Mostrar mensagens com a etiqueta INE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta INE. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mistério

O INE publicou hoje mais um relatório do “Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação”, um documento que já teve uma periodicidade trimestral e passou recentemente a uma periodicidade mensal.

Não se contesta esta opção, mas alguém percebe porque é que as estatísticas do desemprego ainda não mereceram idêntica “promoção”? Faz algum sentido Portugal ser dos poucos países da UE que não publica dados mensais sobre o desemprego?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Economia menos má não ajuda orçamento

As novas encomendas na indústria (um indicador avançado) estavam menos más em Novembro, segundo o INE.




No entanto, nada disto deve ser suficiente para qualquer robustez económica em 2010 que permita uma visão tranquila sobre as contas públicas. As agências de rating já voltaram a avisar que estão com grande expectativas sobre o orçamento de 2010. Grandes expectativas, não no sentido de estar muito esperançosas. É evidente que se estão a preparar para fazer mais sangue.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Confiança em queda

Ao contrário do que se passa na UE (falta o valor de Dezembro), a confiança dos consumidores em Portugal está em queda e em queda acentuada (os valores em média móvel ainda não espelham este efeito). Porquê? Estas tentativas de explicação são sempre um pouco debatíveis, mas parece que as razões deverão encontrar-se mais na política do que na economia.

Do lado da economia, as perspectivas têm vindo a melhorar, esperando-se de uma recuperação, embora tímida e incapaz de suster a subida do desemprego. Do lado político, temos o governo e a oposição a portarem-se como se ainda estivessem em campanha eleitoral. Ou, melhor dizendo, já em nova campanha eleitoral, a prepararem-se para eleições antecipadas que, ainda por cima, nenhum dos partidos deseja. A mensagem que passa para os eleitores é a de um país paralisado, sem um governo capaz e sem uma alternativa capaz.

Usando as palavras de Miguel Gaspar, ao governo não cabe apenas a missão de tentar governar, cabe a missão de conseguir governar. O governo é, em última análise, responsável por encontrar as soluções governativas para os problemas do país, que não são poucos. Uma coisa é certa: os portugueses não estão a gostar nada do que se está a passar.

O governo pode tentar refugiar-se no papel de vítima mas, pergunto eu, para que serve votar num governo que é vitima das circunstâncias externas e não é capaz de as influenciar?

sábado, 24 de outubro de 2009

Desemprego massajado

O IEFP acaba de revelar novo record de desempregados, 510 mil em Setembro, com uma clara subida face ao mês anterior e, mais grave do que isso, uma possível aceleração do seu crescimento. A taxa de crescimento homólogo do número de desempregados subiu de 28,7% para 29,1%, embora em Julho já tivesse tocado nos 30,1%. Ou seja, não é claro que o desemprego esteja a acelerar, mas é francamente possível.

Convém também referir que, historicamente, os valores do IEFP eram sempre muito superiores aos do INE, sendo mesmo comum diferenças superiores a 100 mil desempregados. A diferença em Dez-04 era de quase 80 mil. Desde que o governo de Sócrates se iniciou que esta diferença se estreitou fortemente, tendo passado a ser negativa a partir do 4º trimestre de 2006. Já havia muitas suspeitas e muita falta de explicação e transparência sobre as “limpezas” de ficheiros, mas a comparação entre os dados públicos lança uma fortíssima suspeita sobre o IEFP. Esta questão é tão evidente que quase de certeza já deve ter sido levantada por sindicatos, embora não me lembre, nem tenha registo de quando.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A importância dos salários

Um dos argumentos acenados, sobretudo pelo PC, é que os salários representam uma parcela tão pequena dos custos totais, que não é a subida dos salários que coloca problemas de competitividade às empresas.

Ontem o INE publicou as “Contas Nacionais Trimestrais por Sector Institucional” do 2º trimestre. Aí se pode ver que as remunerações dos empregados representam em média (desde o início da série) 64,4% do Valor Acrescentado Bruto (VAB). Tendo em atenção que o próprio VAB sobrestima o valor da produção (o que conta realmente é o Valor Acrescentado Líquido), conclui-se que as remunerações representam bem mais de dois terços da produção. Como é possível continuar o discurso de que é uma coisinha pouca?

http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=56472684&DESTAQUESmodo=2

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Muitos parabéns a Alexandre Soares dos Santos

Alexandre Soares dos Santos, “dono” da Jerónimo Martins, resolveu criar a Fundação Francisco Manuel dos Santos, em nome do seu avô materno, que viveu entre 1876 e 1953.

Esta fundação tem um objectivo diferente do comum, o que já seria de saudar, mas é ainda mais de saudar o seu objectivo concreto: “realizar com total independência estudos que permitam conhecer melhor a sociedade, disponibilizá-los e colocá-los à discussão” (Público de hoje, P2, p. 5). Também excelente é a escolha do seu primeiro presidente: o sociólogo António Barreto, uma voz inconformada com a mediocridade nacional.

Um dos primeiros projectos será reunir uma base online de estatísticas sobre o país. Espera-se que este projecto em si coloque pressão sobre o INE para racionalizar a sua prestação de informação. É estranhíssima a dificuldade em conseguir séries cronológicas no site do INE. Quase parece que o INE não percebe a importância em lidar com os utilizadores profissionais de estatísticas. Quando digo “profissionais” não falo dos que, na sua profissão, usam estatísticas de forma amadora. Falo dos que as usam de forma mesmo profissional.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Inflação em mínimos de 4 décadas

A inflação homóloga “afundou” de 2,3% em Outubro para 1,4% em Novembro, sobretudo devido à queda do preço dos combustíveis. Este valor da taxa homóloga é o menor da série disponibilizada pelo Banco de Portugal desde 1977. Um nível tão baixo de inflação só deve ter igual em meados dos anos 60.

É prematuro dizer que esta desaceleração é sinal da recessão em que devemos ter entrado no 3º trimestre deste ano, mas tudo indica que os preços deverão continuar a desacelerar.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Economia está a “resistir”?

Mais cedo do que se esperava o governo teve que engolir a conversa de que a economia estava a resistir. Afinal, em vez de ter estabilizado nuns fracos 0,9% (em termos homólogos) no 2º trimestre, o PIB continuou a desacelerar para 0,7%. A probabilidade de crescer sequer 1% no conjunto do ano é cada vez mais reduzida.

Há uma ligeira boa notícia no facto de a contribuição da procura externa líquida ter sido menos negativa (de -1,5p.p. para -0,9p.p.), embora aqui o alívio foi o ter-se passado de uma situação péssima para uma situação má. É uma melhoria, mas não se justifica abrir uma garrafa de champanhe (importado…). Se o governo tivesse apostado num programa agressivo de recuperação de competitividade, mesmo num contexto de desaceleração económica global, Portugal poderia estar a receber um contributo positivo deste lado. Assim, estamos neste apeadeiro.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Imobiliário em queda

O INE acaba de publicar os dados de avaliação bancária de imóveis do 2º trimestre de 2008. É evidente que haverá certamente um efeito de contaminação da crise do subprime nestas avaliações, mas os resultados têm interesse.

Em termos homólogos a avaliação caiu em 4,6%, muito próximo da queda desde o máximo. Mas em termos regionais o Alentejo e o Centro já apresentam quedas de mais de 12% desde o máximo, alcançado no início de 2006.

Talvez o aspecto mais curioso dos dados é que são as habitações mais caras (o top 25%) a cair mais (-5,6%), embora no conjunto do país a diferença seja pequena (no quartil mais baixo a queda é de 3,9%). Em termos regionais, as diferenças são muito mais vincadas. Por exemplo, no Alentejo, a avaliação das casas mais caras caiu 14,6%, enquanto a das mais baratas apenas caiu 4,2%. Se compararmos com os máximos, a queda das casas mais caras já é de 20%. Se usarmos a ideia do mercado accionista de que uma queda de 20% face ao máximo já representa um bear market, então no Alentejo e Centro o mercado imobiliário de topo já entrou nessa fase.

Isto vai um pouco contra as ideias generalizadas de que as casas mais caras estão sempre vendidas; e que há imensas casas baratas em subúrbios pouco valorizadas que não se conseguem vender e que poderiam sofrer fortes quedas de preços.

Mas talvez este perfil seja o mais saudável. Para as classes mais pobres, as perdas potenciais são mais pequenas, enquanto nos imóveis mais caros a “bolha especulativa” está a rebentar. Embora, como é costume no caso do imobiliário, o processo de ajustamento seja lento.

http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=10931576&DESTAQUESmodo=2

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Só más notícias

Crescimento do PIB de 2007 revisto em baixa (de 1,9% para 1,8%) e queda no 1T08 (-0,2% no trimestre), levando a taxa homóloga para uns horrendos 0,9%. Bem dizia Sócrates que era uma “leviandade” prometer baixar impostos antes de se saber como andava a economia no início de 2008.

Bem sei que esta é a estimativa rápida mas “Nos testes efectuados desde o 2º trimestre de 2005, o erro absoluto médio da estimativa rápida foi de 0,1 pontos percentuais no que diz respeito às taxas de variação homóloga e em cadeia, quando comparadas com a estimativa corrente.” Portanto, nada de vir com conversas parvas do género “Ah, mas isto ainda é provisório” e não sei quê …

Toca a rever em baixo as previsões para 2008!

Adenda
Afinal parece que governo já reviu em baixa previsões para 2008, de 2,2% para 1,5%. Só acrescento dois comentários. O valor do 1T08 é pior do que a previsão mais pessimista até ao momento (1,3%) que era a do FMI. Os resultados de execução fiscal do 1T08 vieram muito pior do que o esperado. Ou seja, parece que a execução fiscal não sofreu um percalço no início do ano. Parece é que a execução fiscal está a reflectir o forte abrandamento da actividade. Logo, cheira-me que o governo também vai ter que rever em alta o défice de 2008… Aliás, tendo revisto o crescimento, vai já ter que rever o défice. O problema maior, parece-me, é que me cheira que esta é apenas uma das várias revisões em baixa a que o governo vai ser forçado.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Propaganda oca

Segundo os dados publicados hoje pelo INE, a confiança dos consumidores continuou a cair e está cada vez mais próxima dos mínimos de 2003.

http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=10865338&DESTAQUESmodo=2

“As expectativas sobre a evolução da situação financeira do agregado familiar atingiram em Março um novo mínimo histórico para a série iniciada em Junho de 1986.”

“As opiniões sobre a situação económica do país mantiveram a trajectória descendente iniciada em Março de 2007, registando o mínimo desde Agosto de 2003.”

O problema com estes dados deve ser que ainda não incorporam a descida do IVA, parte substancial da qual vai passar despercebida aos consumidores. Pois, sim.

Como se vê, a propaganda do governo está a ter resultados manifestamente insuficientes. Nunca, desde a adesão à UE, as famílias estiveram tão pessimistas sobre o futuro. Aquele optimismo irrealista da entrevista recente do Sócrates não convenceu ninguém.

E o PSD, o que anda a fazer? A aumentar o desespero das famílias, que não só se sentem mal, como não vêm um mínimo de alternativa credível.