sábado, 18 de abril de 2009

Hipocrisia legislativa

Quer-se criminalizar o enriquecimento ilícito. Porque actualmente há imensos corruptos que são apanhados pelo fisco e outras entidades e que se safam com meros pagamentos de multas? Nada disso. O problema não é estarem a ser aplicadas penalizações demasiado leves, o problema é que a maravilhosa legislação que temos não se aplica na prática. Então, vamos ao cerne da questão, o problema de quase todas as leis portuguesas (a sua aplicação)? Nada disso, vamos continuar a palhaçada de que o que importa é fazer leis. Concentrar os esforços na sua aplicação e na identificação dos bloqueios que impedem que elas se apliquem na prática? Não, isso dá muito trabalho e traria ao de cima demasiado podres, sobretudo na investigação e justiça. Vamos continuar a fingir que estamos muito preocupados com a corrupção.

Foi você que pediu mais uma dose de política de plástico?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Abrir os olhos

O meu artigo deste mês no Jornal de Negócios, sobre o nosso eterno problema de falta de competitividade e a inércia do governo face ao mesmo.

sábado, 4 de abril de 2009

Freeportgate

É incompreensível que, tendo Lopes da Mota sido colega de Sócrates no governo, não tenha pedido escusa de participar nas investigações do caso Freeport. É ainda incompreensível que o PGR o mantenha em funções, sabendo-se o que se sabe. Como é também incompreensível que Lopes da Mota não tenha sido expulso do Ministério Público devido ao seu envolvimento nas trapalhadas de Felgueiras. Mas o mais incompreensível é a tese que este senhor defende que um acto de corrupção acaba no momento em que é combinado e que, enquanto as quantias estão a ser pagas, o cerne da corrupção, aí já não há corrupção. Logo, pode prescrever o caso. Extraordinário.
Cândida Almeida fez parte da Comissão de Honra do candidato do PS às presidenciais de 2006. Não acha ela que deveria ter pedido escusa de participar nas investigações ao caso Freeport?

Uma justiça onde tudo isto se passa precisa de alguma campanha negra? Não fez ela já tudo para ficar coberta da maior porcaria?

terça-feira, 31 de março de 2009

Boas ideias

Miguel Gaspar, na última página do Público de hoje (sem link), lembra a necessidade de criar conteúdos para a internet em português. Diz que “passar das máquinas para os conteúdos era uma boa descoberta. Valia um Magalhães.”

É chocante a pobreza de conteúdos de Portugal. Alguns autores, como Camilo e Júlio Dinis, estão disponíveis em sites brasileiros, mas não portugueses!

domingo, 29 de março de 2009

Surpreendidos?

“Novo presidente do sindicato dos Magistrados do Ministério Público denuncia pressões”

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1371393&idCanal=62

O pior é que se teme que as pressões vão até ao topo. Como denunciar ou reclamar se o edifício estiver podre até ao topo?

sexta-feira, 27 de março de 2009

Altamente recomendado

O artigo do Nuno Garoupa no Jornal de Negócios sobre as alterações de fundo na política europeia, como consequência da crise internacional.

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=360658

terça-feira, 24 de março de 2009

China propõe reavivar SDR

O governador do banco central da China propõe substituir o dólar por SDR (direitos especiais de saque) emitidos pelo FMI, mas com as moedas de base alargadas para as principais moedas.

http://www.ft.com/cms/s/0/7851925a-17a2-11de-8c9d-0000779fd2ac.html

Em primeiro lugar, não se percebe porque razão a China persiste em ter superavits externos tão elevados e em usá-los para acumular divisas. Uma ajuda ao mundo que a China poderia dar neste momento era liberalizar as importações e reduzir o seu superavit comercial. Ou, mesmo mantendo os superavits, poderia usar estes fundos para comprar empresas no exterior, sobretudo de recursos naturais.

Em segundo lugar, não é necessário alterar a composição dos SDR. Basta a China mudar as aplicações em divisas em função da composição que a própria China julga que os novos SDR deveriam ter.

terça-feira, 10 de março de 2009

Apagar fogos?

António Costa acusa o seu sucessor no ministério da Administração Interna de só “apagar fogos” e não ter visão de conjunto para o policiamento em Lisboa. Mas depois parece que se recusa a falar com o ministro, preferindo falar com a governadora civil do distrito.

A que se deve um tão grande espalhafato público? O ministro não recebe o presidente da CML? O ministro recebe-o, mas não atende os seus pedidos? Os pedidos de António Costa são disparatados?

É estranho que um autarca do mesmíssimo partido do governo esteja a chantagear publicamente o governo. Como chegámos a esta descoordenação?

Será que António Costa quer mesmo resolver o problema do policiamento ou apenas sacudir a água do capote? Estará ele também apenas a apagar fogos?

segunda-feira, 9 de março de 2009