiça. Enquanto não virmos vários juízes e vários procuradores na cadeia não é possível confiar na justiça nem termos a fantasia de que se pode combater a corrupção em Portugal. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Capa do livro

Eis a capa do meu livro, que deverá estar nas livrarias a partir de 18 de Agosto.



O memorando Merkel


The Economist desta semana tem um memorando fictício que teria sido entregue à chanceler alemã, recomendado uma redução da zona do euro para um grupo mais restrito de países, sem a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Chipre.

Apesar de admitir que a zona do euro ficaria mais robusta sem estes Estados, o relatório também reconhece que o que sobrar também corre o risco de desintegração. Posso dizer que está muito em linha com o que penso sobre o futuro do euro.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Despertar

O meu livro "O fim do euro em Portugal?" deverá sair nos próximos dias, pela Actual Editora, do grupo Almedina. Por isso vou ressuscitar este blog e começo por indicar um link para todos os textos que escrevi no blog Cachimbo de Magritte sobre este tema.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Hibernação

Há já vários meses que os posts deste blog são um mero espelho do que tenho vindo a publicar no Cachimbo de Magritte. Por isso, este blog vai hibernar por tempo indeterminado.

Muito obrigado a todos os leitores, que podem continuar a seguir-me naquele blog colectivo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Fim do euro (5) Dois fins

O fim das colónias e o fim do euro têm em comum o facto de quem tiver saído a tempo poderá sair incólume.

[Publicado no jornal "i"]

Fim do euro (4) Recomendações práticas, adenda

O post anterior desta série suscitou dúvidas – inteiramente legítimas – porque falei em três seguros diferentes sem ter o cuidado de os diferenciar. Gostaria, desde logo, de renovar os meus agradecimentos a quem colocou as dúvidas, que me têm ajudado imenso a pensar melhor sobre estes temas.

O risco de saída de Portugal do euro tem associado múltiplos riscos, dos quais gostaria de salientar três: o risco do colapso temporário do sistema de pagamentos, o risco do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos e o risco de perda – definitiva – de valor de inúmeros activos (depósitos à ordem e a prazo, obrigações, acções e imobiliário, entre outros).

O post anterior foi dedicado quase exclusivamente aos dois primeiros riscos. O risco do colapso do sistema de pagamentos levou-me à recomendação, meramente indicativa, de ter em casa notas no montante equivalente a um mês de rendimento. Esta recomendação tem o benefício secundário de proteger também, de forma muito limitada e parcial, contra o terceiro risco que referi acima: o de perda de valor dos depósitos à ordem.

Este terceiro risco é um tema vastíssimo, que deverá ocupar inúmeros posts posteriores, sobre o qual não me irei debruçar agora.

O segundo risco, o do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos, levou-me à recomendação, de novo meramente indicativa, de ter em casa na despensa o equivalente a um mês de consumo de bens não perecíveis.

Retomando agora o tema do primeiro risco, o do colapso temporário do sistema de pagamentos – um dos temas centrais do post anterior –, gostaria de salientar que os moldes da saída de Portugal do euro são incertos. Gostaria de contemplar quatro cenários: a) Portugal sai do euro (ou é forçado a sair) individualmente pouco depois da saída da Grécia; b) Portugal sente-se obrigado a acompanhar a saída – forçada – da Itália; c) os países fortes decidem sair do euro, porque as medidas necessárias à sobrevivência do euro o descaracterizariam por completo; d) dá-se a implosão total do euro, com todos os países a voltarem a moedas nacionais.

Os cenários a), b) e d) são relativamente semelhantes em relação ao risco de colapso do sistema de pagamentos. Para nos protegermos contra estes cenários, devermos ter euros em casa. Isso protege-nos contra o risco de colapso do sistema de pagamentos e parcialmente contra o terceiro risco, o da perda de valor.

No cenário c) o euro continua a ser a moeda portuguesa, embora se desvalorize face ao novo marco. Neste caso não haverá sequer risco de colapso do sistema de pagamentos, que se manterá. Nesta hipótese seria inútil ter os euros em casa e estes euros também já não seriam uma reserva de valor como nos cenários anteriores. Neste caso só dólares e outras divisas é que serviriam como refúgio. Mas dificilmente poderíamos comprar pão e outros produtos essenciais com dólares, pelo que os dólares podem ser bons na perspectiva de reserva valor (que não é o tema aqui), mas não tanto para acudir a uma situação temporária de problemas de pagamentos.

Resumindo: ter alguns euros em casa previne contra o colapso do sistema de pagamentos, mas pode ou não proteger contra a perda de valor da moeda que circula em Portugal. Mas este outro risco merece muito mais atenção, nos próximos posts.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fim do euro (3) Recomendações práticas

Parece que as mais altas instâncias europeias consideram que a Grécia deverá sair do euro em algum momento dentro dos próximos meses. Quando isso acontecer, é possível – mas não necessário – que Portugal saia também do euro, talvez alguns meses depois.

Neste momento, considero que todos os portugueses devem “subscrever” um seguro contra essa eventualidade, tal como fazem um seguro contra o incêndio da sua própria casa. Quando se compra este seguro, o que nos move não é a expectativa de que a nossa casa sofra um incêndio nos próximos meses, um acontecimento com uma probabilidade muito baixa, mas sim a perda gigantesca que sofreríamos se a nossa habitação ardesse. A esmagadora maioria dos portugueses vive toda a sua vida sem sofrer qualquer incêndio nas suas casas mas, mesmo assim, a maioria de nós tem um seguro contra incêndio.

A probabilidade de Portugal sair do euro em 2012 é muito superior à probabilidade de termos um incêndio nas nossas casas durante toda a nossa vida. Por este motivo é que considero que todos os portugueses deveriam “subscrever” o tal seguro contra a saída do euro.

Quais são as consequências imediatas de Portugal sair do euro? A nova moeda portuguesa, o cruzado, sofreria uma desvalorização face ao euro de, pelo menos, 20%. Todos os depósitos bancários seriam imediatamente transformados em cruzados, perdendo, pelo menos, 20% em valor. Todos os depósitos ficariam imediatamente indisponíveis durante algum tempo (dias? semanas?) e não haveria notas e moedas de cruzados, porque o nosso governo e o Banco de Portugal não consideram necessário estarmos preparados para essa eventualidade.

O mais provável é que a saída do euro fosse anunciada numa sexta-feira à tarde, havendo apenas o fim-de-semana para tratar da mudança de moeda. Logo na sexta-feira os bancos retirariam todas as notas de euros das máquinas de Multibanco e quem não tivesse euros em casa ou na carteira ficaria sem qualquer meio de pagamento.

Durante algumas semanas (ou mais tempo) teríamos um colapso do sistema de pagamentos e, provavelmente, também um corte nos fornecimentos. As mercearias e supermercados ficariam incapazes de se reabastecer, devido às dificuldades associadas à troca de moeda.

Este “seguro” de que vos falo, contra este cenário catastrófico, não pode ser comprado em nenhuma companhia de seguros, mas pode ser construído por todos os portugueses, estando ao alcance de todos, adaptado à sua realidade pessoal.

O que recomendo é algo muito simples que – todos – podem fazer. Ter em casa dinheiro vivo num montante da ordem de um mês de rendimento e a despensa cheia para um mês. Esta ideia de um mês de prevenção é indicativa e pode ser adaptada à realidade de cada família.

Não recomendo que façam isso de forma abrupta, mas lentamente e também em função das notícias que forem saindo. De cada vez que levantarem dinheiro, levantem um pouco mais do que o costume e guardem a diferença. De cada vez que dizerem compras tragam mais alguns produtos para a despensa de reserva. Aconselho que procurem produtos com fim de validade em 2013 ou posterior mas, nos casos em que isso não seja possível, vão gastando os produtos de reserva e trocando-os por outros com validade mais tardia. Desta forma, sem qualquer ruptura, vão construindo calmamente o vosso seguro contra o fim do euro.

Mas se, entretanto, a Grécia sair do euro, o caso muda de figura e é necessário acelerarem a constituição das vossas reservas. Se surgirem quaisquer outras notícias que indiquem algo de mais grave, darei aqui conta disso e actualizarei estas recomendações.

Quanto custará este seguro? Pouquíssimo. Em relação ao dinheiro de reserva, o custo é deixarem de receber os juros de depósito à ordem que, ou são nulos, ou são baixíssimos. Em relação aos produtos na despensa de reserva, é dinheiro empatado, que também deixa de render juros insignificantes.

Quais são os benefícios deste seguro? Se o euro acabar em 2012, como prevejo, o dinheiro em casa não se desvaloriza, mas o dinheiro no banco perderá, no mínimo, 20% do seu valor. Para além disso terão o benefício de poder fazer pagamentos no período de transição, que se prevê extremamente caótico. A despensa também vos pode prevenir contra qualquer provável ruptura de fornecimentos, garantindo a alimentação essencial no período terrível de transição entre moedas. Parece-me que o benefício de não passar fome é algo de significativo.

E se, por um improvável acaso, a crise do euro se resolver em 2012 e chegarmos a 2013 com o euro mais seguro do que nunca? Nesse caso – altamente improvável – a resposta não podia ser mais simples: basta depositar no banco o dinheiro que têm em casa e ir gastando os produtos na despensa à medida das vossas necessidades.

Fim do euro (2) Grécia e Itália


Fim do euro (1) Contagem decrescente

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Propostas interessantes mas discutíveis (2)

Este post pretende ser uma resposta a alguns dos comentários feitos aqui, que aproveito para agradecer, às minhas observações sobre a proposta de João Ferreira do Amaral de uma saída negociada do euro, em particular a ideia de os depósitos nos bancos em Portugal preservarem o valor em euros, após a nossa saída. O argumento daquele economista é que essa condição é essencial para evitar uma fuga de depósitos durante as negociações.

Essa garantia custaria cerca de 25% do PIB português, no caso da depreciação negociada ser de apenas 20%, sendo que parece que a depreciação a negociar deveria ser superior a isso, o que colocaria o custo desta garantia em níveis ainda mais elevados.

Considero que, antes das negociações se iniciarem, Portugal deveria ter feito muito trabalho de casa, de molde a que as negociações ficassem concluídas num único fim-de-semana, pelo que nem sequer haveria o risco de fuga de depósitos, o que eliminaria a necessidade de suportar qualquer encargo com a garantia dos depósitos.

Mas imaginemos que o governo iniciava as negociações, anunciando – um absurdo – que estas deveriam estar concluídas ao fim de 30 dias. Para evitar a tal, mais do que previsível, fuga de depósitos, o governo declararia o compromisso solene de garantir o valor dos depósitos em euros.

Esta promessa, tendo em atenção o custo elevadíssimo que lhe estaria associada, teria uma credibilidade muito reduzida. Ou seja, teríamos o custo elevadíssimo de garantir os depósitos, sem o benefício de evitar uma fuga dos mesmos. É difícil imaginar uma combinação pior.

Para evitar este problema, o governo anunciaria que esta garantia seria paga pelos parceiros europeus. Mas como é que o governo pode garantir algo sobre os parceiros europeus no início das negociações? Como é óbvio, esta garantia não sossegaria ninguém, e continuaríamos a ter fuga dos depósitos.

Imaginem o cenário, em que durante um mês o governo pedia uma desvalorização de 30% e os parceiros europeus só estariam dispostos a aceitar uma de 15%, sendo esta questão – gravíssima – discutida todos os dias na praça pública. Quem é que não retiraria todos os seus depósitos de Portugal? Os mais pobres levavam-no para casa e os mais ricos para a Suíça.

Há uma outra questão, que merece ser salientada, que é que, com a saída do euro, todos os preços dos activos sofrerão uma queda brutal. Os preços do imobiliário sofrerão um crash brutal, de mais de 50%, os preços das acções cairão brutalmente (com a provável mas rara excepção das empresas exportadoras), os preços das obrigações cairão de forma drástica. Porquê este preocupação com os depósitos, cuja garantia envolveria custos tão elevados?

Há a ideia – errada – de que a garantia dos depósitos impediria a falência generalizada dos bancos portugueses. A verdade é o oposto: a garantia dos depósitos em euros é que provocaria a falência dos bancos portugueses.

Os bancos portugueses têm um elevadíssimo excesso de crédito em relação aos depósitos. Para garantir a sobrevivência dos bancos portugueses o que é necessário é garantir que esse excesso passa a ser denominado na nova moeda portuguesa. Para isto é que seria utilíssimo garantir a ajuda europeia, não para garantir os depósitos.

Resumindo, não faz sentido que se peça ajuda europeia para garantir a protecção dos depósitos, mas antes para garantir a sobrevivência do sistema bancário português.

Quanto aos depósitos, estão condenados a grandes perdas, tanto maiores quanto maior for a depreciação da nova moeda portuguesa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Não se preparem, não

Após algumas semanas, eis que a Grécia volta a recuperar a ribalta, desta feita com o porta-voz do governo a avisar que a Grécia pode sair do euro se não houver acordo com a troika.

É evidente que estas declarações devem ser lidas como uma forma de pressão sobre a troika, em especial sobre o BCE e a Comissão Europeia, no sentido de acentuar a ideia de que existe uma forte externalidade negativa no caso de falhanço das mesmas. Os parceiros europeus devem ceder mais do que o estritamente necessário, porque a saída da Grécia do euro provocará um abalo sistémico muitíssimo grave nesta moeda, com repercussões económicas mesmo para lá da UE e consequências políticas não menos graves dentro da UE.

De acordo com a Economist Intelligence Unit, a economia grega deverá cair 7,5% em 2012, depois de já ter caído 5,3% em 2011, devendo registar uma queda acumulada do PIB de uns astronómicos quase 20% desde 2007.

Pressionar mais austeridade num quadro económico destes é já profundamente contraproducente. Mas fazê-lo, quando isso coloca em risco, mais do que a Grécia, a integridade da zona do euro, é do domínio da mais pura irresponsabilidade.

Infelizmente, os líderes europeus já nos habituaram a isso e não deve ser posto de parte que eles deixem partir a corda. As declarações da Comissão Europeia, em resposta ao aviso grego, de que "não há nenhum plano para a saída de membros da zona euro em 2012 e adiante" são um susto. Alguma alma piedosa acreditará que isto é dito assim, para não alimentar especulações, e que alguma preparação está em curso, mas o que temo é que estas declarações sejam mesmo verdadeiras. Se a saída da Grécia é má, uma saída sem preparação é terrível.

Em resumo, se não for agora, pode ser daqui a três meses ou daqui a seis meses, mas a verdade é que há um risco muito elevado de a Grécia se ver obrigada a sair do euro. E se a Grécia cair, Portugal será o “senhor que se segue”.