Segundo sondagem publicada hoje no Correio da Manhã, Menezes (menos de 13%) consegue ficar atrás de Marcelo Rebelo de Sousa (35,5%), Rui Rio (31,6%) e Santana Lopes (14,2%) como o preferido pelo eleitorado do PSD para defrontar Sócrates em 2009. Dá ideia que se também tivessem incluído na lista o Presidente da CM de Alguidares de Baixo, Menezes também conseguia ficar abaixo dele.
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000009-0000-0000-0000-000000000009&contentid=F340EA44-2695-432F-9EF1-ABB52BF6C855&goComments=1#comentarios
Tenho ideia que nunca se assistiu a tamanha degradação. Um líder que não podia ser mais indesejado, um verdadeiro anti-D. Sebastião. Espero que não venham de novo com a conversa ridícula que quem contesta o “líder” está a fazer mal ao partido: o actual “líder” é que está a fazer muito mal ao PSD.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Propaganda oca
Segundo os dados publicados hoje pelo INE, a confiança dos consumidores continuou a cair e está cada vez mais próxima dos mínimos de 2003.
http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=10865338&DESTAQUESmodo=2
“As expectativas sobre a evolução da situação financeira do agregado familiar atingiram em Março um novo mínimo histórico para a série iniciada em Junho de 1986.”
“As opiniões sobre a situação económica do país mantiveram a trajectória descendente iniciada em Março de 2007, registando o mínimo desde Agosto de 2003.”
O problema com estes dados deve ser que ainda não incorporam a descida do IVA, parte substancial da qual vai passar despercebida aos consumidores. Pois, sim.
Como se vê, a propaganda do governo está a ter resultados manifestamente insuficientes. Nunca, desde a adesão à UE, as famílias estiveram tão pessimistas sobre o futuro. Aquele optimismo irrealista da entrevista recente do Sócrates não convenceu ninguém.
E o PSD, o que anda a fazer? A aumentar o desespero das famílias, que não só se sentem mal, como não vêm um mínimo de alternativa credível.
http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=10865338&DESTAQUESmodo=2
“As expectativas sobre a evolução da situação financeira do agregado familiar atingiram em Março um novo mínimo histórico para a série iniciada em Junho de 1986.”
“As opiniões sobre a situação económica do país mantiveram a trajectória descendente iniciada em Março de 2007, registando o mínimo desde Agosto de 2003.”
O problema com estes dados deve ser que ainda não incorporam a descida do IVA, parte substancial da qual vai passar despercebida aos consumidores. Pois, sim.
Como se vê, a propaganda do governo está a ter resultados manifestamente insuficientes. Nunca, desde a adesão à UE, as famílias estiveram tão pessimistas sobre o futuro. Aquele optimismo irrealista da entrevista recente do Sócrates não convenceu ninguém.
E o PSD, o que anda a fazer? A aumentar o desespero das famílias, que não só se sentem mal, como não vêm um mínimo de alternativa credível.
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domingo, 30 de março de 2008
Menezes imparável no disparate
Do Diário de Notícias de hoje, p. 25, “o presidente do PSD prometeu que, se for eleito primeiro-ministro em 2009, no final do seu mandato o IVA será de 16 por cento, como é actualmente em Espanha.”
Estamos muito curiosos em conhecer o documento e os nomes dos especialistas seus autores, no qual se baseia esta promessa. Infelizmente, cheira-me que o documento foi uma rabanada de vento e o seu único autor, Menezes.
Quem é que pode acreditar, durante um milésimo de segundo que seja, na seriedade desta proposta? Como é que alguém que tem a megalómana ambição de ser PM pode imaginar que em Portugal há tolos suficientes para engolir tamanha patranha? O que mais impressiona em Menezes, nem são as suas asneiras, mas a sua total incapacidade de aprendizagem. Não ouviu ainda suficientes críticas à sua falta de credibilidade? Precisa de fornecer ainda mais provas dessa mesma falta de credibilidade?
Estamos muito curiosos em conhecer o documento e os nomes dos especialistas seus autores, no qual se baseia esta promessa. Infelizmente, cheira-me que o documento foi uma rabanada de vento e o seu único autor, Menezes.
Quem é que pode acreditar, durante um milésimo de segundo que seja, na seriedade desta proposta? Como é que alguém que tem a megalómana ambição de ser PM pode imaginar que em Portugal há tolos suficientes para engolir tamanha patranha? O que mais impressiona em Menezes, nem são as suas asneiras, mas a sua total incapacidade de aprendizagem. Não ouviu ainda suficientes críticas à sua falta de credibilidade? Precisa de fornecer ainda mais provas dessa mesma falta de credibilidade?
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Génios do marketing
Há para aí uns génios do marketing que recomendaram vivamente a Sócrates que fosse inconsistente. Inconsistente com a forma como se apresentou no passado e inconsistente com o que ele é. Depois da entrevista televisiva encenada, para mostrar o lado pessoal, mas que, mais do que simbolicamente, não saiu do hall de entrada, agora temos a asneira renovada.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1324076
“Sócrates assume "face humana" após “três anos a disfarçar estados de alma”. Só a fotografia é um monumento. Que ganhos esperam destas fitas? Julgam que alguém vai engolir estas tretas. Estão a estragar uma imagem de dureza, apesar de tudo com alguma sinceridade, para um sorriso de plástico que não convence ninguém. Devem achar que os portugueses são um bando de idiotas que engravidam de ouvido.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1324076
“Sócrates assume "face humana" após “três anos a disfarçar estados de alma”. Só a fotografia é um monumento. Que ganhos esperam destas fitas? Julgam que alguém vai engolir estas tretas. Estão a estragar uma imagem de dureza, apesar de tudo com alguma sinceridade, para um sorriso de plástico que não convence ninguém. Devem achar que os portugueses são um bando de idiotas que engravidam de ouvido.
sábado, 29 de março de 2008
Imprescindível
Pacheco Pereira:
COISAS DA SÁBADO: O DESTINO MARCA A HORA NO PSD (3)
http://abrupto.blogspot.com/2008_03_01_abrupto_archive.html#749728863284427355
COISAS DA SÁBADO: O DESTINO MARCA A HORA NO PSD (3)
http://abrupto.blogspot.com/2008_03_01_abrupto_archive.html#749728863284427355
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sexta-feira, 28 de março de 2008
Banha da cobra clandestina de Sócrates
“Sócrates diz que descida do IVA é socialmente mais justa do que a do IRS”(…) “O IVA beneficiará todos, mesmo os cidadãos que não pagam IRS".
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/nacional/economia/pt/desarrollo/1105362.html
Isto é duplamente ridículo. Em primeiro lugar, com as suspeitas crescentes de que muitas empresas não vão repercutir a descida do IVA nos preços, é pelo menos muito provável que parte da descida dos impostos não chegue a nenhum consumidor.
Em segundo lugar a descida do IVA beneficia os mais ricos, ainda que proporcionalmente menos. Uma descida do IRS poderia ser desenhada de forma a beneficiar mais os mais pobres. Imaginem o seguinte exemplo. Uma família com 500 euros de rendimento, que gaste 50% do rendimento em bens e serviços à taxa normal de IVA, gasta 250 euros e vai poupar (admitindo descida de imposto totalmente reflectida no preço) 2,07 €/mês, ou seja, 0,41% do rendimento. Outra família com 5 mil euros de rendimento, mas que só gasta 30% do rendimento em bens com IVA à taxa normal. Esta família gasta 1 500 euros e vai poupar 12,40 €/mês, seis vezes mais do que a primeira família. É verdade que a poupança da segunda família é apenas 0,25% do seu rendimento, enquanto na primeira é de 0,41%. Mas a poupança em euros é muito maior para os mais ricos.
Quanto a beneficiar mesmo os que não pagam IRS, muitos destes são beneficiários de outras prestações do Estado, poderiam receber por aí. Também não seria pior aproveitar a ocasião para acrescentar uma componente ao IRS, um escalão negativo (quando o rendimento está abaixo de certo montante, passa a receber um subsídio), que em muito poderia melhorar a distribuição do rendimento.
"Tomara eu poder já descer em dois por cento [a taxa máxima do] IVA", declarou José Sócrates em resposta a uma intervenção do vice-presidente da bancada socialista Afonso Candal.”
Mas que bela encenação, é mesmo uma espertalhice muito convincente. Acho que merece o Prémio Luís Miguel Cintra 2008.
"Aproveitando o período de resposta a perguntas formuladas pela bancada do PS, por duas vezes José Sócrates quis vincar a seguinte imagem: "os portugueses podem agora ter a certeza que, em matéria de contas públicas, a casa agora está em ordem".
Deixem-me rir. Com um défice de 2007 a apenas 4 décimas dos fatídicos 3%; com perspectivas económicas para 2008 piores do que para 2007, coisa que o governo insiste em ignorar; com uma redução do défice feita excessivamente com base em resultados extraordinários na receita (recuperação de dívidas passadas) e pouco do lado da despesa; com uma reforma da administração pública que não sai do adro e é torpedeada por providências cautelares a propósito de tudo e de nada; etc, etc.
“a casa agora está em ordem”??? Isto é um sucedâneo de banha da cobra, de produção clandestina, sem o respeito de normas mínimas de higiene.
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/nacional/economia/pt/desarrollo/1105362.html
Isto é duplamente ridículo. Em primeiro lugar, com as suspeitas crescentes de que muitas empresas não vão repercutir a descida do IVA nos preços, é pelo menos muito provável que parte da descida dos impostos não chegue a nenhum consumidor.
Em segundo lugar a descida do IVA beneficia os mais ricos, ainda que proporcionalmente menos. Uma descida do IRS poderia ser desenhada de forma a beneficiar mais os mais pobres. Imaginem o seguinte exemplo. Uma família com 500 euros de rendimento, que gaste 50% do rendimento em bens e serviços à taxa normal de IVA, gasta 250 euros e vai poupar (admitindo descida de imposto totalmente reflectida no preço) 2,07 €/mês, ou seja, 0,41% do rendimento. Outra família com 5 mil euros de rendimento, mas que só gasta 30% do rendimento em bens com IVA à taxa normal. Esta família gasta 1 500 euros e vai poupar 12,40 €/mês, seis vezes mais do que a primeira família. É verdade que a poupança da segunda família é apenas 0,25% do seu rendimento, enquanto na primeira é de 0,41%. Mas a poupança em euros é muito maior para os mais ricos.
Quanto a beneficiar mesmo os que não pagam IRS, muitos destes são beneficiários de outras prestações do Estado, poderiam receber por aí. Também não seria pior aproveitar a ocasião para acrescentar uma componente ao IRS, um escalão negativo (quando o rendimento está abaixo de certo montante, passa a receber um subsídio), que em muito poderia melhorar a distribuição do rendimento.
"Tomara eu poder já descer em dois por cento [a taxa máxima do] IVA", declarou José Sócrates em resposta a uma intervenção do vice-presidente da bancada socialista Afonso Candal.”
Mas que bela encenação, é mesmo uma espertalhice muito convincente. Acho que merece o Prémio Luís Miguel Cintra 2008.
"Aproveitando o período de resposta a perguntas formuladas pela bancada do PS, por duas vezes José Sócrates quis vincar a seguinte imagem: "os portugueses podem agora ter a certeza que, em matéria de contas públicas, a casa agora está em ordem".
Deixem-me rir. Com um défice de 2007 a apenas 4 décimas dos fatídicos 3%; com perspectivas económicas para 2008 piores do que para 2007, coisa que o governo insiste em ignorar; com uma redução do défice feita excessivamente com base em resultados extraordinários na receita (recuperação de dívidas passadas) e pouco do lado da despesa; com uma reforma da administração pública que não sai do adro e é torpedeada por providências cautelares a propósito de tudo e de nada; etc, etc.
“a casa agora está em ordem”??? Isto é um sucedâneo de banha da cobra, de produção clandestina, sem o respeito de normas mínimas de higiene.
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Seis meses de Menezes, uma eternidade
Faz hoje seis meses que Menezes foi eleito líder do PSD em directas. Em sondagem publicada no Jornal de Negócios (ver abaixo) Santana Lopes é votado o segundo pior PM de sempre, só suplantado por Sócrates.
Mas quer-me parecer que as razões porque ambos aparecem em posições destacadas são bem diferentes. Presumo que Sócrates aparece destacado por ter afrontado os professores, por fechar urgências, etc. Ou seja, por tomar medidas de algum reformismo, embora por vezes com uma brutalidade incompreensível. Como sintetiza muito bem Campos e Cunha em entrevista do Diário Económico de hoje: “se se pode resolver um problema a mal, para quê resolver a bem?” Já com Santana o problema não eram as medidas de fundo, que não tomou, mas simplesmente porque tudo aquilo era mesmo demasiado caótico, demasiado mau.
Ao longo dos últimos meses Menezes veio a confirmar-se com um Santana em versão piorada. Não acredito que reste a menor sombra de dúvida nos melhores quadros do PSD (nem todos são barões) que é uma vergonha o PSD apresentar-se com Menezes às eleições de 2009. Já Pacheco Pereira chamou a atenção para o excesso de calculismo. Com Menezes à frente o PSD está a esfrangalhar-se e depois pode ser tarde de mais para apanhar os cacos.
Mas quer-me parecer que as razões porque ambos aparecem em posições destacadas são bem diferentes. Presumo que Sócrates aparece destacado por ter afrontado os professores, por fechar urgências, etc. Ou seja, por tomar medidas de algum reformismo, embora por vezes com uma brutalidade incompreensível. Como sintetiza muito bem Campos e Cunha em entrevista do Diário Económico de hoje: “se se pode resolver um problema a mal, para quê resolver a bem?” Já com Santana o problema não eram as medidas de fundo, que não tomou, mas simplesmente porque tudo aquilo era mesmo demasiado caótico, demasiado mau.
Ao longo dos últimos meses Menezes veio a confirmar-se com um Santana em versão piorada. Não acredito que reste a menor sombra de dúvida nos melhores quadros do PSD (nem todos são barões) que é uma vergonha o PSD apresentar-se com Menezes às eleições de 2009. Já Pacheco Pereira chamou a atenção para o excesso de calculismo. Com Menezes à frente o PSD está a esfrangalhar-se e depois pode ser tarde de mais para apanhar os cacos.
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“Sócrates é considerado o pior primeiro-ministro de sempre”
“Sócrates é considerado o pior primeiro-ministro de sempre, em Portugal, segundo a sondagem realizada para a Exame pelo Gemeo-Gabinete de Estudos de Mercado e Opinião, do IPAM.”
http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?CpContentId=314187
“Em segundo pior aparece Santana Lopes com 14%, seguido de António Guterres com 7%, e Durão Barroso e Vasco Gonçalves com 4%, e Soares com 3%.”
“O melhor primeiro-ministro salta à vista. Cavaco Silva reúne 23% das escolhas, sendo votado maioritariamente por homens. Neste ranking, José Sócrates aparece na segunda posição com 8%, na terceira vem Mário Soares com 7%, e na quarta Francisco Sá Carneiro, com 5%.”
Não ponho as minhas mãos no fogo pela credibilidade desta sondagem, mas lá que Sócrates provoca muitos anti-corpos, isso é indesmentível.
Em relação ao pior PM eu gosto de distinguir entre o pior durante o seu mandato e o pior pelas consequências que deixou para além do seu mandato. Em relação a pior durante o seu mandato, parece-me que Santana Lopes merece a palma. Quanto ao PM que deixou piores consequências, quem ganha destacado é o Guterres, que malbaratou, de forma totalmente irresponsável, a entrada no euro. Ainda hoje estamos a pagar esses erros crassos.
É evidente que Guterres tem mais categoria do que Sócrates, mas Guterres deixou uma herança pior do que a que Sócrates vai deixar.
http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?CpContentId=314187
“Em segundo pior aparece Santana Lopes com 14%, seguido de António Guterres com 7%, e Durão Barroso e Vasco Gonçalves com 4%, e Soares com 3%.”
“O melhor primeiro-ministro salta à vista. Cavaco Silva reúne 23% das escolhas, sendo votado maioritariamente por homens. Neste ranking, José Sócrates aparece na segunda posição com 8%, na terceira vem Mário Soares com 7%, e na quarta Francisco Sá Carneiro, com 5%.”
Não ponho as minhas mãos no fogo pela credibilidade desta sondagem, mas lá que Sócrates provoca muitos anti-corpos, isso é indesmentível.
Em relação ao pior PM eu gosto de distinguir entre o pior durante o seu mandato e o pior pelas consequências que deixou para além do seu mandato. Em relação a pior durante o seu mandato, parece-me que Santana Lopes merece a palma. Quanto ao PM que deixou piores consequências, quem ganha destacado é o Guterres, que malbaratou, de forma totalmente irresponsável, a entrada no euro. Ainda hoje estamos a pagar esses erros crassos.
É evidente que Guterres tem mais categoria do que Sócrates, mas Guterres deixou uma herança pior do que a que Sócrates vai deixar.
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Diz o nu ao remendado
Menezes, do Público de hoje, p. 2: “Há quinze dias, o primeiro-ministro, perante a minha proposta articulada e consistente [já pararam de rir?] de descer impostos, considerou tal possibilidade leviana e irresponsável.” Já aqui critiquei essas afirmações de Sócrates.
No Diário de Notícias, p. 3, o comentário de Menezes ainda é mais divertido: a descida “é irrelevante e casuística, desenquadrada de metas de longo prazo”. Pois não é isto que podemos dizer de praticamente tudo o que Menezes tem dito? Com a agravante de se contradizer. Pior do que uma colecção de medidas sem fio condutor é fazer afirmações contraditórias.
Quantas mais tiradas “brilhantes” como esta vamos ter que ouvir até que o PSD perceba que isto não é “líder” que se apresente? O país precisa de uma oposição de jeito.
No Diário de Notícias, p. 3, o comentário de Menezes ainda é mais divertido: a descida “é irrelevante e casuística, desenquadrada de metas de longo prazo”. Pois não é isto que podemos dizer de praticamente tudo o que Menezes tem dito? Com a agravante de se contradizer. Pior do que uma colecção de medidas sem fio condutor é fazer afirmações contraditórias.
Quantas mais tiradas “brilhantes” como esta vamos ter que ouvir até que o PSD perceba que isto não é “líder” que se apresente? O país precisa de uma oposição de jeito.
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quarta-feira, 26 de março de 2008
Descida do IVA
Pontos a favor:
- Um certo desmentido da mentira eleitoral de não subir impostos. Sócrates abre a porta para nova descida em 2009, provavelmente de novo a meio do ano, que sai mais barato. Acabaria o IVA ao nível em que o PS o recebeu.
- Em termos de timinig é uma boa jogada política. Não é completamente em cima das eleições, não fica ridiculamente eleitoralista. Uma eventual nova descida fica com a desculpa que vem na sequência desta medida e não soa tão eleitorialista.
- Coloca pressão para reduzir a despesa.
A desfavor:
- Abertura do cinto antes do fim da cura de emagrecimento. Acontece por vezes que esta antecipação do fim deite a perder todo o trabalho feito.
- Adia o momento em que política orçamental pode voltar a ser contra-cíclica, isto é, estabilizadora. Esta seria uma das críticas mais ferozes que se poderiam fazer. No entanto, como eu considero que o problema económico português é sobretudo o de falta de competitividade e não o de falta de procura, acabo por não considerar esta questão tão grave. Como não recomendo qualquer estímulo orçamental nos próximos anos, não me preocupa que esta medida adie as condições para a aplicação deste instrumento.
- Podiam ter ajustado em baixa ligeira a previsão de crescimento para 2008. Com tantas nuvens a materializarem-se no horizonte e os primeiros dados da economia portuguesa bastante fracos, era o mínimo. Assim reforça-se a ideia de que esta descida dos impostos assenta em pressupostos cada vez mais irrealistas.
- Não é seguro que a descida de impostos se reflicta em redução de preços ao consumidor e tenha assim reflexo no bem estar das famílias.
- A espertalhice de baixar o IVA só a partir de meio do ano, salvando assim a diminuição do défice.
- A demagogia de ter chamado “leviana” a uma proposta do PSD de há pouco tempo de baixar os impostos.
Do ponto de vista económico, estou contra esta medida. Do ponto de vista político, acho difícil um governo resistir a esta tentação. É claro que, segundo as sondagens (que poderão, aliás, melhorar com esta medida), o PS é que está em melhores condições de ganhar as eleições de 2009. Mas é politicamente muito duro, fazer o trabalho de casa que permite baixar os impostos e depois ver o governo seguinte (sobretudo se for de outra cor e há sempre esse risco) colher os frutos.
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