sábado, 13 de dezembro de 2008

Depressão de JPP

Pacheco Pereira escreve de novo sobre o PSD no Público, p. 41. É muito possível que a sua análise muito a negativa sobre o estado do PSD esteja correcta. Ele tem muitíssimo mais experiência sobre a matéria que eu e parece-me razoável o quadro que traça. Já o final revela um estado de depressão acentuada:

“E por isso tudo é frágil e vai continuar a ser frágil, e pode cair como um castelo de cartas a qualquer momento.”

Não há aqui uma réstia de esperança, não há um condicional, nada. Isto já me parece completamente excessivo. Uma razão de esperança está no Instituto Francisco Sá Carneiro, cujo potencial está longe de estar verdadeiramente utilizado e, sobretudo, publicitado. Há ainda o Gabinete de Estudos, que começou com o pé esquerdo, mas está em vias de ser reformulado. De qualquer forma, não é certamente verdade que não haja nada que a actual direcção possa fazer para alterar o actual estado de coisas. Há muito que pode e deve ser feito. E se, como JPP diz, “a maioria dos eleitores reais e potenciais do PSD [desejam] um partido diferente, credível, sério e mais honesto”, então a actual direcção até está com a estratégia correcta, embora eu a considere um pouco atrasada no calendário.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Meter a viola no saco

Os dados do PIB do 3T08 obrigam o governo a meter a viola no saco. A economia já se contraiu no 3º trimestre, pelo que parece quase certo que vamos entrar em recessão técnica ainda em 2008.

Confirma-se ainda que a procura interna continua a crescer claramente acima do PIB, com este com mais dificuldade em crescer devido à contribuição negativa do sector externo. Ou seja, o nosso crescimento continua vítima da falta de competitividade, muito mais do que com problemas de debilidade da procura interna.

Logo, insistir na conversa de estimular a procura interna através do investimento público é como insistir em tomar remédios para os pulmões, quando se tem uma doença de coração.

Acrescente-se que as últimas estimativas de crescimento publicadas no Economist colocam as principais economias desenvolvidas com quedas do PIB em 2009 de praticamente 1%. Adivinhem lá o que nos espera?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

VPV, cientista

Vasco Pulido Valente, enquanto insulta, perdão, comenta a fúria anti-neoliberal de João Ferreira do Amaral and friends (no Público de hoje), deleita-nos com a seguinte pérola: a economia não é, “por nenhum critério, uma ‘ciência’. Se o fosse, não haveria agora crise (ou haveria agora crise com um remédio prescrito e infalível)”

Seguindo esta linha de raciocínio, se existe uma pessoa (ou mesmo muitas) com um cancro incurável, então podemos concluir que a medicina não é uma ciência. Se existe um campo do saber em que há questões sem resposta claríssima, então esse campo do saber não é científico. Ainda não temos uma teoria unificada da física? Azar, então a física não pode ser considerada uma ciência. Etc, etc…

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Indemnizações no BPN?

O Deutsche Bank e Deloitte vão realizar uma avaliação do BPN. Acharei muito estranho que cheguem a um valor positivo. O mais natural é que se conclua que o BPN está falido. Logo, os seus accionistas não deverão receber qualquer indemnização.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Custo ou preço?

Parece que o bilhete Lisboa-Porto do TGV vai ter um preço de 40€. Infelizmente, não somos informados do verdadeiro custo da viagem. Será que o verdadeiro custo é o dobro do preço? Qual vai ser o subsídio por viagem?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Divergência segue dentro de momentos

Segundo a OCDE, a economia portuguesa “só” vai cair 0,2% em 2009, enquanto a da zona do euro deverá cair 0,6%. Pondo de lado a estranheza desta previsão (a nossa posições é mais frágil), os mais afoitos deverão evitar abrir já as garrafas de champanhe. Na verdade, para 2010 a divergência volta: Portugal deverá crescer apenas 0,6%, enquanto a zona do euro consegue recuperar já para 1,2%. Ou seja, no conjunto dos dois anos mantém-se a trajectória de divergência.

Como já tenho insistido, isto só pode ser assim, já que o nosso governo continua a ignorar/desvalorizar o carácter estrutural da nossa divergência face à UE.

Entretanto, a OCDE faz as mais terríveis previsões sobre o desemprego: deverá subir de 7,6% em 2008 para 8,5% em 2009 e 8,8% em 2010. Estes são os valores mais pessimistas até agora apresentados e fazem prever que o desemprego será um tema de topo nas campanhas eleitorais de 2009.

Constitucionalistas estranhos

Para além da regra jurídica do “escolha uma tese que eu provo-lhe a contrária”, que nos habituou a ouvir pareceres para todos os gostos, temos também o prazer de ouvir os pareceres mais insensatos que é possível imaginar.

Desta feita é a de que o PR não pode demitir um Conselheiro de Estado que ele nomeou por escolha pessoal. Estes juristas parecem viver numa torre de marfim, onde o bom senso está proibido de entrar.

domingo, 23 de novembro de 2008

Falta de tudo

Marco António Costa vem defender a teoria absurda de que “o cavaquismo está a ser assassinado”. Tentar ver no caso BPN uma tentativa espúria de assassinato do cavaquismo é das atitudes mais absurdamente erradas. Em primeiro lugar, toda a gente já percebeu que Oliveira e Costa cometeu um sem número de tropelias na gestão do banco, que o levaram à falência. Tentar inventar uma cabala para justificar a prisão preventiva do mesmo ou soa a idiotice ou soa a tentar cobrir corrupção. Venha o diabo e escolha.

Em segundo lugar, um conjunto (quero crer minoritário) de antigos governantes do tempo de Cavaco não pode, de maneira nenhuma, ser confundido com cavaquismo. Pode haver ideia mais imbecil do que querer fazer cavaquismo sinónimo de corrupção?

Neste momento, a única atitude inteligente do PSD é manter-se afastado o mais possível do BPN, condenar todas as ilegalidades e prometer a expulsão do partido de todos os que vierem a serem condenados na justiça.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Aval ao BPP deveria ser recusado

O BPP não é um banco comum, não recebe depósitos nem concede créditos. Para além de gerir fortunas, uma actividade supostamente de baixo risco, tem uma actividade de alto risco: private equity. O private equity ainda é mais arriscado do que a bolsa, porque envolve em geral empresas não cotadas. Ou seja, tudo indica que o BPP precisa de financiamento para evitar vender ao desbarato as participações que se têm desvalorizado imenso. Emprestar dinheiro ao BPP não tem nada a ver com facilitar o acesso do crédito à economia, mas apenas o facilitar da especulação accionista do banco.

Faz algum sentido o Estado dar aval para especulação accionista? Este não é o pior momento para essa actividade? Emprestar 750 milhões de euros para quê? Com que garantias se o capital do banco é (será ainda?) de apenas 125 milhões de euros?