quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Constâncio que se demita

Constâncio, para justificar a diferença entre as previsões do BdP e as da Comissão Europeia, vem dizer que a economia mudou nas últimas duas semanas. Isto é uma piada? Constâncio está a comportar-se como um animal acossado, aflito. As caixas de comentários, no Público por exemplo, são altamente esclarecedores sobre o descrédito generalizado que o afectam.

Para bem do BdP era mil vezes preferível que Constâncio se demitisse. Mas já sabemos que ele está mais interessado em se servir da sua posição para ajudar o governo do que servir o BdP e o país.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Deixem falir o BPP

A 30 de Novembro de 2008, a Privado Holding, que detém 100% do BPP, estava insolvente, com capitais próprios negativos em 15 milhões de euros (Público de hoje, p. 35). É provável, mas não está esclarecido, que o próprio BPP esteja em situação semelhante. Se o modelo de negócio do BPP ainda faz sentido (o que é muito duvidoso), faz muito mais sentido começar tudo de novo, sem estas perdas acumuladas. Mas se o modelo não faz sentido, qual é a lógica de os actuais accionistas realizarem aumentos de capital, deitando bom dinheiro para cima de mau dinheiro? Se eu fosse accionista e ainda tivesse liquidez disponível (o que não parece ser o caso de muitos dos actuais accionistas), não iria a nenhum aumento de capital. E, sobretudo, não se atrevam a meter dinheiro público neste buraco.

A falência tem um lado pedagógico, sobretudo neste caso em que se trata de penalizar a ganância imprudente.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Serviço público

“Iniciativa da Associação Nacional para o Software Livre
“Site particular permite saber tudo o que o portal das compras públicas não mostra”

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1356275&idCanal=12

Ainda não pesquisei o site referido, mas só ler os comentários é já muito esclarecedor, revelando um nível de corrupção despudorado. Espero bem que esta investigação não fique por aqui e que muitos presidentes de câmara percam os mandatos ou se emendem.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Recessão e défice externo

A revisão em baixa da previsão do PIB de 2008 pelo Banco de Portugal tem implícito uma queda no último trimestre do ano de quase 1%. Para 2009 continuam as quedas (-0,8% no conjunto do ano) e para 2010 provavelmente ainda algumas quedas de modo que o conjunto do ano se fica apenas por uns míseros 0,3%.

A diminuição do défice externo para 2009 deve-se exclusivamente à redução do preço das matérias-primas, enquanto a subida para 2010 resulta de uma deterioração da balança de rendimentos, bem de um “aumento limitado e gradual das taxas de juro”.

O défice externo flutua em função de influências externas, não havendo nenhuns efeitos de políticas nacionais de recuperação da competitividade que possam: 1º) abrandar o actual ritmo explosivo de crescimento da dívida externa; 2º) mais tarde, colocar mesmo um tecto na dívida externa em percentagem do PIB.

Neste contexto estranham-se as declarações de Constâncio: "No curto prazo, conter mais o crescimento do endividamento externo implicaria o agravamento da recessão, que não seria aceitável face aos riscos de desemprego e perda de rendimento que implica" (Público de hoje, p. 2). Não existe apenas uma forma de conter o endividamento externo (conter a procura privada), existem várias (eg, melhorar a competitividade). Portugal não precisa de conquistar novos mercados com o mundo em recessão, precisa de conquistar o seu próprio mercado, invadido por produções mais competitivas do que a portuguesa. E este objectivo faz sentido não só no curto prazo, como a mais longo prazo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Tonterias e cobardia

Segundo o Diário de Notícias de hoje (p. 14), “Menezes ainda pode surpreender com congresso”. Esta coisa de andar em danças sucessivas de cadeiras só pode deteriorar a imagem do PSD junto do eleitorado, coisa que não parece preocupar sobremaneira Menezes. Mas, a juntarmos estas tonterias temos a cobardia de não se assumir claramente como candidato à liderança. Se quer mesmo agitar as águas, seja consequente e assuma-se como candidato. Se não, ficamos neste disparate que é ser apenas contra a actual liderança, mas não tem uma alternativa credível para a contestar. Está a fazer internamente o que critica Manuela Ferreira Leite de fazer no país.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Passos Coelho merecia mais

Considero que Passos Coelho ainda não tem currículo para ser PM. Parece-me mesmo que seria um desastre Portugal voltar a ter um PM quase sem experiência executiva, como foi o caso de Guterres. Isto dito, parece-me que Passos Coelho tem tido um comportamento que é genericamente de louvar. Hoje no Expresso, p. 6, afasta liminarmente a hipótese de um congresso antes de eleições. Penso que Manuela Ferreira Leite faria bem em o acolher numa posição próxima. Passos Coelho é uma óbvia mais valia e aumentava a unidade do partido, sobretudo agora que os santanistas já devem estar quase calados. Sobravam só os menezistas, completamente desacreditados.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Independência

Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, preserva a independência na entrevista de hoje ao Público. Destaco:

“Neste momento, o único banco a que o Governo pode tirar a garantia do Estado é a Caixa Geral de Depósitos (CGD), que foi o único que a utilizou.”

“Todos temos que estar disponíveis para nos sentarmos à volta da mesa e discutir quais são as melhores soluções. Não vejo nenhuma vantagem em andarmos a atirar pedras uns aos outros. Isso não vai ajudar a resolver os problemas.” Revela mais serenidade do que o governo.

“Portugal é um dos países com um dos maiores défices da BTC do mundo. Quer em percentagem do PIB, quer em valor absoluto. O país com maior défice da BTC é os EUA, o segundo é a Espanha. E Portugal está nos dez primeiros. E o desafio é este, pois financiar este défice vai ser muito mais difícil do que foi até aqui. E pode até não ser possível.”

“A CGD não pode ser o saco azul do partido que está no governo”

“O que digo é que não está excluído que o BPP tenha que ser liquidado e não está excluído que o BPP tenha capitais próprios negativos.” [Meus sublinhados].

sábado, 20 de dezembro de 2008

Espertalhices

Há um grupo de clientes do BPP que parece que tenciona processar o banco porque aplicou poupanças em produtos com rendimento mínimo garantido e pretendem que este produto deveria ser equiparado a um depósito a prazo. Se tinha um rendimento mínimo quer dizer que tinha um rendimento variável. Logo, é impossível de confundir com um depósito a prazo. Não venham agora fazer o teatro de abéculas financeiras, que praticamente não percebiam nada do que estavam a fazer.

Se tiverem razão e o BPP não falir pode ser que recebam o seu dinheiro. Mas se o BPP falir é inadmissível que sejam ressarcidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos, gerido pelo Banco de Portugal.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Inflação em mínimos de 4 décadas

A inflação homóloga “afundou” de 2,3% em Outubro para 1,4% em Novembro, sobretudo devido à queda do preço dos combustíveis. Este valor da taxa homóloga é o menor da série disponibilizada pelo Banco de Portugal desde 1977. Um nível tão baixo de inflação só deve ter igual em meados dos anos 60.

É prematuro dizer que esta desaceleração é sinal da recessão em que devemos ter entrado no 3º trimestre deste ano, mas tudo indica que os preços deverão continuar a desacelerar.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Resposta à crise?

A resposta à crise deve basear-se em três pilares: reformas estruturais para os problemas internos anteriores à crise e que foram agravados pela crise (baixo potencial de crescimento e elevado endividamento externo); reformas estruturais aos problemas levantados pela crise no sector financeiro; resposta conjuntural aos problemas da desaceleração económica.

Como é habitual, este governo não tem um pensamento estratégico e julga que esta crise é uma mera crise conjuntural, só tendo prestado atenção ao 3º pilar, conjuntural. Relembre-se que o item em que o ministro das Finanças teve pior classificação foi justamente na incapacidade de lidar com a crise financeira. Aliás, este reconhecimento tão tardio da situação só reforça a má classificação do FT.

Em relação à resposta limitada do governo, parece que este tem a intenção de gastar 0,8% do PIB, com a ideia piedosa de ajudar a combater os efeitos da crise. Desde logo, note-se a falta clamorosa de apoio aos desempregados. É para lá de lírico pensar que os apoios ao emprego vão impedir a subida do desemprego.

http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Conselho_de_Ministros/Comunicados_e_Conferencias_de_Imprensa/20081213.htm

Depois a trafulhice, mais uma, do impacto orçamental. As contas simplistas do governo parecem ser: tínhamos um défice de 2,2%, vamos gastar mais 0,8%, ficamos com um défice de 3,0%. Ridículo. Se temos uma forte revisão do cenário macro (implícita no pacote anti-crise), então a anterior previsão de despesa leva a um défice muito superior aos 2,2%. Logo, o novo défice será muito acima dos 3%. A não ser que o governo tencione inventar mais umas quantas manigâncias, às muitas que já lá estavam para assegurar os milagrosos 2,2%.