terça-feira, 10 de março de 2009

Apagar fogos?

António Costa acusa o seu sucessor no ministério da Administração Interna de só “apagar fogos” e não ter visão de conjunto para o policiamento em Lisboa. Mas depois parece que se recusa a falar com o ministro, preferindo falar com a governadora civil do distrito.

A que se deve um tão grande espalhafato público? O ministro não recebe o presidente da CML? O ministro recebe-o, mas não atende os seus pedidos? Os pedidos de António Costa são disparatados?

É estranho que um autarca do mesmíssimo partido do governo esteja a chantagear publicamente o governo. Como chegámos a esta descoordenação?

Será que António Costa quer mesmo resolver o problema do policiamento ou apenas sacudir a água do capote? Estará ele também apenas a apagar fogos?

segunda-feira, 9 de março de 2009

Memória e espelho

Vejam lá o Sócrates a ver-se ao espelho:

http://www.youtube.com/watch?v=pV-HU56PLNg

Coitadinhos

“As empresas que estão a apostar no sector de produção [electricidade a partir] de biomassa querem que a tarifa atribuída pelo Governo seja revista em alta, sob o risco desta forma de energia deixar de ser competitiva.”

http://economico.sapo.pt/noticias/os-projectos-de-biomassa-podem-acabar-ainda-antes-de-comecarem_5310.html

Caríssimos, a tarifa atribuída pelo Governo já deve ter uma forte componente de subsídio, o que significa que esta actividade não é competitiva à partida. Aumentar o subsídio a uma actividade não competitiva não gera competitividade em lado nenhum.

Quando investiram já sabiam qual a tarifa, qual a razão para protestos agora? Tudo isto me parece um enorme disparate. A biomassa não deve ser boa para produzir electricidade, mas é bem capaz de ser competitiva a produzir calor. Porque não vendem a biomassa às cimenteiras, que até devem ter interesse em vender direitos de emissão de CO2 (sobram-lhes direitos se substituírem fuelóleo por biomassa)? É claro que é menos glamoroso, mas deve fazer muito mais sentido, quer do ponto de vista económico, quer ecológico.

sábado, 7 de março de 2009

Magalhanês

Já há muito que se tinha percebido que o computador Magalhães era uma palhaçada mal pensada e mal preparada. Temos agora mais uma escandalosa prova da precipitação: os jogos educativos estão cheios de erros de português dos mais grosseiros.

É para lá de vergonhoso que um projecto do ministério da Educação contenha tantos erros e diminui ainda mais a nossa já debilitada confiança na actual equipa governativa.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Taxa Tobin para off-shores

Volta à baila a conversa de acabar com os off-shores, o que é um pouco estranho porque, quase por definição, uma off-shore está fora da jurisdição dos principais países. Mais do que acabar com os off-shores, o que é preciso é mudar a relação com os off-shores.

Assim, proponho que se estabeleça uma taxa Tobin sobre todas as transacções financeiras envolvendo off-shore. Se um banco da UE envia (ou recebe) uma transferência de um off-shore, passa a pagar uma taxa de, digamos, 1% sobre o montante da transferência. Pagamento de juros? Pagamento de dividendos? Amortização de obrigação? Paga taxa.

Esta medida vai acabar com os off-shores? É óbvio que não, mas penso que terá dois tipos de impacto. Por um lado, reduz drasticamente a rentabilidade da especulação financeira de muito curto prazo, pelo que parte dela desapareceria. Em segundo lugar, mesmo que o montante estacionado em off-shores não sofresse uma queda pronunciada, passaria a ser possível obter receitas para os cofres públicos desses fundos. Pelo menos a evasão fiscal deixava de ser completa.

Défices externos a Leste

Em vários países da Europa de Leste os bancos incentivaram as famílias a endividarem-se em euros, para beneficiarem de taxas de juro mais baixas. Esta política foi uma imprudência incompreensível, dados os elevados défice externos em muitos desses países. É óbvio que um défice externo obriga, mais tarde ou mais cedo, a uma depreciação da moeda. Logo, o endividamento em moeda externa corre o risco de receber uma forte subida com a depreciação da moeda.

É muito estranho, mas não inédito, que a facilidade de obter financiamento no curto prazo tenha feito esquecer um princípio económico básico.

Fala-se agora em facilitar a entrada destes países na zona do euro, nomeadamente em exigir apenas um ano de estabilidade cambial, até para ajudar a resolver o problema atrás referido. Não me oponho a esta “flexibilização” do critério de entrada, mas considero essencial que se assegure o equilíbrio externo.

Um dos maiores erros portugueses foi ter entrado no euro com graves perdas de competitividade e um défice externo descontrolado. Por um lado, era bom que os nossos erros servissem de lição aos novos participantes na zona do euro. Por outro lado, era bom pensar em criar condições dentro da zona do euro para facilitar a recuperação da competitividade, uma vez que o instrumento da desvalorização deixa de estar disponível dentro da união monetária.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Prioridades e consistência

Sócrates acha mais importante ir chover no molhado no Congresso do PS, onde foi eleito com uma maioria albanesa, sem o menor espaço para contraditório, do que em participar numa cimeira extraordinária europeia que vai discutir a crise internacional.

Esta escolha revela as estranhas prioridades deste PM e a sua continuada falta de compreensão da crise internacional.

Mas há ainda um elemento de falta de inteligência/consistência. Segundo o guião (falso) do governo as nossas dificuldades devem-se exclusivamente à crise internacional. Ao faltar à reunião europeia, o PM está a desvalorizar a crise internacional e a desvalorizar a importância desta na nossa conjuntura.

Descaramento

Sócrates vem apelar à “ética democrática”. Considera que “há um combate decisivo a travar pela decência na vida democrática”.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1367056&idCanal=23

Um PM que se tem especializado em trafulhices nos mais variados domínios, entre a mentira óbvia (Orçamento de 2009, estudo da “OCDE”) e as nebulosas mal esclarecidas (licenciatura, projectos de arquitectura, etc.), vem falar em “ética” e "decência".

Mas será que ele não percebe que para a maioria dos portugueses ele é a última pessoa que pode invocar tais preceitos? Até onde vai o descaramento desta personagem? Aliás o próprio descaramento é, em si mesmo, um sinal da falta de ética e de decência do próprio Sócrates.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Muitos parabéns a Alexandre Soares dos Santos

Alexandre Soares dos Santos, “dono” da Jerónimo Martins, resolveu criar a Fundação Francisco Manuel dos Santos, em nome do seu avô materno, que viveu entre 1876 e 1953.

Esta fundação tem um objectivo diferente do comum, o que já seria de saudar, mas é ainda mais de saudar o seu objectivo concreto: “realizar com total independência estudos que permitam conhecer melhor a sociedade, disponibilizá-los e colocá-los à discussão” (Público de hoje, P2, p. 5). Também excelente é a escolha do seu primeiro presidente: o sociólogo António Barreto, uma voz inconformada com a mediocridade nacional.

Um dos primeiros projectos será reunir uma base online de estatísticas sobre o país. Espera-se que este projecto em si coloque pressão sobre o INE para racionalizar a sua prestação de informação. É estranhíssima a dificuldade em conseguir séries cronológicas no site do INE. Quase parece que o INE não percebe a importância em lidar com os utilizadores profissionais de estatísticas. Quando digo “profissionais” não falo dos que, na sua profissão, usam estatísticas de forma amadora. Falo dos que as usam de forma mesmo profissional.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Juristas loucos

Em princípio quem mente nas Comissões Parlamentares de Inquérito pode ser condenado por crime de falsidade de testemunho. “Mas esta é uma interpretação da lei. Outra é que, pelo facto de não prestarem juramento (ao contrário do que sucede em tribunal), os depoentes não podem ser acusados de falso testemunho.” Expresso de hoje, p. 5.

Mas que barbaridade é esta? Só porque não se faz juramento pode-se mentir à vontade? E já agora se se pode mentir à vontade nas Comissões Parlamentares de Inquérito, para que se existem estas Comissões? Deixar impunes mentiras nestas Comissões, para além de ser uma monstruosidade incompreensível, é mais uma machadada na credibilidade do parlamento.