“Directora regional do Norte [Fátima Araújo] da ASAE critica inspecções da instituição que obrigam IPSS a deitar comida fora”. Do Público de hoje, p. 6.
Está encontrado o novo chefe da ASAE. Pede-se ao governo a substituição urgente do inacreditável Nunes por esta senhora.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Alternativas ao “capitalismo neoliberal”
André Freire, no Público de hoje, p. 41, vem propor-nos alternativas ao “capitalismo neoliberal”. Em primeiro lugar há que saudar o esforço, embora o resultado prático não seja famoso.
A primeira proposta é estranhíssima: “taxas Tobin ‘sobre o IDE’ (investimento directo estrangeiro” com o objectivo de “penalizar os capitais especulativos”. Mas o IDE é o oposto de capitais especulativos! Esta confusão conceptual é a morte do artista, mas adiante. O IDE deve ser bem acolhido e muitos países o que fazem é criar taxas Tobin negativas, ou sejam criam condições fiscais mais favoráveis ao IDE. Exactamente o oposto do proposto.
Quanto aos capitais especulativos, sob pressão (intelectual) de Stiglitz, o próprio FMI já veio reconhecer (embora tenha tido o comportamento vergonhoso de não reconhecer a dívida intelectual a Stiglitz) que a liberalização financeira dos capitais de curto prazo não é útil: Prasad, Eswar; Rogoff, Kenneth; Wei, Shang-Jin & Kose, M. Ayhan (2003) “Effects of financial globalization on developing countries: some empirical evidence” March 2003, FMI.
Segue-se “Thomas Palley propõe uma nova agenda para a globalização que passa por, primeiro, encarar a liberalização do comércio mundial como um meio (…) e não um fim.” Por amor de Deus, isto é um insulto à inteligência de qualquer leitor! Com cruzadas quixotescas destas não se vai a lado nenhum.
Quanto à valorização das condições de trabalho e ambiente, isto cheira a proteccionismo dos trabalhadores mais pobres dos países ricos (onde existem generosos apoios sociais) contra a generalidade dos trabalhadores dos países pobres. Uma postura bem egoísta, de tentar evitar que os países que sempre foram pobres possam aceder a níveis de rendimento nunca antes sonhados.
A primeira proposta é estranhíssima: “taxas Tobin ‘sobre o IDE’ (investimento directo estrangeiro” com o objectivo de “penalizar os capitais especulativos”. Mas o IDE é o oposto de capitais especulativos! Esta confusão conceptual é a morte do artista, mas adiante. O IDE deve ser bem acolhido e muitos países o que fazem é criar taxas Tobin negativas, ou sejam criam condições fiscais mais favoráveis ao IDE. Exactamente o oposto do proposto.
Quanto aos capitais especulativos, sob pressão (intelectual) de Stiglitz, o próprio FMI já veio reconhecer (embora tenha tido o comportamento vergonhoso de não reconhecer a dívida intelectual a Stiglitz) que a liberalização financeira dos capitais de curto prazo não é útil: Prasad, Eswar; Rogoff, Kenneth; Wei, Shang-Jin & Kose, M. Ayhan (2003) “Effects of financial globalization on developing countries: some empirical evidence” March 2003, FMI.
Segue-se “Thomas Palley propõe uma nova agenda para a globalização que passa por, primeiro, encarar a liberalização do comércio mundial como um meio (…) e não um fim.” Por amor de Deus, isto é um insulto à inteligência de qualquer leitor! Com cruzadas quixotescas destas não se vai a lado nenhum.
Quanto à valorização das condições de trabalho e ambiente, isto cheira a proteccionismo dos trabalhadores mais pobres dos países ricos (onde existem generosos apoios sociais) contra a generalidade dos trabalhadores dos países pobres. Uma postura bem egoísta, de tentar evitar que os países que sempre foram pobres possam aceder a níveis de rendimento nunca antes sonhados.
Etiquetas:
economia,
FMI,
globalização,
liberalismo
Passos Coelho entre o liberal e o populista
Passos Coelho vinha propondo uma postura diferente, carregando na ideologia, marcadamente liberal. Não basta ter convicção em ideias estruturantes, é necessário ir às aplicações concretas, coisa que Passos Coelho não tem feito.
O principal problema que começa a emergir desta candidatura é a falta de coerência. Primeiro o deixar associar-se a pessoas vindas obviamente do PSD populista. Ninguém pode dizer “não quero o apoio explícito de fulano”, mas pode escolher os seus mandatários. Estranhíssima a escolha do mandatário da Juventude…
Mas esta ideia do PPC de pedir a descida do ISP é de uma demagogia indesculpável num economista. Portugal importa quase 90% da energia que consome e vamos fingir que não temos que nos adaptar a um mundo de energia cara durante as próximas décadas? Portugal é dos países que mais desperdiça energia, com um dos piores rácios entre PIB e energia utilizada. Portugal é dos países mais longe de respeitar os limites de Quioto e vamos fingir que a subida do preço do petróleo não nos obriga a mudar de vida?
Concordo que o ISP precisa de se aproximar dos níveis de Espanha. Mas, baixá-lo porque o preço do petróleo está a subir, é uma medida do mais anti-liberal que existe, transmitindo a ideia (que demasiados portugueses querem ouvir) que o Estado pode corrigir todas as adversidades do mundo, que toda a mudança é evitável, que o Estado se responsabiliza por tudo, que os cidadãos podem descartar as suas responsabilidades no Estado.
Eu defendo um liberalismo (o único?) em que o Estado favorece a mudança e não o imobilismo.
O principal problema que começa a emergir desta candidatura é a falta de coerência. Primeiro o deixar associar-se a pessoas vindas obviamente do PSD populista. Ninguém pode dizer “não quero o apoio explícito de fulano”, mas pode escolher os seus mandatários. Estranhíssima a escolha do mandatário da Juventude…
Mas esta ideia do PPC de pedir a descida do ISP é de uma demagogia indesculpável num economista. Portugal importa quase 90% da energia que consome e vamos fingir que não temos que nos adaptar a um mundo de energia cara durante as próximas décadas? Portugal é dos países que mais desperdiça energia, com um dos piores rácios entre PIB e energia utilizada. Portugal é dos países mais longe de respeitar os limites de Quioto e vamos fingir que a subida do preço do petróleo não nos obriga a mudar de vida?
Concordo que o ISP precisa de se aproximar dos níveis de Espanha. Mas, baixá-lo porque o preço do petróleo está a subir, é uma medida do mais anti-liberal que existe, transmitindo a ideia (que demasiados portugueses querem ouvir) que o Estado pode corrigir todas as adversidades do mundo, que toda a mudança é evitável, que o Estado se responsabiliza por tudo, que os cidadãos podem descartar as suas responsabilidades no Estado.
Eu defendo um liberalismo (o único?) em que o Estado favorece a mudança e não o imobilismo.
Etiquetas:
contas públicas,
economia,
Menezes,
Passos Coelho,
PSD
domingo, 25 de maio de 2008
Santana tem mais que fazer…
“Entrevista CM: Santana Lopes: “Tenho mais que fazer do que perder com Sócrates”
http://www.correiodamanha.pt/Noticia.aspx?channelid=00000229-0000-0000-0000-000000000229&contentid=28FCFE08-ECBC-48F2-8A53-4DFF627020BB
Que mais? Perder com Manuela Ferreira Leite? Perder inclusive com Passos Coelho?
http://www.correiodamanha.pt/Noticia.aspx?channelid=00000229-0000-0000-0000-000000000229&contentid=28FCFE08-ECBC-48F2-8A53-4DFF627020BB
Que mais? Perder com Manuela Ferreira Leite? Perder inclusive com Passos Coelho?
Etiquetas:
Correio da Manhã,
Manuela Ferreira Leite,
Passos Coelho,
Santana Lopes,
Sócrates
sábado, 24 de maio de 2008
Nuvens cada vez mais negras
Agora são os indicadores coincidentes calculados pelo Banco de Portugal que continuam a cair a pique. O do consumo privado reforçou o carácter negativo. Parece que estamos a ponto de ter a chamada recessão técnica no 1º semestre de 2008.
A Europa está a reagir muito melhor que Portugal à deterioração internacional, pelo que o argumento externo não é suficiente para explicar a desaceleração portuguesa. Estamos a pagar o não prestar atenção à necessidade de recuperar a competitividade perdida. E ainda Manuel Pinho tem o descaramento de desvalorizar a queda do Investimento Directo Externo…
A Europa está a reagir muito melhor que Portugal à deterioração internacional, pelo que o argumento externo não é suficiente para explicar a desaceleração portuguesa. Estamos a pagar o não prestar atenção à necessidade de recuperar a competitividade perdida. E ainda Manuel Pinho tem o descaramento de desvalorizar a queda do Investimento Directo Externo…
Etiquetas:
Banco de Portugal,
economia,
PS
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Aumentar salários?
Alfredo Bruto da Costa, coordenador do estudo Um Olhar sobre a Pobreza vem hoje falar nos salários “baixos” e na necessidade do seu aumento no Público, p. 3. Felizmente que tem consciência de que o aumento dos salários tem que vir depois do aumento da produtividade e não antes.
Infelizmente não parece ter consciência que, infelizmente, os salários em Portugal estão hoje demasiado elevados para a nossa produtividade. Faz também a confusão entre aumentar rendimentos dos mais pobres e aumentar salários. A economia, neste momento, não comporta aumentos salariais pequenos, muito menos aumentos salariais substantivos, que influenciassem verdadeiramente a pobreza. Mas existe alguma margem para aumentar os rendimentos, sem aumentar os salários. Um, é a redução dos impostos sobre os mais pobres, um instrumento pouco eficaz, porque os mais pobres não pagam IRS. Outro, mais eficaz, seria a criação do imposto negativo, ou melhor dizendo, a criação de um escalão negativo no IRS. Quem tivesse rendimentos abaixo de determinado montante, não só não pagava imposto, como recebia subsídio.
Acrescente-se que o governo desperdiçou uma oportunidade de ouro ao baixar o IVA, em vez de enveredar pelo imposto negativo.
Infelizmente não parece ter consciência que, infelizmente, os salários em Portugal estão hoje demasiado elevados para a nossa produtividade. Faz também a confusão entre aumentar rendimentos dos mais pobres e aumentar salários. A economia, neste momento, não comporta aumentos salariais pequenos, muito menos aumentos salariais substantivos, que influenciassem verdadeiramente a pobreza. Mas existe alguma margem para aumentar os rendimentos, sem aumentar os salários. Um, é a redução dos impostos sobre os mais pobres, um instrumento pouco eficaz, porque os mais pobres não pagam IRS. Outro, mais eficaz, seria a criação do imposto negativo, ou melhor dizendo, a criação de um escalão negativo no IRS. Quem tivesse rendimentos abaixo de determinado montante, não só não pagava imposto, como recebia subsídio.
Acrescente-se que o governo desperdiçou uma oportunidade de ouro ao baixar o IVA, em vez de enveredar pelo imposto negativo.
Etiquetas:
contas públicas,
pobreza,
Público
OPEP impotente?
“O mercado petrolífero está "louco". A expressão é do secretário-geral da OPEP, Abdulah al Badri, que afirmou que o cartel nada pode fazer para baixar os preços do petróleo.”
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/internacional/mercados/pt/desarrollo/1126708.html
“Nada pode”? Não faz nada porque não pode ou porque não lhe interessa? É completamente evidente que aos países produtores de petróleo lhes interessa estes preços elevados. E, já agora, esta inacção da OPEP não sugere uma verdadeira impotência, uma incapacidade de aumentar a produção, que justifica e reforça a alta dos preços?
”Para o responsável da Organização os preços recordes do petróleo devem-se às tensões geopolíticas, à especulação e ao dólar fraco.”
“Dólar fraco”? Tretas! Só em 2008 o petróleo (Brent) já subiu 28% em euros. Quanto à “especulação”, trata-se de mais uma conversa da treta. A especulação não é uma fantasia sem suporte na realidade, trata-se de uma previsão baseados em factos e expectativas. Uma das expectativas em que se baseia a especulação é que a OPEP vai assistir de braços cruzados a uma escalada de preços. E a OPEP continua a confirmar que essa expectativa está correcta.
"Se aumentássemos a produção amanhã, os preços não baixariam devido à especulação e ao dólar fraco", disse Abdulah al Badri.”
Mais treta. Um aumento da produção iria esmagar as expectativas dos especuladores e provocar forte baixa do preço. Mas isso era a última coisa que a OPEP queria. Na verdade esta conversa não passa de sacudir a água do capote, que a OPEP não é minimamente responsável pela subida de preços que tantos estragos anda a fazer por todo o mundo. Já agora a OPEP poderia calcular qual a parte do preço do petróleo que é “especulativo” e oferecer esse montante aos países mais pobres.
A OPEP está a ganhar rios de dinheiro com a "especulação" e ainda tem o descaramento de dizer que os outros é que são os culpados. A maior falta de vergonha na cara!
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/internacional/mercados/pt/desarrollo/1126708.html
“Nada pode”? Não faz nada porque não pode ou porque não lhe interessa? É completamente evidente que aos países produtores de petróleo lhes interessa estes preços elevados. E, já agora, esta inacção da OPEP não sugere uma verdadeira impotência, uma incapacidade de aumentar a produção, que justifica e reforça a alta dos preços?
”Para o responsável da Organização os preços recordes do petróleo devem-se às tensões geopolíticas, à especulação e ao dólar fraco.”
“Dólar fraco”? Tretas! Só em 2008 o petróleo (Brent) já subiu 28% em euros. Quanto à “especulação”, trata-se de mais uma conversa da treta. A especulação não é uma fantasia sem suporte na realidade, trata-se de uma previsão baseados em factos e expectativas. Uma das expectativas em que se baseia a especulação é que a OPEP vai assistir de braços cruzados a uma escalada de preços. E a OPEP continua a confirmar que essa expectativa está correcta.
"Se aumentássemos a produção amanhã, os preços não baixariam devido à especulação e ao dólar fraco", disse Abdulah al Badri.”
Mais treta. Um aumento da produção iria esmagar as expectativas dos especuladores e provocar forte baixa do preço. Mas isso era a última coisa que a OPEP queria. Na verdade esta conversa não passa de sacudir a água do capote, que a OPEP não é minimamente responsável pela subida de preços que tantos estragos anda a fazer por todo o mundo. Já agora a OPEP poderia calcular qual a parte do preço do petróleo que é “especulativo” e oferecer esse montante aos países mais pobres.
A OPEP está a ganhar rios de dinheiro com a "especulação" e ainda tem o descaramento de dizer que os outros é que são os culpados. A maior falta de vergonha na cara!
Etiquetas:
Diário Económico,
economia,
OPEP
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Pescas a delirar
Proprietários e trabalhadores das pescas vão fazer greve porque o governo não “toma uma posição” sobre a subida dos combustíveis (Público de hoje, p. 36).
“Nós só não pagamos imposto sobre produtos petrolíferos, como acontece em todos os países europeus.” Ainda por cima neste caso a subida é apenas devido ao preço internacional do petróleo.
Parece que toda esta reivindicação se baseia em dois pressupostos pouco razoáveis. O primeiro pressuposto é o de que o governo tem sempre que resolver todos os problemas das pescas. Isto deriva da experiência de excessiva intervenção no passado, que cria a expectativa de intervenção futura. É um ciclo vicioso que deveria ser quebrado.
O segundo pressuposto é o de que o preço do peixe é um dado e, com mais custos, fica menos para trabalhadores e proprietários. Mas que disparate! Então o preço do peixe não vai subir, como até já têm subido o preço de tantos outros bens alimentares?
Se eu fosse governo deixava-os fazer greve à vontade. Aliás, a subida de preço que isso provocaria talvez os convencesse que não tinham razões para fazer greve.
“Nós só não pagamos imposto sobre produtos petrolíferos, como acontece em todos os países europeus.” Ainda por cima neste caso a subida é apenas devido ao preço internacional do petróleo.
Parece que toda esta reivindicação se baseia em dois pressupostos pouco razoáveis. O primeiro pressuposto é o de que o governo tem sempre que resolver todos os problemas das pescas. Isto deriva da experiência de excessiva intervenção no passado, que cria a expectativa de intervenção futura. É um ciclo vicioso que deveria ser quebrado.
O segundo pressuposto é o de que o preço do peixe é um dado e, com mais custos, fica menos para trabalhadores e proprietários. Mas que disparate! Então o preço do peixe não vai subir, como até já têm subido o preço de tantos outros bens alimentares?
Se eu fosse governo deixava-os fazer greve à vontade. Aliás, a subida de preço que isso provocaria talvez os convencesse que não tinham razões para fazer greve.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Há males que vêm por bem
Do Público de hoje, p. 41: Espanha está atrasada no TGV para Badajoz. Tanto melhor, ajuda a atrasar/suspender o disparate do TGV em Portugal.
Já se sabe que os preços das viagens de TGV serão uma ficção política. Mas os custos, esses imaginam-se estratosféricos. O TGV vai proporcionar viagens mais caras e mais lentas que de avião. Qual a lógica de investir numa tecnologia mais cara e pior do que temos actualmente? Nem a desculpa temos de ter dinheiro para gastar…
Já se sabe que os preços das viagens de TGV serão uma ficção política. Mas os custos, esses imaginam-se estratosféricos. O TGV vai proporcionar viagens mais caras e mais lentas que de avião. Qual a lógica de investir numa tecnologia mais cara e pior do que temos actualmente? Nem a desculpa temos de ter dinheiro para gastar…
Etiquetas:
contas públicas,
Espanha,
obras públicas,
Público
Santana Lopes divertido
Em entrevista de hoje ao Diário Económico: “Há uma candidatura de resignação, outra de impreparação e a minha que tem um caminho de ambição.”
“Ambiciona” repetir o disparate de 2004? Acha sinceramente que os portugueses lhe vão dar essa oportunidade? Acha que os eleitores do PSD o vão ouvir?
“Ambiciona” repetir o disparate de 2004? Acha sinceramente que os portugueses lhe vão dar essa oportunidade? Acha que os eleitores do PSD o vão ouvir?
Etiquetas:
Diário Económico,
Santana Lopes
Subscrever:
Mensagens (Atom)