quarta-feira, 24 de outubro de 2012
terça-feira, 23 de outubro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
Referendo ao euro
Paulo Gorjão tem um excelente blog, excelente pela qualidade
das análises e, sobretudo, nos tempos que correm, pelo bom senso e serenidade
das suas opiniões.
Esta discussão parece-me muito útil, nem tanto para o PM
reconquistar a iniciativa política, mas para os portugueses acordarem. Na
verdade, considero altamente provável que Portugal seja forçado a sair do euro
muito antes de haver condições práticas para realizar este referendo, e já nem
falo em condições políticas.
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Consultório financeiro (2)
Nas respostas aos leitores, não vou respeitar a ordem cronológica,
vou antes dar precedência às questões mais curtas e relevantes.
Questiona o P.A. (19-Out). “O problema é que a maioria dos
Portugueses não sabe como colocar algumas poupanças no estrangeiro. Gostaria
imenso que me explicasse como é que, legalmente, isso pode ser feito. Já
coloquei essa questão no meu banco mas responderam-me que não prestavam esse
tipo de serviço…”
Como regra geral, se o vosso banco não faz certo tipo de
serviço, recomendo que façam uma pesquisa em outros bancos para ver onde ele
pode ser feito. Há dois bancos, o Barclays e o Deutsche Bank, em que se podem
fazer depósitos em moeda estrangeira e que ficam abrangidos pelas garantias,
respectivamente, do Reino Unido e da Alemanha.
Mas fazer depósitos em divisas (dólares, francos suíços,
etc.) em bancos portugueses é uma acção equivalente a colocar poupanças no
estrangeiro, sobretudo se não estivermos a falar de grandes montantes.
Uma outra alternativa é comprar títulos estrangeiros, como dívida
pública alemã e americana, bem como acções de algumas empresas mais sólidas.
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fim do euro
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Consultório financeiro (1)
A partir de hoje vou criar uma rubrica de consultório
financeiro de resposta a perguntas que os leitores me têm enviado por mail. Vou
indicar o nome do leitor por iniciais, para respeitar o seu anonimato.
Pergunta o M. A. (15-Out): “Quando aconselha o depósito em
bancos ingleses, americanos ou suíços, não fica claramente expresso se esses
depósitos têm de ser feitos no país desses bancos ou se podem ser feitos em
agências dos mesmos em Portugal. Se eu, por exemplo, depositar no Barclays Bank
Portugal numa conta em libras, não estaria esse depósito garantido pelo FSCS da
FSA e protegido da passagem de Euros para o novo Escudo? Pela mesma lógica, não
seriam também boas hipóteses depósitos em moeda estrangeira em agências em
Portugal do Deustche Bank (mesmo sendo de um país de um euro será de todos eles
o mais seguro) e do Banco do Brasil.”
Tem razão, caro M. A. No caso do Barclays e do Deutsche
Bank, os depósitos podem ser feitos em moeda estrangeira em Portugal e ficam
abrangidos pelos sistemas de garantia dos depósitos, respectivamente, o Reino
Unido e da Alemanha. No caso do Banco do Brasil, não consegui confirmar mas,
como não faz parte das entidades participantes no Fundo de Garantia dos
Depósitos português, é provável que tenha uma garantia ao abrigo das regras
brasileiras.
O Deutsche Bank tem estado envolvido em notícias menos favoráveis,
mas se fizer depósitos não muito grandes, diria até 25 mil euros, não deverá
correr um grande risco, tanto quanto se pode dizer no contexto de pré-catástrofe
que estamos a viver.
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Saída de depósitos
A crise do euro tem
levado a uma saída de depósitos dos países periféricos para os países mais
seguros, mas muito menor em Portugal
Desde o início da crise do euro que se detectou um movimento
significativo de fuga de depósitos, dos países periféricos para lugares mais
seguros. Na Grécia, estas saídas de capitais começaram a notar-se logo em
Janeiro de 2010, registando perdas acumuladas de 35% (dados do BCE, até Agosto
de 2012). Em Abril daquele ano a Grécia foi forçada a pedir ajuda e desde então
tem-se assistido a um verdadeiro descalabro neste país, que já incluiu um
perdão de dívida de 74%.
Na Irlanda, a queda nos depósitos começou a notar-se em Maio
de 2010 e este país acabou por pedir ajuda em Novembro desse ano. No entanto,
poucos meses depois a fuga de fundos estancou, totalizando apenas 10% do total
e tem estabilizado a esse nível até hoje.
Em Espanha, a fuga de depósitos iniciou-se em Julho de 2011,
já depois de Portugal ter pedido ajuda e tem vindo a acelerar, tendo já saído
14% do total de depósitos que se registava no seu máximo.
Em Itália, registou-se uma saída de capitais limitada
durante 2011 até quase ao final do ano, quando este Estado esteve próximo do
precipício. A partir daí, as medidas europeias e o governo de Monti conseguiram
inverter aquela fuga e houve um regresso do dinheiro transferido para o
exterior, que já foi praticamente todo recuperado.
No caso de Portugal, a saída de fundos só se iniciou em
Novembro de 2011, embora tenha vindo a acelerar nos últimos meses, totalizando
apenas 8% do total dos depósitos. Estes dados podem não coincidir exactamente
com aqueles que têm sido divulgados, mas são dados do BCE, do total de
depósitos excluindo a administração pública central e as instituições
financeiras monetárias (código 2.2.3), o que os permite comparar directamente
com os outros países.
Os dados portugueses revelam dois aspectos importantes. O
primeiro é que o movimento de fuga é muito atrasado em relação ao padrão que se
verificou nos restantes Estados. Enquanto nos outros as saídas de capital se
iniciam ANTES do pedido de auxílio, que nalguns casos ainda nem ocorreu, no
caso de Portugal a fuga só se iniciou cerca de seis meses DEPOIS do resgate
internacional.
O segundo aspecto é que de Portugal têm saído
comparativamente menos fundos do que dos outros países, à excepção de Itália,
em que o governo Monti tem inspirado muita confiança, algo de que o actual
governo português não pode ser “acusado”.
Saiu muitíssimo mais dinheiro da Grécia do que de Portugal,
mas isso não deve surpreender porque o caso grego é quase um caso perdido. Mas
a Irlanda tem-se portado muito bem e está a ter sucesso no programa de
ajustamento, coisa que se tornou mais evidente nos últimos meses que não é o
nosso caso. No entanto, saiu menos dinheiro de Portugal do que da Irlanda.
O caso espanhol pode-se considerar ainda mais flagrante, já
que Espanha ainda nem sequer pediu ajuda e já saiu de lá quase o dobro (em
termos relativos) do que saiu de Portugal.
Se aos dados sobre saída de capitais acrescentarmos uma
avaliação, um pouco menos científica, sobre declarações oficiais e comentários
na comunicação social, verificamos que nos outros países periféricos se discute
abertamente a saída do euro e mesmo o fim do euro. Por oposição, em Portugal
fala-se muito menos sobre estes temas, que são quase tabu, com raras excepções.
Por tudo isto ouso concluir que em Portugal há um generalizado
estado de negação sobre os problemas que se avizinham e uma grande falta de
preparação para eles.
Quando sair do euro a Grécia pode contar com montantes muito
volumosos de capitais no exterior, que poderão regressar ao país, aproveitando
as pechinchas que se encontrarão à venda e fornecendo uma ajuda preciosa à
recuperação económica do país. O mesmo se poderá dizer de Espanha, que não
deverá sofrer perdas cambiais tão fortes como a Grécia e que, desde logo, tem
uma economia muito mais atraente para investir do que a grega.
Portugal vai precisar de muito mais ajuda do que Espanha (em
termos relativos) mas, a manter-se a actual apatia dos portugueses, vai ter
muito menos fundos disponíveis no estrangeiro no momento em que precisar
desesperadamente deles.
[Publicado no Jornal “i”]
Adenda: Há quem
muito chocado com a minha insistência na colocação de dinheiro fora de
Portugal, por isso desejo contribuir para esclarecer este ponto.
Quais são os problemas que têm sido referidos em relação à
Grécia? O quase colapso do sistema partidário vigente; a contestação violenta
nas ruas; uma recessão profunda, com uma queda acumulada do PIB de mais de 20%
(uma depressão ocorre quando é ultrapassada a marca dos 10%); um desemprego
elevadíssimo (nos jovens já ultrapassou os 50%!); perdão forçado da dívida, com
prejuízo de 74% para os investidores; etc.
Entre os principais problemas gregos não se inclui – e bem –
a fuga de capitais, que já dura há quase três anos. Ou seja, esta fuga é um mal
menor.
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fim do euro
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Uma excelente ideia
Acho muito bem que se investigue a actuação de Cândida
Almeida e que se vá até às últimas consequências, incluindo, eventualmente,
cadeia.
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Justiça
O último orçamento
O meu artigo no “i”: O Orçamento de 2013 parece que será oúltimo deste governo e o último em euros
Adenda: Ainda no
IMI há outras duas questões. A primeira é a da avaliação dos imóveis, em que
convinha que se tomasse consciência que estamos em presença de um claro
movimento de diminuição do valor, nalguns casos superior a 20% e que as
Finanças não cobrassem IMI com base em valores acima do mercado. Também era
conveniente que a avaliação usasse como parâmetro o facto de o imóvel estar
arrendado e qual o valor da renda. Dá vontade de usar um insulto à la António
Borges, porque não se percebe qual a lógica de atribuir a mesma avaliação a uma
habitação, quer tenha uma renda de 50€, quer de 500€.
A segunda questão é a pretendida eliminação da cláusula de
salvaguarda. Algum tipo de alteração desta cláusula é admissível, mas a sua
eliminação parece incompreensível, sob todos os pontos de vista, sobretudo
políticos.
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