quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Efeitos da recessão sobre a saúde

Um estudo de investigadores ingleses e americanos identifica dois efeitos (contrários) de uma recessão sobre as duas causas principais de flutuação da mortalidade no curto prazo: a) aumento da taxa de suicídio, associada ao aumento do desemprego; b) diminuição do número de morte por acidentes de viação, devido à menor utilização de automóveis.

Este estudo foi replicado para os anos mais recentes e confirma essas tendências anteriores.

Prémio para a saída ordeira do euro

Foi lançado hoje um prémio de 250 mil libras para responder ao desafio de gerir a saída de um ou mais membros do euro. Lord Wolson, que lançou o prémio, afirmou que os governos não podem discutir abertamente a questão porque isso poderia despoletar o colapso do euro.


Há um conjunto de questões específicas a que os concorrentes devem responder:

  • Whether and how to redenominate sovereign debt, private savings, and domestic mortgages in the departing nations.
  • Whether and how international contracts denominated in euros might be altered, if one party to the contract is based in a member state which leaves EMU.
  • The effects on the stability of the banking system.
  • The link between exit from EMU and sovereign debt restructuring.
  • How to manage the macroeconomic effects of exit, including devaluation, inflation, confidence, and effects on debts.
  • Different timetables and approaches to transition (e.g. “surprise” redenomination versus signalled transitions).
  • How best to manage the legal and institutional implications.
  • A consideration of evidence from relevant historical examples (e.g. the end of various currency pegs and previous monetary unions).

Esta proposta pode ser desvalorizada como uma mera provocação, tendo o seu organizador inclusive considerado a hipótese de não haver uma resposta, “o que seria muito revelador”.


Na verdade, acredito que este trabalho ainda vai ser muito útil a vários países. Já tinha abordado o assunto em termos muito menos detalhados, mas inclino-me para ideia que a forma mais ordeira de saída é a retirada dos fortes do euro e não dos fracos.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ameaças sindicais

Silva Lopes já considerou este orçamento mais duro do que as medidas de 1983, quando recorremos pela última vez à ajuda do FMI. Talvez isso pareça assim porque então havia uma medida que ia ao bolso dos portugueses sem se notar tanto: a desvalorização. Como hoje esse instrumento não está disponível, o instrumento disponível (o orçamento) tem que ser aplicado de forma mais intensa.


Esta intensidade já despertou a ira dos sindicatos, a CGTP fala mesmo em“declaração de guerra”. Há quem veja Portugal a seguir o caminho da Grécia, numa espiral de austeridade, recessão, aumento do défice público, necessidade de mais austeridade, etc. Há mesmo quem imagine que seguir o caminho da Grécia – por ser insolúvel – nos daria poder negocial, obrigaria a UE a ajudar-nos a sério, para não nos deixar cair.


Esperemos que o problema grego conheça uma solução em breve, para os portugueses iludidos perceberem que a alternativa é mesmo desastrosa e trabalharem para o sucesso do plano de ajustamento português. Ou, pelo menos, para não colocarem obstáculos que nos coloquem no caminho de uma tragédia grega.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

E os "cortes racionais na despesa"?

Em entrevista ao Público a 7 de Setembro, o ministro das Finanças afirmou que “cortes racionais, estruturais e sustentáveis na despesa exigem tempo”. Infelizmente, do que se conhece do próximo orçamento, não há notícia de cortes estruturais nem sustentáveis na despesa.


O ministro não terá tido tempo, mas o PSD teve seis anos de oposição para se preparar para fazer esses cortes. Ou pelo menos, três anos desde que Manuela Ferreira Leite ganhou as eleições no partido e teve um discurso em que previa, em traços gerais, as necessidades presentes. A mudança de líder há ano e meio menos ainda pode servir como desculpa, porque menos de dois meses depois das eleições internas já Passos Coelho era “forçado” a dar a mão a Sócrates num duro pacote de austeridade.


O discurso da nova liderança foi veemente na recusa do novos impostos, presumindo-se que tivessem estudada a alternativa para quando fossem governo, o que se previa que pudesse acontecer dentro de não muito tempo.


Infelizmente, nada disso foi feito e andámos a perder um tempo precioso. Perdemos tempo face aos investidores a quem queremos convencer a comprar cada vez mais da nossa dívida pública. Perdemos tempo e, temo, capital político perante o eleitorado e a população em geral. Agora era o tempo de apresentar os tais “cortes racionais, estruturais e sustentáveis na despesa”. Daqui a alguns meses dificilmente o governo terá coragem e condições para os cortes que interessam a longo prazo.


O partidos de governo, e o PSD em particular, precisam de aprender que estar na oposição não pode ser andar a criticar as medidas que tomariam se fossem governo e dispersarem-se em temas secundaríssimos, mas sim prepararem-se para ser governo e para concretizarem as promessas que fazem.


O PSD nem sequer pode apresentar como desculpa as surpresas orçamentais, por duas razões. Em primeiro lugar, porque, quando estava na oposição sempre disse que havia buracos orçamentais e exigiu uma auditoria às contas públicas, exigência que depois, inexplicavelmente, deixou cair. Em segundo lugar, porque não estamos em presença de insuficiência de cortes estruturais, em que a insuficiência é explicada pelos desvios encontrados: temos uma quase ausência de cortes estruturais e sustentáveis.


Depois destas palavras severas para com o PSD, não posso deixar de criticar a irresponsabilidade da governação PS dos últimos quinze anos. Os socialistas não só espatifaram as contas públicas – a verdadeira razão da actual austeridade brutal –, como ignoraram todos os desafios estruturais com que Portugal se defrontou: a globalização, a mudança de regime económico com o euro, a resposta do Estado social ao inverno demográfico (aqui fizeram umas flores, mas muito insuficientes).

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Cavaco em Florença

Cavaco Silva tenta defender a tese que “o euro não é a causa da crise” e que esta decorre dos erros de gestão da moeda única que foram cometidos ao longo do tempo, mesmo reconhecendo as fragilidades estruturais do edifício do euro.


Segundo o nosso presidente, a UE tem todas as condições para resolver o problema, o “que tem faltado é a vontade política”. Já por diversas vezes Cavaco tem apresentado a ideia de que os problemas têm soluções que são independentes das ideias políticas de quem tem o mandato para os resolver. Como se o problema residisse em haver ou não haver coragem política para tomar as decisões que precisam de ser tomadas.


Talvez nos devêssemos antes perguntar porque é que tem faltado essa vontade política. Transferir soberania ou assumir o compromisso de pagar vultuosas quantias a países com os quais se tem, por vezes, uma muito vaga relação é algo que muitos eleitorados compreensivelmente não farão com facilidade.


Para um português a transferência de soberania pode não ser grande coisa, mas para vários países da UE a soberania, leia-se independência, é uma conquista recente e não algo que possa ser descartado sem mais.


Quanto às transferências, elas implicam uma subida de impostos para os países contribuintes e é longo o historial de lutas políticas pela defesa do princípio de “no tax without representation”. Os actuais governos europeus não estão mandatados para uma explosão das responsabilidades do Fundo Europeu de Estabilização Financeira e é natural a sua relutância em avançar nesse sentido.


O nosso PR insurge-se contra a tendência de decisões em directório na UE, ignorando dois factos. Em primeiro lugar, as mais recentes alterações dos tratados europeus favoreceram essa mesma evolução. Em segundo lugar, o facto de se pedir vultuosas transferências a um número restrito de países vai necessariamente aumentar o seu poder político e gerar essa mesma tendência de decisões em directório.


Em resumo, Cavaco Silva vem propor soluções económicas para o euro, que ignoram por completo os obstáculos políticos actuais.

Reformar o Estado Social

O meu primeiro artigo no "i" sobre a reforma do Estado Social.

sábado, 1 de outubro de 2011

Grécia e Portugal

O meu artigo no jornal "i", com uma comparação entre a Grécia e Portugal, para nos tentarmos livrar do contágio.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"Solução" federal

O meu artigo deste mês no Jornal de Negócios. A federalização da UE poderia ser uma boa solução económica para os problemas do euro, mas não é politicamente sustentável.

sábado, 17 de setembro de 2011

"Implosão do euro"

Declarações ao jornal "i" no contexto de um trabalho sobre a possível saída de Portugal do euro. O meu cenário favorito não é a saída dos fracos, mas sim a saída dos fortes do euro, mas a perspectiva do artigo era só sobre a saída de Portugal.

Entrevista ao canal Q

http://videos.sapo.pt/OVAfHab2eZyFdqgWbehY