sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
“Não pagamos”?
Depois ainda tivemos que ouvir mais esta pérola: “Pedro Nuno Santos lamentou hoje que Portugal não tenha um líder que ponha os interesses de Portugal em primeiro lugar, sublinhando que optará sempre pelo interesse dos portugueses em detrimento dos credores.”
Será que somos autorizados a depreender que um líder como Sócrates, que agravou brutalmente a dívida portuguesa e negociou um acordo duríssimo com a troika, defendeu os interesses de Portugal? A sério?
Pedro Nuno Santos “optará sempre pelo interesse dos portugueses em detrimento dos credores”. Ah, sim? De que modo? Fazendo gastos disparatados financiados com dívidas loucas, que depois “não pagamos!”?
Freitas do Amaral vem-se queixar de um complot europeu: "Alemanha e França querem expulsar-nos do euro". No entanto, se reparar bem não são esses países que nos querem expulsar do euro, são os seus colegas socialistas, pelo que fizeram no passado e pelo que gostariam de concretizar actualmente, que estão a fazer tudo mais um par de botas para sermos expulsos do euro.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Candidato presidencial?
Várias pessoas parecem convencidas de que Sócrates vai iniciar a sua preparação para candidato presidencial do PS em 2016. Façamos uma comparação com Guterres, para perceber como isso não faz um pingo de sentido.
Neste momento muitos já esqueceram, mas quando Guterres abandonou o governo a economia tinha crescido de forma significativa e a taxa de desemprego estava em 4%, o valor mais baixo desde o 25 de Abril. Para além disso, o PM conservou uma imagem de simpatia durante o seu consulado, embora a sua estrela viesse a empalidecer ao longo do tempo, à medida que se ia descobrindo a pesadíssima factura que deixou para os governos futuros, em particular nas SCUTs. Hoje é claríssimo que Guterres presidiu a uma governo que deu uma machadada fatal na nossa competitividade e no nosso potencial de crescimento, fontes importantíssimas dos nossos apuros actuais. Por tudo isto, Guterres nunca se atreveu a concorrer à presidência da República.
Sócrates acaba as suas funções de PM com o desemprego a bater recordes, com uma dívida pública e externa sem precedentes, com o país reduzido à condição de protectorado e inspirando uma profunda antipatia na generalidade da população. Mas como olhará o país para a herança de Sócrates em 2015, quando for altura de escolher os candidatos presidenciais? Nessa altura já Portugal terá reestruturado a dívida pública, se não estiver mesmo fora da zona do euro, o que deverá produzir uma dramática quebra de rendimentos.
Podemos sintetizar que Guterres conseguiu bons resultados económicos enquanto PM, mas à custa de destruir drasticamente o nosso futuro. Sócrates só devastou o nosso futuro, sem conseguir nada de significativo durante os seus mandatos. Acham mesmo que este terá a mínima hipótese como candidato presidencial? Se a sua falta de noção da realidade lhe apontar esse caminho, talvez isso seja o único meio de ressurreição possível de Guterres como candidato presidencial.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Dúvidas
Os negociadores europeus do (erradamente designado) PEC IV não sabiam que o governo português era minoritário? Não consideraram necessário que as negociações do lado português envolvessem outro(s) partido(s), quanto mais não seja na fase final, para assegurar que o compromisso final se pudesse concretizar? O governo português afiançou aos negociadores europeus que essa parte estava a ser tratada e essa foi a razão porque estes aceitaram o compromisso do governo como bom?
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Um mistério
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Para enganar quem?
Apesar de a Telefónica ter sido proibida – e bem – de votar sobre a venda da Vivo, a maioria dos restantes accionistas votou a favor da venda (74%). No entanto, o Estado usou a sua golden-share e proibiu a venda.
No início de Julho deverá ser conhecida a posição da Comissão Europeia sobre esta golden share, havendo uma probabilidade de 99% de ser considerada ilegal. Ou seja, dentro de quinze dias a Telefónica lança uma nova proposta e o negócio faz-se. Como é evidente, este compasso de espera – com todo o desperdício de tempo e recursos que envolve – destina-se meramente a salvar a cara do governo, que depois se poderá queixar que fez tudo ao seu alcance para evitar a venda. Mas estes teatros destinam-se a enganar quem?
domingo, 30 de maio de 2010
Uma mentirazinha
Há para aí muita gente abespinhada porque afinal Chico Buarque não pediu para conhecer Sócrates, mas foi o inverso o que se passou. Ou os assessores do PM andam cada vez mais distraídos ou isto não passa de uma mentirazinha a que Sócrates tem direito.
Sócrates anda há cinco anos a falar verdade, sempre tem agora direito a dizer a sua mentirazinha. É duma grande má-vontade caírem em cima de alguém com um passado tão impoluto só por causa duma coisinha.
domingo, 23 de maio de 2010
Começa mal
O futuro governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, declarou: "Nós atravessamos em termos internacionais uma fase de alguma desconfiança. Por força não da nossa situação, mas da situação de outros". Eu admitiria que se falasse num exagero de desconfiança e, mesmo assim, só pela carga simbólica das palavras de um responsável. Mas negar a existência de razões objectivas para essa desconfiança parece-me muito mau. Se vamos ter um governador em estado de negação a juntar a um PM também em negação, estamos fritos.
O elogio a Teixeira dos Santos (“estamos bem entregues”), de quem é amigo e que foi quem o convidou para o cargo parece-me também muito descabido. Um dos mais graves problemas de Constâncio foi a perda de independência do Banco de Portugal, cuja agenda e declarações passaram a estar sujeitas aos interesses do governo. Um novo governador que não percebe que o Banco precisa de se distanciar claramente do governo, começa mal.
Pode ter ouvido elogios à actuação do ministro das Finanças algures, mas não podemos esquecer duas coisas (para além das objecções já referidas): Teixeira do Santos conseguiu a notável proeza de ser “eleito” o pior ministro das Finanças da UE. O ministro tem também um inimigo implacável, que tudo fará para o impedir de fazer um bom trabalho: Sócrates.
sábado, 22 de maio de 2010
Estão loucos
As sondagens de hoje do Expresso são elucidativas sobre o divórcio entre o governo e o país. 79% dos inquiridos acha que o TGV deve ser adiado. Praticamente quatro quintos do país percebe o óbvio que o governo se recusa a interiorizar. Apenas 14,5% acham que deve continuar. Ou seja, parece que menos de metade do equivalente ao eleitorado do PS está de acordo com o governo.
Um governo que toma uma decisão duramente criticada pelos nossos melhores e esmagadoramente repudiada pelo eleitorado não está louco?
Mas parece que não estamos sós:
“TGV: Portugal, Espanha e França vão pedir à UE prioridade máxima”
Se a Alemanha não puser um travão nesta loucura colectiva, se a Alemanha não tomar consciência do bando de irresponsáveis que a acompanham no euro, vamos esbarrar muito proximamente “numa parede junto de si”.
Se na segunda-feira os investidores tiverem um ataque de pânico perante a pura incompetência destes governos, não se esqueçam de repetir a fábula dos “especuladores”.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
António José Seguro
Só agora li a entrevista do Expresso a António José Seguro publicada no último sábado e gostei claramente. Está consciente dos problemas do afastamento da classe política da realidade, percebe que em Portugal “nos pusemos a jeito” para sofrer com a crise internacional: “O nosso crescimento económico é muito baixo e consumimos acima das nossas possibilidades.”
António Costa poderá ser mais inteligente e ter mais experiência, mas está completamente dentro do sistema (a sua prestação na Quadratura do Círculo é tão constrangedora que muitas vezes desligo a TV), não mostrando ter um décimo da liberdade de pensamento de António José Seguro. Este tem muitíssimo mais facilidade de dialogar do que Sócrates, uma qualidade importantíssima na actual crise.
As últimas palavras de Passos Coelho não se percebem (dizer que lança moção de censura se se concluir que Sócrates mentiu à AR), mas talvez tenhamos mais cedo do que o esperado uma contenda entre Passos Coelho e António José Seguro para o cargo de PM.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Portugal, protectorado
O meu artigo deste mês no Jornal de Negócios sobre os ganhos e perdas de passarmos da condição de país independente com um (muito) mau governo a um protectorado.
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=426317
domingo, 9 de maio de 2010
Cenas dos próximos capítulos
Na segunda-feira os mercados devem rir-se da promessa do governo de baixar o défice mais 1pp do PIB, depois de se ter comprometido com o louco contrato para o TGV no meio da fúria dos mercados. A prova de irresponsabilidade que o governo deu deve ser a machadada final na sua credibilidade e convencer finalmente os mercados que ninguém deve confiar neste governo.
As taxas de juro a dois anos (OTs) facilmente subirão acima dos 10%, reforçando a distância face à dos dez anos, apoiando-se na convicção de que o risco de bancarrota é de curto prazo.
Os bancos portugueses deverão ver-se excluídos do mercado monetário do euro, embora o facto de se terem constituído reservas de títulos descontáveis no BCE os deverá livrar de problemas de liquidez no curto prazo.
O governo que negou todo o tempo a gravidade da situação vai agora ter uma enorme dificuldade em convencer a população da inevitabilidade dos sacrifícios que aí vêm. É natural que a reacção de rua seja forte, embora não com os extremos de violência registados na Grécia.
Tenho dúvidas sobre a reacção dos líderes europeus, sobretudo se se sentirem gozados com o facto de Sócrates ter assinado o contrato do TGV à beira da catástrofe. É bem possível que esse facto impeça “a” Europa de accionar rapidamente o pacote que deve ser completado este fim-de-semana.
A bancarrota aproxima-se.
sábado, 8 de maio de 2010
Só agora
Parece que o PM terá sido mesmo confrontado com a ameaça de demissão de Teixeira dos Santos e que cedeu finalmente à necessidade de reavaliar os projectos faraónicos.
Também percebeu a necessidade de, pelo menos, traçar uma meta mais exigente para o défice deste ano (de 8,3% para 7,3% do PIB), embora a revisão do PEC não esteja sequer prometida.
Porque perdemos tanto tempo e dinheiro, não tendo sequer suspendido a assinatura da concessão do TGV?
terça-feira, 4 de maio de 2010
Estranho jornalismo
O Público de hoje, p. 4, tem um estranho artigo: “Governo não gostou de ouvir Cavaco sobre obras públicas”, assinado por Nuno Simas.
“O primeiro-ministro, sabe o PÚBLICO, não gostou de ouvir o Presidente dizer, alto e bom som, ser favorável a uma reavaliação das grandes obras”. Ainda bem que o Público tem acesso às opiniões do PM, que este entende “soprar” cá para fora.
A primeira coisa que não percebo é na mesma notícia dizer-se que o próprio ministro das finanças está de acordo com o PR e valorizar-se mais a opinião de um PM que nem de engenharia sabe do que a opinião do ministro especialista no assunto. Convém esclarecer que dum lado temos o PM que não percebe nada de finanças públicas e do outro temos o actual e anteriores ministros das finanças e o PR, professor de economia, que se percebeu recentemente que ganhou o chamado “choque de titãs” com Constâncio sobre as contas externas. No meio disto, qual é a dificuldade em perceber de que lado está a razão?
Em segundo lugar, em termos hierárquicos quem tem direito a não gostar do que o outro pensa ou faz é o PR. É o PR que tem o poder de demitir o PM, se considerar que este está a ter um comportamento altamente nocivo para o país, como considero que é o que se passa actualmente. O PM parece o comandante de um navio em que o imediato avisa que há um iceberg em frente do navio, todos os oficiais superiores corroboram a informação e recomendam a mudança de rota e o comandante diz que não, que continuamos em frente e com os motores a toda a força.
Ou seja, manda a razão e a força que se secundarize a opinião do PM à opinião do PR, mas para este jornalista e os seus superiores hierárquicos nada disso interessa.
sábado, 1 de maio de 2010
Demissão de Teixeira dos Santos
Não sei se isto é um recado público:
O primeiro-ministro foi surpreendido na terça-feira com o teor do comunicado de Teixeira dos Santos no qual pedia, de forma explícita, o apoio do PSD para enfrentar a voragem dos mercados financeiros. O Diário Económico sabe que o primeiro-ministro depois de surpreendido ficou desagradado.
Sócrates não está em condições de continuar a ser PM de Portugal. Teixeira dos Santos devia ameaçar demitir-se se as grandes obras públicas não forem adiadas sine die. Se mesmo assim Sócrates não perceber e não ceder, Teixeira dos Santos deve demitir-se, mesmo que isso provoque um rombo no curto prazo na cotação da dívida pública portuguesa. Talvez esse seja o preço a pagar para o PM acorde para a gravidade da situação.
Sócrates iria enfrentar inúmeras recusas ao convite para ser seu ministro das Finanças, com todos a dizerem que recusavam, mas que se aceitassem colocariam como condição a suspensão imediata de todas as grandes obras públicas. Sócrates ficaria na mesma posição de Guterres a tentar substituir Pina Moura, acabando por conseguir in extremis um ministro dentro da nomenclatura do PS, com vaguíssimas credenciais nas Finanças.
Há evidentemente o risco de um ministro-capacho acelerar o desastre financeiro, que cada vez considero mais inevitável, se Sócrates mesmo assim não perceber nada.
terça-feira, 16 de março de 2010
E viva o acessório!
Parece que Mário Soares criticou a falta de debate interno no PS. É preciso debater as condições éticas de Sócrates permanecer como PM? Debater o PEC? Debater a falta de perspectivas de convergência com a UE? Nada disso. O que é preciso é debater as presidenciais.
Infelizmente, se calhar era isso mesmo que Mário Soares queria, motivado não por qualquer preocupação com o país, mas movido por uma vingançazinha pessoal contra Manuel Alegre.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Anedotário político
Segundo a capa do Público de hoje, Sócrates afirmou: “O país precisa da voz do PS para lutar pela decência na vida política e pela elevação do Estado de direito”
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Onde está a consciência moral do PS?
Num cocktail com todos os ingredientes de crise, eis que dirigentes do PS querem trazer o PR para o centro do furacão. Isto parece uma birra do tipo “se nós cairmos, o PR cai connosco”.
Eu quero acreditar que no PS ainda não está tudo de cabeça perdida e ainda há quem possa ser a consciência moral do partido e que perceba que estamos a descer demasiado baixo em todos os sentidos. A capacidade de regeneração de um partido é um dos seus mais importantes sinais de vitalidade e credibilidade.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Demissão de Sócrates
Alguma gente no PS parece estar muito equivocada. Capoulas Santos incita a oposição a apresentar uma moção de censura. Se uma moção destas for aprovada e levar à queda do governo isso não conduzirá a eleições antecipadas, até porque neste momento não podem ser convocadas. Teríamos um outro governo do PS. O país agradeceria (e muita gente no PS também) que Sócrates saísse do governo e que passássemos a ter um PM mais decente, em vários aspectos.
Mas se o PS quiser fazer braço de ferro e não quiser apresentar um PM socialista alternativo a Sócrates, então será o PS a ser o único responsável pela convocação de eleições antecipadas e pagará o preço político por isso.
A oposição, depois de ver o seu poder de deitar abaixo um primeiro-ministro do PS, talvez não se queira ficar por aí e, pelo menos, ameaçará o próximo PM de ter um fim parecido com o de Sócrates.
É evidente que a este cenário político temos que somar o cenário económico. É legítimo esperar que o PEC a apresentar proximamente seja mais uma decepção, quer no lirismo do cenário macroeconómico, quer pela ausência de medidas concretas de consolidação orçamental. Os mercados não perdoarão e farão de novo pressão sobre o cenário político. Teme-se o pior, até pela falta de racionalidade que se tem visto por todos os lados.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Nada corre bem
Depois de dois trimestres a crescer 0,6%, eis que no 4º trimestre a economia portuguesa estagna (0% em termos trimestrais). É certo que na zona do euro o sentido da evolução é semelhante, embora a desaceleração seja muito mais suave (de 0,4% para 0,1%).
Os adeptos do copo meio cheio podem dar-se felizes pelo facto de em termos homólogos estarmos melhor que a Europa, mas temo que estes dados sejam o prenúncio do que se espera: tal como Portugal não sofreu tanto com a crise como a Europa, também não vai beneficiar tanto como esta da recuperação. O nosso grave problema de falta de competitividade será o travão que impedirá este efeito.
Mas nós temos dois outros problemas domésticos que ameaçam a recuperação. Por um lado, desde finais do ano passado que a confiança de consumidores e empresários interrompeu a trajectória de recuperação e deverá constituir um obstáculo. Poder-se-á discutir a razão desta evolução da confiança, mas julgo que ela resulta da grande confusão política, inicialmente devido a uma dramatização encenada pelo governo e agora devido a problemas bem reais de credibilidade do PM.
Por outro lado, a muito recente e forte subida dos spreads ainda não começou a surtir os seus efeitos, mas não tarda que eles se manifestem. Os bancos vão ver a sua rentabilidade ameaçada e serão forçados, quer a subir as taxas de juro às empresas, quer a apertar as condições de concessão de empréstimo às empresas.
