Escreveu Miguel Pina e Cunha no Jornal de Negócios: 40, 2 Mai 08: “A tendência para assumirmos os nossos sucessos e para procurarmos no exterior as causas dos nossos fracassos é uma tendência humana. Mas em Portugal ela ultrapassa com frequência o razoável. E, pior do que isso, acaba por se tornar um obstáculo à auto-crítica, um ingrediente necessário para a melhoria e a aprendizagem.”
“As pessoas podem ser distinguidas com base no grau em que acreditam que os acontecimentos que vivenciam são ou não por elas controláveis. Há pessoas que consideram que aquilo que lhes acontece é fortemente marcado por acontecimentos que lhes são exteriores e que escapam ao seu controlo.”
Estas sábias palavras vieram-me à cabeça quando li hoje no Diário de Notícias, p. 20: “Lisboa ainda é ‘o centro de conspirações contra Angola’”. “Conspirações”? Que ideia tão estranha. Mas, infelizmente, parece que uma das heranças que Portugal deixou em Angola foi a irresponsabilidade.
Mas o que é curioso é que também encaixam perfeitamente em Santana e Menezes. Santana ainda hoje está firmemente convencido que Sampaio cometeu uma grave injustiça ao enxotá-lo, não tendo ainda percebido que Santana que é lhe deu todos os motivos para esse gesto.
Também Menezes se sente profundamente injustiçado pelos “críticos”, que o forçaram a demitir-se, porque já não aguentava mais, não tendo até hoje percebido que foram as suas afirmações levianas, contraditórias e etc., que geraram essas mesmas críticas.
E em quem mais encaixam aquelas palavras?
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terça-feira, 13 de maio de 2008
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Bob Geldof e Angola
As acusações de Bob Geldof aos dirigentes angolanos, cuja justeza milimétrica não discuto, trouxeram uma saudável discussão dentro de Angola. Veja-se o seguinte site angolano:
http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=19401
Sem ter lido todos os mais de 250 comentários, detectei três tipos de comentários:
a) os críticos dos dirigentes
b) os que apoiam o status quo
c) os que vêm nas críticas de Geldof uma crítica ao país e aos seus cidadãos
Os primeiros dois casos são banais, mas o terceiro merece mais atenção, até porque me parece que se deu em outros casos como a China.
Será que o verdadeiro objectivo de muitos activistas ocidentais é uma dádiva altruísta para bem dos povos sob ditaduras corruptas, ou uma expressão egoísta da sua boa consciência, traduzida em palavras inconsequentes ou mesmo contra-producentes?
Penso que Geldof procurou um “grande efeito”, mas não teve o cuidado de formular as suas críticas no sentido de elas não serem sentidas como uma agressão ao povo angolano.
Penso que os angolanos ficarão eternamente agradecidos a quem os ajudar a livrar-se da sua elite corrupta, mas para que essa "ajuda" seja mesmo uma ajuda, convirá que não produza este efeito de colocar os críticos do regime do lado desse mesmo regime, por se sentiram insultados como povo.
http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=19401
Sem ter lido todos os mais de 250 comentários, detectei três tipos de comentários:
a) os críticos dos dirigentes
b) os que apoiam o status quo
c) os que vêm nas críticas de Geldof uma crítica ao país e aos seus cidadãos
Os primeiros dois casos são banais, mas o terceiro merece mais atenção, até porque me parece que se deu em outros casos como a China.
Será que o verdadeiro objectivo de muitos activistas ocidentais é uma dádiva altruísta para bem dos povos sob ditaduras corruptas, ou uma expressão egoísta da sua boa consciência, traduzida em palavras inconsequentes ou mesmo contra-producentes?
Penso que Geldof procurou um “grande efeito”, mas não teve o cuidado de formular as suas críticas no sentido de elas não serem sentidas como uma agressão ao povo angolano.
Penso que os angolanos ficarão eternamente agradecidos a quem os ajudar a livrar-se da sua elite corrupta, mas para que essa "ajuda" seja mesmo uma ajuda, convirá que não produza este efeito de colocar os críticos do regime do lado desse mesmo regime, por se sentiram insultados como povo.
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