Guterres foi um mau PM, mas foi bom eleitoralmente. Foi mau porque espatifou as contas públicas e a competitividade, para além de ter reforçado a tendência portuguesa para o laxismo e a falta de rigor. Já dizia o Eça, por interposto Afonso da Maia: “O português nunca pode ser homem de ideias, por causa da paixão da forma. A sua mania é fazer belas frases, ver-lhes o brilho, sentir-lhes a música. Se for necessário falsear a ideia, deixá-la incompleta, exagerá-la, para a frase ganhar em beleza, o desgraçado não hesita... Vá-se pela água abaixo o pensamento, mas salve-se a bela frase.” Dá ideia que os portugueses são mais facilmente levados por demagogos…
Santana Lopes não só foi um mau PM (será necessário alguma fundamentação desta ideia?), como foi mau eleitoralmente: deu ao PSD uma das mais humilhantes derrotas da 3ª República (não caiam no ridículo de se orgulharem de não ter sido “a” pior), e ofereceu de bandeja a primeira maioria absoluta do PS. Acham que é pouco?
Ora Menezes vem-se revelando ainda pior que Santana. Em termos de qualidade, Menezes desceu tão baixo que a maioria dos analistas políticos já não o critica, apenas o ridiculariza. O que não admira, dada a profusão e incoerência de comentários avulsos em que Menezes se especializou. Em termos de potencial eleitoral, as sondagens não podiam ser piores, e não é só esta:
“Menezes obtém o pior resultado desde que é líder”
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=FF99A51B-62C6-45DB-81AB-6383A68988BD&channelid=00000090-0000-0000-0000-000000000090
Enquanto o PS desce, o PSD também. Pior é impossível!
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sexta-feira, 11 de abril de 2008
Acabou mesmo o prazo de Menezes
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Regicídio
Anda para aí uma conversa esquisita sobre militares não poderem estar numa cerimónia privada, que assinala o centenário do regicídio. Há instituições que ficam para lá dos regimes. E um chefe de Estado é um chefe de Estado. Que país é este que acha normal que oficialmente haja silêncio (vai haver mesmo?) no centenário do assassinato do seu chefe de Estado?
Mesmo para um republicano que defenda a 3ª República, não é absolutamente nada líquido que todo e qualquer regime republicano seja de aplaudir, por oposição a um regime monárquico (e há-os de vários tipos). Para mim a linha divisória não está, de maneira nenhuma, entre monarquia e república, mas sim entre liberdade e não liberdade. Por isso, ponho dum lado, a monarquia liberal (com percalços pelo meio, como é evidente) e a 3ª República e, do outro, a 1ª e a 2ª República.
Não percebo a comemoração do 5 de Outubro. Como muito bem anteviu o Eça (que morreu em 1900…), certeiro em muitas previsões: “com estes republicanos, a República será uma balbúrdia sanguinolenta”.
Aliás, nem sequer defendo a 3ª República. Preferia uma 4ª República, com uma Constituição decente, sem a vergonhosa carga ideológica que esta tem. E sem a jurisprudência para-constitucional que temos, parte da qual feita antes das últimas revisões constitucionais (e já vamos em sete!). Desconfio mesmo que alguma dessa jurisprudência é inconsitucional face à actual versão da Constituição.
Mesmo para um republicano que defenda a 3ª República, não é absolutamente nada líquido que todo e qualquer regime republicano seja de aplaudir, por oposição a um regime monárquico (e há-os de vários tipos). Para mim a linha divisória não está, de maneira nenhuma, entre monarquia e república, mas sim entre liberdade e não liberdade. Por isso, ponho dum lado, a monarquia liberal (com percalços pelo meio, como é evidente) e a 3ª República e, do outro, a 1ª e a 2ª República.
Não percebo a comemoração do 5 de Outubro. Como muito bem anteviu o Eça (que morreu em 1900…), certeiro em muitas previsões: “com estes republicanos, a República será uma balbúrdia sanguinolenta”.
Aliás, nem sequer defendo a 3ª República. Preferia uma 4ª República, com uma Constituição decente, sem a vergonhosa carga ideológica que esta tem. E sem a jurisprudência para-constitucional que temos, parte da qual feita antes das últimas revisões constitucionais (e já vamos em sete!). Desconfio mesmo que alguma dessa jurisprudência é inconsitucional face à actual versão da Constituição.
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