quarta-feira, 9 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
Um mudança
Desde ontem que faço parte da equipa de O Cachimbo de Magritte, o que recebeu uma simpática referência de O Insurgente.
Comecei hoje a postar lá, apesar de escrever sobre um tema desagradável, que preferia que não fosse o primeiro.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Mais riscos
Hoje os mercados estão de novo aflitos, mas não é sobre que gostaria de escrever. Nogueira Leite chama a atenção para algo de muito importante:
No fim do Verão o senhor Trichet sai da presidência do BCE. Existem hoje apenas dois candidatos credíveis para o seu lugar, por sinal, ambos meus ex colegas do Conselho Económico e Financeiro da UE: o Professore Mario Draghi e Doktor Axel Weber. Ontém, numa verdadeira disputa entre um bully e um bully wannabe ambos vieram dizer que se mandassem (isto é, quando mandarem) os PIGS deixarão de poder financiar-se recorrendo à colocação de títulos de dívida junto do BCE.
Para Portugal (e não só) tal cenário a curto prazo significa apenas o fim abrupto do financiamento externo à República e ao sistema financeiro. Num país que se endivida (ainda) a 2 milhões de euros por hora, a perspectiva é catastrófica mesmo com um acréscimo significativo do rigor (dureza) das medidas sobre o Estado e sobre a economia.
http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/343222.html
Considero que Nogueira Leite chama a atenção para um dos cenários possíveis, mas não o único. Imaginemos que Axel Weber chega a presidente do BCE e tenta acabar com as compras de obrigações de dívida soberana. A tentativa de tomar essa decisão deverá levar a um vendaval financeiro tão grande (subidas drásticas de spreads), que muitas saídas possíveis se poderão colocar (nem todas mutuamente exclusivas): a) Weber forçado a recuar provoca um sobressalto na Alemanha, alimentando uma campanha inorgânica para sair do euro; b) Weber sai e bate com a porta, fazendo campanha para a Alemanha sair do euro; c) BCE não consegue manter promessa de esterilização das compras de dívida, devido ao seu carácter maciço; d) outras ainda.
Mas estes cenários alternativos são tão ou mais negativos que o cenário-base.
PS. Não consegui confirmar a data do fim do mandato de Trichet, com algumas fontes a indicarem o fim deste ano.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Banca estrangeira deve ganhar quota
Crédito nos bancos estrangeiros está mais barato que nos portugueses
No último mês, os bancos portugueses subiram os "spreads", cobrando, no mínimo, 1% de margem para financiarem créditos à habitação. Já as instituições estrangeiras a operar em Portugal mantiveram os seus "spreads", sendo actualmente possível conseguir taxas inferiores a 0,5%.
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=428057
Estes desenvolvimentos eram previsíveis e é importante que as suas consequências não sejam combatidas. O ideal para a economia portuguesa neste momento é que os bancos estrangeiros ganhem quota de mercado, de um mercado em claro abrandamento, para que a economia não sufoque com spreads elevados.
O Banco de Portugal deveria forçar os bancos portugueses a aumentar os seus rácios de capital, mesmo que isso implique perder quota de mercado. Enquanto estes rácios não aumentarem de forma substantiva, os bancos deveriam inclusive ser impedidos de distribuir dividendos.
O risco de bancarrota mantém-se no horizonte e é muito importante os bancos estarem o mais robustos possível para lidarem com as dificuldades que se avizinham.
domingo, 30 de maio de 2010
Uma mentirazinha
Há para aí muita gente abespinhada porque afinal Chico Buarque não pediu para conhecer Sócrates, mas foi o inverso o que se passou. Ou os assessores do PM andam cada vez mais distraídos ou isto não passa de uma mentirazinha a que Sócrates tem direito.
Sócrates anda há cinco anos a falar verdade, sempre tem agora direito a dizer a sua mentirazinha. É duma grande má-vontade caírem em cima de alguém com um passado tão impoluto só por causa duma coisinha.
sábado, 29 de maio de 2010
Estranho
Poucos dias depois de se saber que o governo tenciona cortar nos apoios aos desempregados, ficamos a saber que o governo prolonga ajuda à banca por causa da crise.
http://economico.sapo.pt/noticias/governo-prolonga-ajuda-a-banca-por-causa-da-crise_90947.html
É certo que o mercado monetário está em coma e que se consegue imaginar razões para esta segunda decisão do governo. Mas não mandaria a prudência política que se tivesse muito cuidado a explicar esta situação? O que vão sentir a maioria dos portugueses?
quinta-feira, 27 de maio de 2010
China afasta-se do euro
De acordo com o FT, a China está a reconsiderar os seus investimentos em obrigações da zona euro.
http://www.ft.com/cms/s/0/7049ad6e-68ea-11df-910b-00144feab49a.html
No ano passado a China esteve a tentar diversificar a sua carteira, demasiado concentrada em dólares. Como a sua carteira é enorme e porque está todos os meses a receber novos fundos devido ao elevado superavit externo, as alterações de carteira fazem-se pelas novas compras. Ou seja, é pouco provável (mas não impossível) que a China decida vender obrigações em euros de forma maciça, mas deverá passar de compras significativas em 2009 para compras praticamente nulas neste ano. É provável que troque as dívidas da periferia do euro por dívida dos países mais robustos, agravando a pressão sobre as taxas de juro, nomeadamente de Portugal.
A depreciação do euro em curso e que se deverá agravar nos próximos tempos afasta os investidores, mas até deverá reduzir o superavit externo chinês.
Este é mais um exemplo de que os receios legítimos dos investidores e não tanto as acções diabólicas de especuladores estão a pesar nas taxas de juro. Mais um forma de nos lembrar que temos de assumir as nossas responsabilidades e corrigir os nossos excessos.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Encruzilhada
Estamos numa encruzilhada, com muitos caminhos possíveis e que os historiadores futuros poderão dizer que era óbvio o caminho que vai ser seguido, mas aqui, no meio de todo este turbilhão, é muito difícil ter essa clarividência.
Cenário A) Após mais um pico de pressão dos mercados, os alemães dão um murro na mesa e decidem abandonar o euro. A França fica com o bebé nos braços e agravam-se as tensões internas nesse país, dividido entre passar a pagar a factura mais elevada e o benefício de poder fazer a pose imperial. Dentro da diminuída zona do euro é todo um novo mundo de conflitos que se inicia.
Cenário B) A Alemanha não desiste já do euro, mas força a aprovação de um sem número de medidas que implicam a transferência de soberania dos estados nacionais para as instâncias comunitárias, para assegurar a solidez futura do euro. O Reino Unido rebela-se contra estas medidas e veta a sua aprovação. Após um desgaste brutal, a Alemanha percebe que não há formas de preservar a solidez do euro e retira-se do mesmo. Segue-se o cenário A, com a diferença que as relações dentro da UE estão muito mais deterioradas.
Cenário C) Uma variante do cenário B, em que a Alemanha, consciente da oposição do Reino Unido, retira o euro da UE, passando tudo o que lhe diz respeito a funcionar em tratados separados. A unidade da UE, uma vez quebrada a propósito do euro, começa a cindir-se nos mais variados assuntos, passando a um agrupamento “deslaçado”, vigorando crescentemente uma Europa “à la carte”. A zona do euro passa a ser um protectorado alemão e as crescentes tensões que isso gera levam a Alemanha a sair do euro. Passa-se ao cenário A, mas com muitas mais fragilidades do que as pressupostas no cenário B.
Cenário D) As garantias dos Estados nacionais aos seus bancos, mais as garantias dadas aos outros Estados membros são accionadas, revelando-se em todo o seu esplendor todo o carácter “subprime” deste sistema. Ver aqui:
http://www.ft.com/cms/s/0/7b62ac7c-6698-11df-aeb1-00144feab49a.html
e aqui:
http://ftalphaville.ft.com/blog/2010/05/21/239696/a-collateralised-eurozone-debt-obligation/
Cenário E) You name it.
domingo, 23 de maio de 2010
Diversificação de depósitos
Os riscos de bancarrota que impendem quer sobre o Estado português, quer sobre a banca nacional, sugerem no mínimo que se faça uma diversificação de depósitos. Mas em que bancos devemos colocar os depósitos?
Julgo que a CGD estará num campeonato à parte. Mesmo que a calamidade das contas públicas impeça o Estado de cumprir a sua parte no Fundo de Garantia dos Depósitos, dificilmente deixará de o fazer sobre os depósitos na CGD.
A partir daqui, instala-se a dúvida. O BCP é o mais frágil, quer em termos de rácios, quer em termos de cotação, quer na falta de consistência da base accionista.
Caso seja necessário, será que os accionistas de referência dos outros bancos avançarão com os fundos necessários a aumentos de capital? O BES tem o Crédit Agricole como grande accionista, mas e se a França também ficar engalfinhada numa grave crise do euro? O BPI e o Santander tem fortes accionistas espanhóis que poderão suster a crise, excepto se enfrentarem também graves problemas no seu mercado doméstico.
Saindo dos cinco grandes e procurando um banco estrangeiro com bolsos bem fundos, que banco escolher? Bancos alemães ou franceses têm grande exposição às dívidas soberanas em risco, pelo que se uma crise de bancarrota se abater sobre a área do euro poderão falir eles próprios. Bancos ingleses têm problemas de outra natureza, mas também estão fragilizados.
Se, por um lado faz todo o sentido procurar diversificar os depósitos, fica muito difícil de perceber (sem uma análise mais aturada) quais os bancos mais seguros para onde faz sentido transferir recursos.
Diversificar moedas
O mais seguro será mesmo ir retirando alguns fundos de euros e trocá-los por outra moeda. Mas qual ou quais?
A libra está fora de questão, porque até se tem depreciado face ao euro e o Reino Unido tem grandes problemas em cima da mesa.

Fonte: BCE, FT
O franco suíço, uma hipótese que surge logo à cabeça, acaba por estar (compreensivelmente) muito correlacionado com o euro, tendo ganho 14% do euro desde Out-07. O dólar é que se tem valorizado mais (20% desde Abr-08), beneficiando do seu estatuto da moeda refúgio, mesmo quando os EUA enfrentam uma crise orçamental séria.
O ouro é também uma hipótese a considerar, embora tenha a desvantagem de ter custos de transacção muito mais elevados. O ouro tem-se valorizado expresso em dólares, pelo que em euros o seu preço tem subido ainda mais depressa. O ouro deixou de ser refúgio contra a inflação mas preserva a sua função de refúgio contra crises. O padrão que se tem registado ultimamente é que quando há mais um episódio de crise na zona do euro, há um duplo movimento: o euro cai e o preço do ouro em dólares sobe. Assim, o preço do ouro em euros sobe duplamente quando há um problema na zona do euro, fazendo deste activo uma boa opção como seguro contra a bancarrota.