domingo, 12 de agosto de 2012

Estão a brincar com quem?



Desconhece-se o destino? É assim que se investiga em Portugal? O ministério da Defesa não tem responsáveis pelos arquivos? O que é que a PGR está à espera para abrir imediatamente um inquérito a este desaparecimento de documentos que é para lá de suspeito?

Depois não se esqueçam de vir com a conversa que há um complot para dizer mal da justiça, que há muita má vontade, etc. Uma justiça que tem o descaramento de dar notícias destas só pode ter a pior avaliação pública possível.

Saindo agora deste caso particular, a luta contra a corrupção tem que começar pela corrupção na justiça. Enquanto não virmos vários juízes e vários procuradores na cadeia não é possível confiar na justiça nem termos a fantasia de que se pode combater a corrupção em Portugal. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Capa do livro

Eis a capa do meu livro, que deverá estar nas livrarias a partir de 18 de Agosto.



O memorando Merkel


The Economist desta semana tem um memorando fictício que teria sido entregue à chanceler alemã, recomendado uma redução da zona do euro para um grupo mais restrito de países, sem a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Chipre.

Apesar de admitir que a zona do euro ficaria mais robusta sem estes Estados, o relatório também reconhece que o que sobrar também corre o risco de desintegração. Posso dizer que está muito em linha com o que penso sobre o futuro do euro.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Despertar

O meu livro "O fim do euro em Portugal?" deverá sair nos próximos dias, pela Actual Editora, do grupo Almedina. Por isso vou ressuscitar este blog e começo por indicar um link para todos os textos que escrevi no blog Cachimbo de Magritte sobre este tema.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Hibernação

Há já vários meses que os posts deste blog são um mero espelho do que tenho vindo a publicar no Cachimbo de Magritte. Por isso, este blog vai hibernar por tempo indeterminado.

Muito obrigado a todos os leitores, que podem continuar a seguir-me naquele blog colectivo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Fim do euro (5) Dois fins

O fim das colónias e o fim do euro têm em comum o facto de quem tiver saído a tempo poderá sair incólume.

[Publicado no jornal "i"]

Fim do euro (4) Recomendações práticas, adenda

O post anterior desta série suscitou dúvidas – inteiramente legítimas – porque falei em três seguros diferentes sem ter o cuidado de os diferenciar. Gostaria, desde logo, de renovar os meus agradecimentos a quem colocou as dúvidas, que me têm ajudado imenso a pensar melhor sobre estes temas.

O risco de saída de Portugal do euro tem associado múltiplos riscos, dos quais gostaria de salientar três: o risco do colapso temporário do sistema de pagamentos, o risco do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos e o risco de perda – definitiva – de valor de inúmeros activos (depósitos à ordem e a prazo, obrigações, acções e imobiliário, entre outros).

O post anterior foi dedicado quase exclusivamente aos dois primeiros riscos. O risco do colapso do sistema de pagamentos levou-me à recomendação, meramente indicativa, de ter em casa notas no montante equivalente a um mês de rendimento. Esta recomendação tem o benefício secundário de proteger também, de forma muito limitada e parcial, contra o terceiro risco que referi acima: o de perda de valor dos depósitos à ordem.

Este terceiro risco é um tema vastíssimo, que deverá ocupar inúmeros posts posteriores, sobre o qual não me irei debruçar agora.

O segundo risco, o do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos, levou-me à recomendação, de novo meramente indicativa, de ter em casa na despensa o equivalente a um mês de consumo de bens não perecíveis.

Retomando agora o tema do primeiro risco, o do colapso temporário do sistema de pagamentos – um dos temas centrais do post anterior –, gostaria de salientar que os moldes da saída de Portugal do euro são incertos. Gostaria de contemplar quatro cenários: a) Portugal sai do euro (ou é forçado a sair) individualmente pouco depois da saída da Grécia; b) Portugal sente-se obrigado a acompanhar a saída – forçada – da Itália; c) os países fortes decidem sair do euro, porque as medidas necessárias à sobrevivência do euro o descaracterizariam por completo; d) dá-se a implosão total do euro, com todos os países a voltarem a moedas nacionais.

Os cenários a), b) e d) são relativamente semelhantes em relação ao risco de colapso do sistema de pagamentos. Para nos protegermos contra estes cenários, devermos ter euros em casa. Isso protege-nos contra o risco de colapso do sistema de pagamentos e parcialmente contra o terceiro risco, o da perda de valor.

No cenário c) o euro continua a ser a moeda portuguesa, embora se desvalorize face ao novo marco. Neste caso não haverá sequer risco de colapso do sistema de pagamentos, que se manterá. Nesta hipótese seria inútil ter os euros em casa e estes euros também já não seriam uma reserva de valor como nos cenários anteriores. Neste caso só dólares e outras divisas é que serviriam como refúgio. Mas dificilmente poderíamos comprar pão e outros produtos essenciais com dólares, pelo que os dólares podem ser bons na perspectiva de reserva valor (que não é o tema aqui), mas não tanto para acudir a uma situação temporária de problemas de pagamentos.

Resumindo: ter alguns euros em casa previne contra o colapso do sistema de pagamentos, mas pode ou não proteger contra a perda de valor da moeda que circula em Portugal. Mas este outro risco merece muito mais atenção, nos próximos posts.