O PS sobre o casamento gay, depois de (tentar) insultar Manuela Ferreira Leite, vai impor disciplina à sua bancada e proibi-la de votar a favor. Que bem escreve Luís Nunes Vicente: “MFL disse o que sinceramente pensa sobre o assunto. Com razão ou sem ela, é preferível essa posição à manha pré-eleitoral de um partido pseudo-fracturante. Dizer o que se pensa, sem medo das consequências, é um sinal de respeito para com a cidade.”
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Muito esclarecedor
O PR disse ontem “que qualquer ofensa à dignidade e ao prestígio do poder judicial constitui uma ameaça grave para a democracia de qualidade a que aspiramos”. Infelizmente, esqueceu-se de referir todas as ofensas perpetradas pelos juízes, por acção e, especialmente, por omissão. Se há causas externas para o descalabro a que chegou a justiça (qualquer semelhança com Justiça é mera coincidência), porque é que os juízes não reivindicam que esses problemas sejam resolvidos, em vez de fazerem reivindicações salariais num momento de grave crise económica? Aliás, como é que deixaram que as coisas chegassem a este estado (volta Salgueiro Maia)?
Ler os comentários no Público a esta notícia é muito esclarecedor. A esmagadora maioria é altamente crítica dos juízes. Parece que estamos perante uma classe profissional que, pelo menos ao mais elevado nível, padece de um grave problema de autismo.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1342970&idCanal=62
A mensagem do presidente do STJ então é extraordinária, ao fazer-se Presidente do sindicato e fazer reivindicações salariais! Ainda por cima com a chantagem de que salários baixos podem por em causa a independência dos juízes. O quê? O Presidente do STJ acredita que os juízes só não são corrompidos se forem muito bem pagos? Como é possível confiar em tais juízes? E então o que se pode esperar do comportamento de todos os portugueses que ganham muito menos do que os juízes?
Ler os comentários no Público a esta notícia é muito esclarecedor. A esmagadora maioria é altamente crítica dos juízes. Parece que estamos perante uma classe profissional que, pelo menos ao mais elevado nível, padece de um grave problema de autismo.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1342970&idCanal=62
A mensagem do presidente do STJ então é extraordinária, ao fazer-se Presidente do sindicato e fazer reivindicações salariais! Ainda por cima com a chantagem de que salários baixos podem por em causa a independência dos juízes. O quê? O Presidente do STJ acredita que os juízes só não são corrompidos se forem muito bem pagos? Como é possível confiar em tais juízes? E então o que se pode esperar do comportamento de todos os portugueses que ganham muito menos do que os juízes?
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terça-feira, 16 de setembro de 2008
Consequências da falência do Lehman Brothers
O desfecho inesperado da crise na Lehman (ainda na semana passada havia vários interessados na compra) e a ideia que ainda não chegámos ao fim da crise no crédito, deverão alargar os spreads de crédito e apertar as condições da sua concessão. A falta de confiança entre bancos ainda está para durar. Os bancos centrais (mesmo que o quisessem) não deverão ser capazes de contrariar o aperto do crédito, porque a escassez é de confiança e não de liquidez. Assim, teremos ainda mais arrefecimento económico do que já vinha sendo previsto.
Este arrefecimento vai abrandar a inflação (como se vê já no petróleo), mas é improvável que a nesga de espaço para respirar permita uma descida das taxas de juro pelo BCE. Mas como parece que a procissão ainda vai no adro…
Este arrefecimento vai abrandar a inflação (como se vê já no petróleo), mas é improvável que a nesga de espaço para respirar permita uma descida das taxas de juro pelo BCE. Mas como parece que a procissão ainda vai no adro…
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Terramoto em Wall Street
O 4º maior banco de investimento em Wall Street, Lehman Brothers, acaba de pedir protecção de falência. Dos outros três, a Merryl Lynch conseguiu proteger-se aceitando ser comprado pelo Bank of América. Restam, por enquanto incólumes, o Morgan Stanley e o Goldman Sachs. Veremos quanto mais vai mudar nos próximos tempos.
http://www.ft.com/cms/s/0/f8834910-82aa-11dd-a019-000077b07658.html
Estas últimas reviravoltas retomam a crise do crédito, podendo estender-se a todo o mundo, inclusive Portugal, onde o sector bancário está profundamente dependente do crédito externo. Havia alguma expectativa de que a crise económica ainda estivesse para vir, como impacto ao retardador da crise no crédito. Infelizmente, as notícias que nos chegam é que no epicentro do terramoto, a terra ainda treme.
http://www.ft.com/cms/s/0/f8834910-82aa-11dd-a019-000077b07658.html
Estas últimas reviravoltas retomam a crise do crédito, podendo estender-se a todo o mundo, inclusive Portugal, onde o sector bancário está profundamente dependente do crédito externo. Havia alguma expectativa de que a crise económica ainda estivesse para vir, como impacto ao retardador da crise no crédito. Infelizmente, as notícias que nos chegam é que no epicentro do terramoto, a terra ainda treme.
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Para quem ainda tinha dúvidas
Ontem o preço do petróleo (Brent) caiu abaixo da marca psicológica dos 100 dólares. Logo a OPEP anunciou uma redução simbólica da produção. Alguém precisa de mais alguma prova de que a OPEP é a maior especuladora no preço do petróleo? Com uma vantagem muito significativa sobre os especuladores que actuam atomisticamente no mercado financeiro dos futuros de petróleo: a OPEP tem mesmo capacidade de influenciar o preço.
Desenganem-se os que acreditaram na existência de uma bolha especulativa e que o preço cairia claramente abaixo dos 100 dólares: a OPEP não vai deixar. O 3º choque petrolífero está mesmo para ficar. Há agora uma pausa para respirar enquanto a economia mundial está a arrefecer. Dos países do G7 só o Canadá deverá crescer mais em 2009 do que em 2008. A retoma deverá chegar em 2010, mas os mercados financeiros têm por hábito antecipá-la, pelo que em meados de 2009 é provável que voltem as subidas de preços do petróleo.
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terça-feira, 9 de setembro de 2008
Economia está a “resistir”?
Mais cedo do que se esperava o governo teve que engolir a conversa de que a economia estava a resistir. Afinal, em vez de ter estabilizado nuns fracos 0,9% (em termos homólogos) no 2º trimestre, o PIB continuou a desacelerar para 0,7%. A probabilidade de crescer sequer 1% no conjunto do ano é cada vez mais reduzida.
Há uma ligeira boa notícia no facto de a contribuição da procura externa líquida ter sido menos negativa (de -1,5p.p. para -0,9p.p.), embora aqui o alívio foi o ter-se passado de uma situação péssima para uma situação má. É uma melhoria, mas não se justifica abrir uma garrafa de champanhe (importado…). Se o governo tivesse apostado num programa agressivo de recuperação de competitividade, mesmo num contexto de desaceleração económica global, Portugal poderia estar a receber um contributo positivo deste lado. Assim, estamos neste apeadeiro.
Há uma ligeira boa notícia no facto de a contribuição da procura externa líquida ter sido menos negativa (de -1,5p.p. para -0,9p.p.), embora aqui o alívio foi o ter-se passado de uma situação péssima para uma situação má. É uma melhoria, mas não se justifica abrir uma garrafa de champanhe (importado…). Se o governo tivesse apostado num programa agressivo de recuperação de competitividade, mesmo num contexto de desaceleração económica global, Portugal poderia estar a receber um contributo positivo deste lado. Assim, estamos neste apeadeiro.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Péssimas notícias
O Economist poll of forecasters de Setembro deteriorou-se fortemente face ao mês anterior. Quando parecia que se assistia a um desacelerar da deterioração de perspectivas, eis que o pessimismo acelera.
O crescimento para a zona do euro em 2008 já só deverá ser 1,3% (contra expectativa de 1,6% no mês anterior) e em 2009 as coisas deverão a piorar, com o PIB a crescer apenas 0,9% (1,2% no mês anterior).
Duas ideias a reter: 1) com o padrão de correlação nas previsões, é altamente improvável que tenhamos chegado ao fim das revisões em baixa; 2) confirma-se, mas não se agrava por enquanto, a ideia de que 2009 vai ser pior do que 2008.
Neste quadro aguarda-se com curiosidade acrescida quais as “previsões” que o governo vai escolher apresentar dentro de um mês no relatório do Orçamento. Com o irrealismo que tem caracterizado as “previsões” do governo, teme-se que insista ainda em cenários cor-de-rosa. Ou vai assumir a realidade e reduzir em fortíssima baixa as previsões que vinha apresentando até aqui? Em qualquer dos casos irá sempre pagar caro pelo erro indesculpável do “optimismo” passado.
Evidentemente que o pior de tudo vai ser explicar como é que, de repente (segundo o discurso oficial) no ano de eleições a economia ainda vai crescer menos que em 2008. Se Portugal estava a “resistir” tão bem, como explicar que nos vamos afundar para o ano? E que esperar do desemprego, uma das variáveis eleitoralmente mais relevantes? O desemprego é das variáveis mais desfasadas (entre 3 a 6 trimestre atrasada em relação ao PIB). Logo, mesmo que a recuperação chegue no 2º semestre de 2009 (uma ideia não demasiado optimista), ela chegará demasiado tarde para o actual governo, que deverá chegar às eleições horrorizado com a subida sucessiva da taxa de desemprego.
O crescimento para a zona do euro em 2008 já só deverá ser 1,3% (contra expectativa de 1,6% no mês anterior) e em 2009 as coisas deverão a piorar, com o PIB a crescer apenas 0,9% (1,2% no mês anterior).
Duas ideias a reter: 1) com o padrão de correlação nas previsões, é altamente improvável que tenhamos chegado ao fim das revisões em baixa; 2) confirma-se, mas não se agrava por enquanto, a ideia de que 2009 vai ser pior do que 2008.
Neste quadro aguarda-se com curiosidade acrescida quais as “previsões” que o governo vai escolher apresentar dentro de um mês no relatório do Orçamento. Com o irrealismo que tem caracterizado as “previsões” do governo, teme-se que insista ainda em cenários cor-de-rosa. Ou vai assumir a realidade e reduzir em fortíssima baixa as previsões que vinha apresentando até aqui? Em qualquer dos casos irá sempre pagar caro pelo erro indesculpável do “optimismo” passado.
Evidentemente que o pior de tudo vai ser explicar como é que, de repente (segundo o discurso oficial) no ano de eleições a economia ainda vai crescer menos que em 2008. Se Portugal estava a “resistir” tão bem, como explicar que nos vamos afundar para o ano? E que esperar do desemprego, uma das variáveis eleitoralmente mais relevantes? O desemprego é das variáveis mais desfasadas (entre 3 a 6 trimestre atrasada em relação ao PIB). Logo, mesmo que a recuperação chegue no 2º semestre de 2009 (uma ideia não demasiado optimista), ela chegará demasiado tarde para o actual governo, que deverá chegar às eleições horrorizado com a subida sucessiva da taxa de desemprego.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Para quê?
Segundo o DN de hoje (supl. DN Bolsa, p. 7), Sócrates afirmou que o PIB deverá crescer em 2008 entre “1,2% e 1,5%”, abaixo dos 1,5% anunciados em Maio.
1) Qual a utilidade de uma estimativa pouco trabalhada e sem credibilidade? Se no 1º semestre o PIB cresceu 0,9% e tudo indica que 2009 vai ser pior que 2008, a que propósito vamos ter um segundo semestre milagroso?
2) Estamos no final do 3º trimestre de 2008. Qual a utilidade de apresentar uma estimativa coxa para um ano que está próximo do fim e não apresentar uma previsão para 2009, neste momento radicalmente mais importante, quando as empresas começam a preparar os seus orçamentos para o ano que vem?
Para quê um valor pouco credível para um indicador com utilidade decrescente (PIB de 2008) e um silêncio sobre o que verdadeiramente interessa (PIB de 2009)? O objectivo é agravar a perda de credibilidade das previsões do governo?
1) Qual a utilidade de uma estimativa pouco trabalhada e sem credibilidade? Se no 1º semestre o PIB cresceu 0,9% e tudo indica que 2009 vai ser pior que 2008, a que propósito vamos ter um segundo semestre milagroso?
2) Estamos no final do 3º trimestre de 2008. Qual a utilidade de apresentar uma estimativa coxa para um ano que está próximo do fim e não apresentar uma previsão para 2009, neste momento radicalmente mais importante, quando as empresas começam a preparar os seus orçamentos para o ano que vem?
Para quê um valor pouco credível para um indicador com utilidade decrescente (PIB de 2008) e um silêncio sobre o que verdadeiramente interessa (PIB de 2009)? O objectivo é agravar a perda de credibilidade das previsões do governo?
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Caricatura de expectativas
O meu artigo deste mês no Jornal de Negócios.
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domingo, 31 de agosto de 2008
Humor político
De Alberto Gonçalves no DN de hoje:
“[O agressor] só é criminoso se for de direita e [o agredido] só é vítima se se inclinar para a esquerda.”
http://dn.sapo.pt/2008/08/31/opiniao/dias_contados.html
“[O agressor] só é criminoso se for de direita e [o agredido] só é vítima se se inclinar para a esquerda.”
http://dn.sapo.pt/2008/08/31/opiniao/dias_contados.html
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