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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Meter a viola no saco

Os dados do PIB do 3T08 obrigam o governo a meter a viola no saco. A economia já se contraiu no 3º trimestre, pelo que parece quase certo que vamos entrar em recessão técnica ainda em 2008.

Confirma-se ainda que a procura interna continua a crescer claramente acima do PIB, com este com mais dificuldade em crescer devido à contribuição negativa do sector externo. Ou seja, o nosso crescimento continua vítima da falta de competitividade, muito mais do que com problemas de debilidade da procura interna.

Logo, insistir na conversa de estimular a procura interna através do investimento público é como insistir em tomar remédios para os pulmões, quando se tem uma doença de coração.

Acrescente-se que as últimas estimativas de crescimento publicadas no Economist colocam as principais economias desenvolvidas com quedas do PIB em 2009 de praticamente 1%. Adivinhem lá o que nos espera?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Péssimas notícias

O Economist poll of forecasters de Setembro deteriorou-se fortemente face ao mês anterior. Quando parecia que se assistia a um desacelerar da deterioração de perspectivas, eis que o pessimismo acelera.

O crescimento para a zona do euro em 2008 já só deverá ser 1,3% (contra expectativa de 1,6% no mês anterior) e em 2009 as coisas deverão a piorar, com o PIB a crescer apenas 0,9% (1,2% no mês anterior).

Duas ideias a reter: 1) com o padrão de correlação nas previsões, é altamente improvável que tenhamos chegado ao fim das revisões em baixa; 2) confirma-se, mas não se agrava por enquanto, a ideia de que 2009 vai ser pior do que 2008.

Neste quadro aguarda-se com curiosidade acrescida quais as “previsões” que o governo vai escolher apresentar dentro de um mês no relatório do Orçamento. Com o irrealismo que tem caracterizado as “previsões” do governo, teme-se que insista ainda em cenários cor-de-rosa. Ou vai assumir a realidade e reduzir em fortíssima baixa as previsões que vinha apresentando até aqui? Em qualquer dos casos irá sempre pagar caro pelo erro indesculpável do “optimismo” passado.

Evidentemente que o pior de tudo vai ser explicar como é que, de repente (segundo o discurso oficial) no ano de eleições a economia ainda vai crescer menos que em 2008. Se Portugal estava a “resistir” tão bem, como explicar que nos vamos afundar para o ano? E que esperar do desemprego, uma das variáveis eleitoralmente mais relevantes? O desemprego é das variáveis mais desfasadas (entre 3 a 6 trimestre atrasada em relação ao PIB). Logo, mesmo que a recuperação chegue no 2º semestre de 2009 (uma ideia não demasiado optimista), ela chegará demasiado tarde para o actual governo, que deverá chegar às eleições horrorizado com a subida sucessiva da taxa de desemprego.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Nova deterioração das expectativas

O Economist acaba de publicar o consenso de previsões sobre as principais economias mundiais, onde é de destacar uma deterioração das perspectivas para 2008 e 2009. Para além disso é de destacar o reforço da ideia de que 2009 será pior do que 2008, em termos de crescimento económico. No gráfico abaixo, pode ver-se que no início do ano se pensava que 2009 seria melhor do que o corrente ano mas, ao longo do ano, este optimismo tem-se vindo a desvanecer.

Outra ideia que este gráfico reforça é que a deterioração das perspectivas de crescimento está quase a fazer um ano, coincidindo praticamente com o detonar da crise do subprime. Como é que o governo português pode dizer que foi apanhado de surpresa há poucos meses, quando este processo dura há tanto tempo?
Adenda
Oops... estou estúpido e não consegui importar gráfico que fiz no Excel...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Perspectivas económicas deterioram-se

O Economist desta semana publica as previsões de Abril, onde se regista um agravar da deterioração das expectativas. Pode-se dizer que em Abril a deterioração foi tão forte como nos dois meses anteriores em conjunto. O crescimento previsto nos EUA em 2008 já caiu de 1,8% previstos em Janeiro para 1,2% neste mês. As previsões têm a propriedade de estarem muito correlacionadas, pelo que é de prever que se continue neste ciclo de revisão em baixa, iniciado em Ago-07. As previsões para 2009 também começaram a ser fortemente revistas em baixa (de 2,6% para 1,7% nos EUA).

No caso da zona euro, as revisões são de menor amplitude (de 1,8% em Jan. para 1,6% agora, em 2008) mas para 2009 já não há expectativa de recuperação, com o valor previsto para o próximo ano igual ao deste ano. Repare-se que nos EUA se mantém a expectativa de uma recuperação. Em síntese, Europa cai menos, mas não recupera.

O cenário macroeconómico do governo português (o Banco de Portugal já avisou que vai rever em baixa as suas previsões) está assim em cheque, quer para 2008, quer para 2009. Ainda muito recentemente, aquando do anúncio da baixa do IVA, o governo tinha tido a oportunidade de rever as suas previsões, tendo escolhido a decisão temerária de não o fazer, o que foi aqui atempadamente criticado. Contra todos os planos do governo, a crise internacional vem pôr em causa a recuperação económica quer para 2008, quer para 2009.

Em relação às expectativas de inflação há uma ligeira revisão em alta para 2008, mas não em 2009. Por um lado pode-se pensar que o menor crescimento previsto para o próximo ano justificará esta moderação da inflação mas, por outro lado, sugere que as expectativas de inflação estão ancoradas próximo dos valores de referência (2%), pelo que não é de temer que o BCE seja forçado a subir as taxas de juro para suster subidas temporárias de preços. Boas notícias, também para o próprio BCE, a quem é evitado um dilema de política económica. Em princípio, não vai ter que ser forçado a causar dano económico de curto prazo para fortalecer expectativas de inflação de longo prazo. Em princípio, estará posto de lado a hipótese de subidas de taxa de juro pelo BCE.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Previsões económicas

A recolha de previsões económicas no Economist de 9 de Fevereiro está longe de ser um desastre. Para os EUA a previsão de crescimento em 2008 desceu duas décimas para 1,6% e a de 2009 desceu uma décima para 2,5%. A pior previsão deste conjunto continua a prever 0,8% para o corrente ano, ou seja, pode ser que o princípio seja mau, mas o conjunto do ano não se afigura como um desastre.

Para a zona do euro a previsão para este ano mantém-se nos 1,8% e só a do próximo ano desce uma décima para 1,9%. Ou seja, os impactos da desaceleração dos EUA na Europa prevêem-se muto limitados.

Dado que a desaceleração que se prevê ser limitada quer no tempo, quer em extensão, torna-se mais difícil de perceber a forte queda nas bolsas. Só resta uma explicação: a crise do subprime fez subir de forma sustentada o preço do risco. Havia anteriormente uma percepção desfasada do risco e daí do seu próprio preço. Agora, com o custo do subprime em reavaliação sucessiva (já se falam em perdas globais de 400 biliões de dólares), há um aumento do preço do risco, com impacto directo sobre as acções.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Fed aflito

Após o corte surpresa do Fed, há pouco mais de uma semana, eis que temos novo corte significativo de 0,5% nos juros para os 3%. Os mercados accionistas não ficaram impressionados e fecharam em queda. A mensagem do Fed é dupla: a) as coisas estão piores do que imaginámos; e b) vamos ajudar a economia a evitar a recessão com juros mais baixos. De novo, a mensagem b) recebeu mais peso dos mercados.

Para ler o comunicado do Fed:

É curioso que a última recolha (Jan-08) de previsões do Economist previa que a economia americana crescesse 1.8% no conjunto do ano de 2008 e mesmo o mais pessimista previa ainda um crescimento positivo de 0,8%. Aguardamos com interesse as novas previsões, ainda que seja improvável que as que se espera que sejam publicadas esta semana já incluam a totalidade da recente queda dos juros. É porque estas previsões, se não excluem a hipótese de dois trimestres consecutivos de queda do PIB (definição técnica de recessão), prevêem ainda uma crise breve. O próprio governador do Fed já tinha referido que os riscos se concentram sobretudo no 1º semestre do ano. Esperemos que assim seja.