terça-feira, 31 de março de 2009

Boas ideias

Miguel Gaspar, na última página do Público de hoje (sem link), lembra a necessidade de criar conteúdos para a internet em português. Diz que “passar das máquinas para os conteúdos era uma boa descoberta. Valia um Magalhães.”

É chocante a pobreza de conteúdos de Portugal. Alguns autores, como Camilo e Júlio Dinis, estão disponíveis em sites brasileiros, mas não portugueses!

domingo, 29 de março de 2009

Surpreendidos?

“Novo presidente do sindicato dos Magistrados do Ministério Público denuncia pressões”

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1371393&idCanal=62

O pior é que se teme que as pressões vão até ao topo. Como denunciar ou reclamar se o edifício estiver podre até ao topo?

sexta-feira, 27 de março de 2009

Altamente recomendado

O artigo do Nuno Garoupa no Jornal de Negócios sobre as alterações de fundo na política europeia, como consequência da crise internacional.

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=360658

terça-feira, 24 de março de 2009

China propõe reavivar SDR

O governador do banco central da China propõe substituir o dólar por SDR (direitos especiais de saque) emitidos pelo FMI, mas com as moedas de base alargadas para as principais moedas.

http://www.ft.com/cms/s/0/7851925a-17a2-11de-8c9d-0000779fd2ac.html

Em primeiro lugar, não se percebe porque razão a China persiste em ter superavits externos tão elevados e em usá-los para acumular divisas. Uma ajuda ao mundo que a China poderia dar neste momento era liberalizar as importações e reduzir o seu superavit comercial. Ou, mesmo mantendo os superavits, poderia usar estes fundos para comprar empresas no exterior, sobretudo de recursos naturais.

Em segundo lugar, não é necessário alterar a composição dos SDR. Basta a China mudar as aplicações em divisas em função da composição que a própria China julga que os novos SDR deveriam ter.

terça-feira, 10 de março de 2009

Apagar fogos?

António Costa acusa o seu sucessor no ministério da Administração Interna de só “apagar fogos” e não ter visão de conjunto para o policiamento em Lisboa. Mas depois parece que se recusa a falar com o ministro, preferindo falar com a governadora civil do distrito.

A que se deve um tão grande espalhafato público? O ministro não recebe o presidente da CML? O ministro recebe-o, mas não atende os seus pedidos? Os pedidos de António Costa são disparatados?

É estranho que um autarca do mesmíssimo partido do governo esteja a chantagear publicamente o governo. Como chegámos a esta descoordenação?

Será que António Costa quer mesmo resolver o problema do policiamento ou apenas sacudir a água do capote? Estará ele também apenas a apagar fogos?

segunda-feira, 9 de março de 2009

Memória e espelho

Vejam lá o Sócrates a ver-se ao espelho:

http://www.youtube.com/watch?v=pV-HU56PLNg

Coitadinhos

“As empresas que estão a apostar no sector de produção [electricidade a partir] de biomassa querem que a tarifa atribuída pelo Governo seja revista em alta, sob o risco desta forma de energia deixar de ser competitiva.”

http://economico.sapo.pt/noticias/os-projectos-de-biomassa-podem-acabar-ainda-antes-de-comecarem_5310.html

Caríssimos, a tarifa atribuída pelo Governo já deve ter uma forte componente de subsídio, o que significa que esta actividade não é competitiva à partida. Aumentar o subsídio a uma actividade não competitiva não gera competitividade em lado nenhum.

Quando investiram já sabiam qual a tarifa, qual a razão para protestos agora? Tudo isto me parece um enorme disparate. A biomassa não deve ser boa para produzir electricidade, mas é bem capaz de ser competitiva a produzir calor. Porque não vendem a biomassa às cimenteiras, que até devem ter interesse em vender direitos de emissão de CO2 (sobram-lhes direitos se substituírem fuelóleo por biomassa)? É claro que é menos glamoroso, mas deve fazer muito mais sentido, quer do ponto de vista económico, quer ecológico.

sábado, 7 de março de 2009

Magalhanês

Já há muito que se tinha percebido que o computador Magalhães era uma palhaçada mal pensada e mal preparada. Temos agora mais uma escandalosa prova da precipitação: os jogos educativos estão cheios de erros de português dos mais grosseiros.

É para lá de vergonhoso que um projecto do ministério da Educação contenha tantos erros e diminui ainda mais a nossa já debilitada confiança na actual equipa governativa.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Taxa Tobin para off-shores

Volta à baila a conversa de acabar com os off-shores, o que é um pouco estranho porque, quase por definição, uma off-shore está fora da jurisdição dos principais países. Mais do que acabar com os off-shores, o que é preciso é mudar a relação com os off-shores.

Assim, proponho que se estabeleça uma taxa Tobin sobre todas as transacções financeiras envolvendo off-shore. Se um banco da UE envia (ou recebe) uma transferência de um off-shore, passa a pagar uma taxa de, digamos, 1% sobre o montante da transferência. Pagamento de juros? Pagamento de dividendos? Amortização de obrigação? Paga taxa.

Esta medida vai acabar com os off-shores? É óbvio que não, mas penso que terá dois tipos de impacto. Por um lado, reduz drasticamente a rentabilidade da especulação financeira de muito curto prazo, pelo que parte dela desapareceria. Em segundo lugar, mesmo que o montante estacionado em off-shores não sofresse uma queda pronunciada, passaria a ser possível obter receitas para os cofres públicos desses fundos. Pelo menos a evasão fiscal deixava de ser completa.

Défices externos a Leste

Em vários países da Europa de Leste os bancos incentivaram as famílias a endividarem-se em euros, para beneficiarem de taxas de juro mais baixas. Esta política foi uma imprudência incompreensível, dados os elevados défice externos em muitos desses países. É óbvio que um défice externo obriga, mais tarde ou mais cedo, a uma depreciação da moeda. Logo, o endividamento em moeda externa corre o risco de receber uma forte subida com a depreciação da moeda.

É muito estranho, mas não inédito, que a facilidade de obter financiamento no curto prazo tenha feito esquecer um princípio económico básico.

Fala-se agora em facilitar a entrada destes países na zona do euro, nomeadamente em exigir apenas um ano de estabilidade cambial, até para ajudar a resolver o problema atrás referido. Não me oponho a esta “flexibilização” do critério de entrada, mas considero essencial que se assegure o equilíbrio externo.

Um dos maiores erros portugueses foi ter entrado no euro com graves perdas de competitividade e um défice externo descontrolado. Por um lado, era bom que os nossos erros servissem de lição aos novos participantes na zona do euro. Por outro lado, era bom pensar em criar condições dentro da zona do euro para facilitar a recuperação da competitividade, uma vez que o instrumento da desvalorização deixa de estar disponível dentro da união monetária.