Santana Lopes quer sair de líder da bancada parlamentar, para não ser humilhado por Sócrates, depois de se ter esticado muitíssimo nas críticas ao PM. Faz bem. Só que depois erra ao marcar eleições para novo líder da bancada antes do Congresso. Que ele saia, tudo bem, mas pode muito bem ser substituído interinamente.
Qual a importância nas eleições de 2009 de num dos debates parlamentares de Jun-08 o PSD estiver representado de forma relativamente fraca? Zero. Então para quê envolver-se no disparate duma eleição de líder precipitada? Uma das características dos “políticos” é darem uma importância desmesurada a questões do quotidiano político, que não interessam nada aos eleitores.
Manuela Ferreira Leite vem já revelar poder e bom senso ao travar este disparate.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
A diferença entre os cereais e o petróleo
Para os defensores das culpas dos “especuladores” chamo a atenção para o facto de o preço do trigo já ter caído 37% desde o máximo deste ano, enquanto o arroz já caiu 23%.
Ora, então não é que os especuladores levaram a quedas brutais nos preços dos cereais? Como se explica que os especuladores que, parece que especulam quase só porque têm imensos fundos e não sabem o que lhes hão-de fazer, tenham apostado nessas quedas de preços?
Não será que isto chega para explicar que o que os especuladores fazem é antecipar as condições de mercado que se antevêem? Nos cereais há margem para responder rapidamente ao aumento de preços com aumentos de produção. No caso do petróleo é mais complicado, porque o maior especulador neste mercado, a OPEP, já jurou que não vai responder com aumentos de produção. Reforçando assim a aposta dos especuladores.
Ora, então não é que os especuladores levaram a quedas brutais nos preços dos cereais? Como se explica que os especuladores que, parece que especulam quase só porque têm imensos fundos e não sabem o que lhes hão-de fazer, tenham apostado nessas quedas de preços?
Não será que isto chega para explicar que o que os especuladores fazem é antecipar as condições de mercado que se antevêem? Nos cereais há margem para responder rapidamente ao aumento de preços com aumentos de produção. No caso do petróleo é mais complicado, porque o maior especulador neste mercado, a OPEP, já jurou que não vai responder com aumentos de produção. Reforçando assim a aposta dos especuladores.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Sócrates confirma que TTT é um disparate
O investimento público deveria estar ao serviço de um plano estratégico nacional de desenvolvimento. Parece relativamente óbvio que o nosso problema de desenvolvimento advém de um atraso de mais de 30 anos no sistema de ensino em relação aos países do alargamento (temos a estrutura de escolarização que eles tinham há 30 anos ou mais), problemas na justiça, falta de liberalização de mercados de bens, rigidez no mercado de trabalho, etc.
Não percebo onde é que o TGV encaixa numa qualquer estratégia de desenvolvimento. O TGV parece ser uma solução para um problema que não existe. Mas “Sócrates apresenta troço do TGV já chumbado” (Diário de Notícias de hoje, p. 45). Mas que bela fuga para a frente.
Entretanto “TGV pode entrar provisoriamente em Lisboa pela Ponte 25 de Abril (Público de hoje, p. 45). Então, se assim é, parece que a Terceira Travessia do Tejo (TTT) é um disparate. Já basta o disparate do TGV, não vamos agravar a asneira com a TTT.
Não percebo onde é que o TGV encaixa numa qualquer estratégia de desenvolvimento. O TGV parece ser uma solução para um problema que não existe. Mas “Sócrates apresenta troço do TGV já chumbado” (Diário de Notícias de hoje, p. 45). Mas que bela fuga para a frente.
Entretanto “TGV pode entrar provisoriamente em Lisboa pela Ponte 25 de Abril (Público de hoje, p. 45). Então, se assim é, parece que a Terceira Travessia do Tejo (TTT) é um disparate. Já basta o disparate do TGV, não vamos agravar a asneira com a TTT.
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segunda-feira, 2 de junho de 2008
“A economia e o voto”
Em mais um interessante e oportuno artigo, Pedro Magalhães (Público de hoje, p. 41) vem explicar-nos que “Portugal é um dos países da UE onde as flutuações na economia têm maior impacto no desempenho eleitoral dos governos.”
Tem ainda o cuidado de introduzir três cautelas: 1) o desemprego é a variável económica mais decisiva e as previsões actuais apontam para uma relativa estabilidade; 2) em economias abertas os eleitores conseguem distinguir entre foco interno e externo do insucesso; 3) economia não é tudo, é necessário alternativa credível.
Em relação à 1ª cautela, e o autor tem o cuidado de fazer esse reparo, as previsões estão em revisão. Acrescento eu que as previsões que têm sido divulgados têm apresentado geralmente uma inconsistência entre PIB e desemprego. O caso extremo do FMI (Abr-08) prevê a economia a crescer menos de 1,5% e o desemprego a baixar. Muito estranho. Que ninguém se deixe iludir pela queda da taxa de desemprego no 1º trimestre de 2008: esta variável é dos indicadores mais desfasados da actividade. Eu antevejo novas revisões em baixa do PIB e desemprego em alta em 2008 e 2009.
Em relação à segunda cautela tenho duas objecções. A primeira, metodológica, é que o estudo citado pelo autor The economy and the vote terá considerado (presumo) essa componente. Como a maioria das nossas crises tiveram origem externa e, mesmo assim, os portugueses respondem mais ao desemprego, não estou a ver como vai agora ser diferente. Mais, e esta é a segunda objecção, Portugal está a sofrer nitidamente mais do que a Europa com a crise internacional. Aliás, estamos próximo de registar a chamada recessão técnica no 1º semestre deste ano, enquanto na Europa só se fala em desaceleração da actividade.
Há ainda aqui outro problema: o erro económico, social e político da descida do IVA, uma decisão da exclusiva responsabilidade deste governo. Descer o IVA foi um erro económico porque as contas públicas não estão consolidadas e a economia está a desacelerar. Socialmente um erro, porque diminui drasticamente a margem de manobra para actuar no apoio social, numa altura em que alterações nos preços relativos da energia e dos produtos alimentares estão a provocar fortes tensões sociais. Politicamente um erro porque vai conduzir a um aumento do défice de 2008 e corre mesmo o risco de voltar a ultrapassar os 3%. Ao fim disto tudo, Sócrates apresentar-se às eleições com o défice outra vez descontrolado parece-me do piorio.
Bem sei que Sócrates já começou a “vender” a ideia de que a desaceleração (ainda muito ligeira segundo a propaganda oficial) vem do exterior, mas há outra crítica de fundo que vai ter de rebater. A política económica do governo tem-se baseado na promoção da procura interna, via grande obras públicas. Para além da duvidosa utilidade de algumas delas (por exemplo o TGV), esta política erra o alvo. A aposta deveria ser na recuperação da competitividade (veja-se a explosão da dívida externa, que já ultrapassou os 90% do PIB) e não na promoção da procura interna. E a aposta do governo não só é má em si mesma como nos coloca na pior posição para enfrentar as crises externas.
Quanto à 3ª cautela, estamos em cima do início de uma nova liderança do PSD e eu confio no seu bom sucesso. De qualquer forma, não me parece que o argumento do tempo colha. Entre o “pântano” de Guterres (Dez-01) e as eleições de Março de 2002 decorreram três meses apenas. De todos os comentários contra o governo de Durão Barroso nunca ouvi nenhuma defesa do tipo “não tivemos tempo para nos prepararmos”. E naquela situação não só o tempo era curto, como a data foi inesperada. Hoje há muito mais tempo e a data das eleições é conhecida há muito tempo.
Tem ainda o cuidado de introduzir três cautelas: 1) o desemprego é a variável económica mais decisiva e as previsões actuais apontam para uma relativa estabilidade; 2) em economias abertas os eleitores conseguem distinguir entre foco interno e externo do insucesso; 3) economia não é tudo, é necessário alternativa credível.
Em relação à 1ª cautela, e o autor tem o cuidado de fazer esse reparo, as previsões estão em revisão. Acrescento eu que as previsões que têm sido divulgados têm apresentado geralmente uma inconsistência entre PIB e desemprego. O caso extremo do FMI (Abr-08) prevê a economia a crescer menos de 1,5% e o desemprego a baixar. Muito estranho. Que ninguém se deixe iludir pela queda da taxa de desemprego no 1º trimestre de 2008: esta variável é dos indicadores mais desfasados da actividade. Eu antevejo novas revisões em baixa do PIB e desemprego em alta em 2008 e 2009.
Em relação à segunda cautela tenho duas objecções. A primeira, metodológica, é que o estudo citado pelo autor The economy and the vote terá considerado (presumo) essa componente. Como a maioria das nossas crises tiveram origem externa e, mesmo assim, os portugueses respondem mais ao desemprego, não estou a ver como vai agora ser diferente. Mais, e esta é a segunda objecção, Portugal está a sofrer nitidamente mais do que a Europa com a crise internacional. Aliás, estamos próximo de registar a chamada recessão técnica no 1º semestre deste ano, enquanto na Europa só se fala em desaceleração da actividade.
Há ainda aqui outro problema: o erro económico, social e político da descida do IVA, uma decisão da exclusiva responsabilidade deste governo. Descer o IVA foi um erro económico porque as contas públicas não estão consolidadas e a economia está a desacelerar. Socialmente um erro, porque diminui drasticamente a margem de manobra para actuar no apoio social, numa altura em que alterações nos preços relativos da energia e dos produtos alimentares estão a provocar fortes tensões sociais. Politicamente um erro porque vai conduzir a um aumento do défice de 2008 e corre mesmo o risco de voltar a ultrapassar os 3%. Ao fim disto tudo, Sócrates apresentar-se às eleições com o défice outra vez descontrolado parece-me do piorio.
Bem sei que Sócrates já começou a “vender” a ideia de que a desaceleração (ainda muito ligeira segundo a propaganda oficial) vem do exterior, mas há outra crítica de fundo que vai ter de rebater. A política económica do governo tem-se baseado na promoção da procura interna, via grande obras públicas. Para além da duvidosa utilidade de algumas delas (por exemplo o TGV), esta política erra o alvo. A aposta deveria ser na recuperação da competitividade (veja-se a explosão da dívida externa, que já ultrapassou os 90% do PIB) e não na promoção da procura interna. E a aposta do governo não só é má em si mesma como nos coloca na pior posição para enfrentar as crises externas.
Quanto à 3ª cautela, estamos em cima do início de uma nova liderança do PSD e eu confio no seu bom sucesso. De qualquer forma, não me parece que o argumento do tempo colha. Entre o “pântano” de Guterres (Dez-01) e as eleições de Março de 2002 decorreram três meses apenas. De todos os comentários contra o governo de Durão Barroso nunca ouvi nenhuma defesa do tipo “não tivemos tempo para nos prepararmos”. E naquela situação não só o tempo era curto, como a data foi inesperada. Hoje há muito mais tempo e a data das eleições é conhecida há muito tempo.
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domingo, 1 de junho de 2008
Parabéns Dra. Manuela Ferreira Leite
MFL ganhou as eleições à presidência do PSD com 38% dos votos, uma votação menor do que eu esperava e gostaria. Passos Coelho (31%), em princípio, será colaborante, o problema serão mais os seus “seguidores”. Já Santana (30%), apesar de tudo com um 3º lugar menos humilhante do que eu esperava, é que poderá ser a maior fonte de problemas.
Menezes perdeu em toda a linha (o seu autismo de dizer que se concorresse ganharia…) inclusive na concelhia de Gaia, onde ganhou Santana.
Passos Coelho ganhou ou perdeu votos por ter apoios de Menezes e outros representantes do PSD populista? É possível que tenha havido movimentos para ambos os lados, com saldo incerto.
Qual a verdadeira repartição entre PSD “sério” e PSD populista? Com a descaracterização da candidatura de Passos Coelho ficou mais difícil de perceber. Mas, na versão mais favorável, poderíamos colocar MFL e PPC de um lado e PSL do outro, o que deixaria o PSD “sério” com maioria qualificada.
Menezes perdeu em toda a linha (o seu autismo de dizer que se concorresse ganharia…) inclusive na concelhia de Gaia, onde ganhou Santana.
Passos Coelho ganhou ou perdeu votos por ter apoios de Menezes e outros representantes do PSD populista? É possível que tenha havido movimentos para ambos os lados, com saldo incerto.
Qual a verdadeira repartição entre PSD “sério” e PSD populista? Com a descaracterização da candidatura de Passos Coelho ficou mais difícil de perceber. Mas, na versão mais favorável, poderíamos colocar MFL e PPC de um lado e PSL do outro, o que deixaria o PSD “sério” com maioria qualificada.
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sábado, 31 de maio de 2008
“Não votem no pior dos passados”
Menezes pediu aos militantes do PSD que “não votem no pior dos passados”. Ou seja, pediu que não votem nas candidaturas de/ou associadas a Menezes e Santana Lopes.
Adenda
Menezes diz: “deixei de ser presidente porque quis” e “canalha que me fez a vida negra”. Não haverá aqui uma “ligeira” incoerência, imagem de marca de Menezes? Será que a saída foi assim tão voluntária? Será que não foi empurrado pela “canalha”?
Adenda
Menezes diz: “deixei de ser presidente porque quis” e “canalha que me fez a vida negra”. Não haverá aqui uma “ligeira” incoerência, imagem de marca de Menezes? Será que a saída foi assim tão voluntária? Será que não foi empurrado pela “canalha”?
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sexta-feira, 30 de maio de 2008
Menezes despede-se em “grande”
Menezes, no seu estilo inimitável, despede-se hoje de presidente do PSD com um artigo inenarrável no Diário de Notícias:
http://dn.sapo.pt/2008/05/30/nacional/regresso_passado_nao.html
Parece que ele recebeu o PSD: “Administrativamente desorganizado, tecnicamente impreparado, financeiramente exangue, afastado da sociedade, sem iniciativa política, sem pensamento estratégico inteligível.” O que vale é que não o deixa nada assim.
Segue-se um rol de auto-elogios, com pérolas do seguinte quilate: “Na frente da política económica fomos claros e acutilantes.” Leram bem? “claros”?
“E ainda nos sobrou tempo e engenho para propostas alternativas globalmente coerentes.” Quanto ao “tempo”, plenamente de acordo; já quanto ao “engenho” as opiniões divergem. Mas em relação à “coerência”, penso que há unanimidade: não houve nenhuma.
Só me ficou uma modesta dúvida: se Menezes presidia a tão excelso programa de gloriosas realizações, porque raio saiu? Ou porque não se recandidatou?
Uma última questão: que disparate é este? “É igualmente seguro que o PSD terá um líder que, pela primeira vez, em 30 anos, não terá a legitimidade de representar uma maioria qualificada de eleitores. Fragilidade insanável em democracia.” Será que Menezes conhece os estatutos do PSD? No entanto, Menezes trai-se porque está aqui a admitir a vitória de Manuela Ferreira Leite. Como muito bem diz Pacheco Pereira, não vale a pena discutir com a criatura. Mas sempre se lhe pode dizer que uma verdadeira “Fragilidade insanável em democracia” é a de um líder que se contradiz a todo o momento, que deixa de ser criticado pelos analistas e passa a ser ridicularizado. Um líder com tamanha “fragilidade”, que não aguenta seis meses e desiste.
http://dn.sapo.pt/2008/05/30/nacional/regresso_passado_nao.html
Parece que ele recebeu o PSD: “Administrativamente desorganizado, tecnicamente impreparado, financeiramente exangue, afastado da sociedade, sem iniciativa política, sem pensamento estratégico inteligível.” O que vale é que não o deixa nada assim.
Segue-se um rol de auto-elogios, com pérolas do seguinte quilate: “Na frente da política económica fomos claros e acutilantes.” Leram bem? “claros”?
“E ainda nos sobrou tempo e engenho para propostas alternativas globalmente coerentes.” Quanto ao “tempo”, plenamente de acordo; já quanto ao “engenho” as opiniões divergem. Mas em relação à “coerência”, penso que há unanimidade: não houve nenhuma.
Só me ficou uma modesta dúvida: se Menezes presidia a tão excelso programa de gloriosas realizações, porque raio saiu? Ou porque não se recandidatou?
Uma última questão: que disparate é este? “É igualmente seguro que o PSD terá um líder que, pela primeira vez, em 30 anos, não terá a legitimidade de representar uma maioria qualificada de eleitores. Fragilidade insanável em democracia.” Será que Menezes conhece os estatutos do PSD? No entanto, Menezes trai-se porque está aqui a admitir a vitória de Manuela Ferreira Leite. Como muito bem diz Pacheco Pereira, não vale a pena discutir com a criatura. Mas sempre se lhe pode dizer que uma verdadeira “Fragilidade insanável em democracia” é a de um líder que se contradiz a todo o momento, que deixa de ser criticado pelos analistas e passa a ser ridicularizado. Um líder com tamanha “fragilidade”, que não aguenta seis meses e desiste.
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quinta-feira, 29 de maio de 2008
Perspectivas económicas pioram, défice espreita
Banco de Espanha descreve como “pronunciada desaceleración” o andamento da taxa de crescimento do PIB homólogo, que passou de 3,5% no último trimestre de 2007, para 2,8% no 1º trimestre de 2008. Trata-se de uma desaceleração generalizada a todas as componentes da procura.
http://www.bde.es/informes/be/boleco/may2008/evo.pdf
Como é evidente, vai sobrar para Portugal. Não só Espanha é nosso principal parceiro comercial, como algum do desemprego português está disfarçado como emprego nas zonas de fronteira do país vizinho.
Se soubesse o que sabe hoje, Sócrates nunca teria descido o IVA. É divertido que ele tenha acusado de “levianas” as propostas de descida de impostos antes de saber como ia a economia no início de 2008. Tinha razão: foi leviano, sim senhor. E, diga-se, também incompreensível. Em termos eleitorais, os eleitores ligam à descida do IVA, mas querem lá saber em que mês ela é anunciada. Ao anunciá-la tão cedo (antes de conhecer a estimativa rápida do PIB do 1º trimestre) Sócrates arriscou muito, já que todos os sinais externos já eram bastante negros. Ainda por cima, o anúncio da descida do IVA muito antes da sua entrada em vigor tem um efeito negativo de atrasar algumas aquisições, que ficam à espera que o IVA baixe. Houve uma medida errada com um timing errado. Com a particularidade de que o timing certo (um pormenor não despiciendo) poderia ter justamente evitado a medida errada.
A probabilidade de o défice de 2008 ficar acima dos 2,6% de 2007 vai crescendo. Vai crescendo de tal maneira, com cada notícia que surge que, não tarda nada, a dúvida se vai ultrapassar os 3% vai-se colocar. Seria um fracasso económico e político estrondoso. Sócrates apresentar-se às eleições com as contas públicas outra vez descontroladas seria correr o sério risco de perder as eleições. Tudo por uma decisão errada (descida do IVA), tomada antes do tempo certo.
http://www.bde.es/informes/be/boleco/may2008/evo.pdf
Como é evidente, vai sobrar para Portugal. Não só Espanha é nosso principal parceiro comercial, como algum do desemprego português está disfarçado como emprego nas zonas de fronteira do país vizinho.
Se soubesse o que sabe hoje, Sócrates nunca teria descido o IVA. É divertido que ele tenha acusado de “levianas” as propostas de descida de impostos antes de saber como ia a economia no início de 2008. Tinha razão: foi leviano, sim senhor. E, diga-se, também incompreensível. Em termos eleitorais, os eleitores ligam à descida do IVA, mas querem lá saber em que mês ela é anunciada. Ao anunciá-la tão cedo (antes de conhecer a estimativa rápida do PIB do 1º trimestre) Sócrates arriscou muito, já que todos os sinais externos já eram bastante negros. Ainda por cima, o anúncio da descida do IVA muito antes da sua entrada em vigor tem um efeito negativo de atrasar algumas aquisições, que ficam à espera que o IVA baixe. Houve uma medida errada com um timing errado. Com a particularidade de que o timing certo (um pormenor não despiciendo) poderia ter justamente evitado a medida errada.
A probabilidade de o défice de 2008 ficar acima dos 2,6% de 2007 vai crescendo. Vai crescendo de tal maneira, com cada notícia que surge que, não tarda nada, a dúvida se vai ultrapassar os 3% vai-se colocar. Seria um fracasso económico e político estrondoso. Sócrates apresentar-se às eleições com as contas públicas outra vez descontroladas seria correr o sério risco de perder as eleições. Tudo por uma decisão errada (descida do IVA), tomada antes do tempo certo.
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
Novo chefe da ASAE
“Directora regional do Norte [Fátima Araújo] da ASAE critica inspecções da instituição que obrigam IPSS a deitar comida fora”. Do Público de hoje, p. 6.
Está encontrado o novo chefe da ASAE. Pede-se ao governo a substituição urgente do inacreditável Nunes por esta senhora.
Está encontrado o novo chefe da ASAE. Pede-se ao governo a substituição urgente do inacreditável Nunes por esta senhora.
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segunda-feira, 26 de maio de 2008
Alternativas ao “capitalismo neoliberal”
André Freire, no Público de hoje, p. 41, vem propor-nos alternativas ao “capitalismo neoliberal”. Em primeiro lugar há que saudar o esforço, embora o resultado prático não seja famoso.
A primeira proposta é estranhíssima: “taxas Tobin ‘sobre o IDE’ (investimento directo estrangeiro” com o objectivo de “penalizar os capitais especulativos”. Mas o IDE é o oposto de capitais especulativos! Esta confusão conceptual é a morte do artista, mas adiante. O IDE deve ser bem acolhido e muitos países o que fazem é criar taxas Tobin negativas, ou sejam criam condições fiscais mais favoráveis ao IDE. Exactamente o oposto do proposto.
Quanto aos capitais especulativos, sob pressão (intelectual) de Stiglitz, o próprio FMI já veio reconhecer (embora tenha tido o comportamento vergonhoso de não reconhecer a dívida intelectual a Stiglitz) que a liberalização financeira dos capitais de curto prazo não é útil: Prasad, Eswar; Rogoff, Kenneth; Wei, Shang-Jin & Kose, M. Ayhan (2003) “Effects of financial globalization on developing countries: some empirical evidence” March 2003, FMI.
Segue-se “Thomas Palley propõe uma nova agenda para a globalização que passa por, primeiro, encarar a liberalização do comércio mundial como um meio (…) e não um fim.” Por amor de Deus, isto é um insulto à inteligência de qualquer leitor! Com cruzadas quixotescas destas não se vai a lado nenhum.
Quanto à valorização das condições de trabalho e ambiente, isto cheira a proteccionismo dos trabalhadores mais pobres dos países ricos (onde existem generosos apoios sociais) contra a generalidade dos trabalhadores dos países pobres. Uma postura bem egoísta, de tentar evitar que os países que sempre foram pobres possam aceder a níveis de rendimento nunca antes sonhados.
A primeira proposta é estranhíssima: “taxas Tobin ‘sobre o IDE’ (investimento directo estrangeiro” com o objectivo de “penalizar os capitais especulativos”. Mas o IDE é o oposto de capitais especulativos! Esta confusão conceptual é a morte do artista, mas adiante. O IDE deve ser bem acolhido e muitos países o que fazem é criar taxas Tobin negativas, ou sejam criam condições fiscais mais favoráveis ao IDE. Exactamente o oposto do proposto.
Quanto aos capitais especulativos, sob pressão (intelectual) de Stiglitz, o próprio FMI já veio reconhecer (embora tenha tido o comportamento vergonhoso de não reconhecer a dívida intelectual a Stiglitz) que a liberalização financeira dos capitais de curto prazo não é útil: Prasad, Eswar; Rogoff, Kenneth; Wei, Shang-Jin & Kose, M. Ayhan (2003) “Effects of financial globalization on developing countries: some empirical evidence” March 2003, FMI.
Segue-se “Thomas Palley propõe uma nova agenda para a globalização que passa por, primeiro, encarar a liberalização do comércio mundial como um meio (…) e não um fim.” Por amor de Deus, isto é um insulto à inteligência de qualquer leitor! Com cruzadas quixotescas destas não se vai a lado nenhum.
Quanto à valorização das condições de trabalho e ambiente, isto cheira a proteccionismo dos trabalhadores mais pobres dos países ricos (onde existem generosos apoios sociais) contra a generalidade dos trabalhadores dos países pobres. Uma postura bem egoísta, de tentar evitar que os países que sempre foram pobres possam aceder a níveis de rendimento nunca antes sonhados.
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